🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

As ações de uma “antiga novata” com potencial de alta de 75% na bolsa

Se tudo der certo, é bem capaz de termos uma história de multiplicação na Bolsa, com um risco de desvalorização relativamente limitado

27 de agosto de 2020
6:01 - atualizado às 12:01
Gráfico de alta com homem sobre avião de papel
Imagem: Shutterstock

Dentre o universo de cobertura de empresas listadas na Bolsa brasileira, há dois setores “temidos” por analistas: utilities e commodities.

O setor de utilities, que compreende ações de companhias do setor elétrico e saneamento, é altamente regulado e é, de longe, o mais difícil de se familiarizar. Além do arcabouço regulatório complexo, a disponibilização de informações da Aneel deixa bastante a desejar, para dizer o mínimo.

Não ajuda o fato de que o governo Dilma fez várias barbeiragens com o setor, destruindo muito valor para empresas, acionistas e consumidores, o que deixou todo mundo ainda mais reticente e aumentou o grau de complexidade de forma considerável.

Já as produtoras de commodities não são assim tão complexas – a empresa extrai uma matéria-prima (minério de ferro, ouro, celulose), faz (ou não) algum tipo de processamento e despacha o produto para o comprador.

A grande pegadinha das commodities é que, via de regra, a maior parte da produção é exportada e, portanto, as receitas são dolarizadas. No longo prazo, isso é positivo, porque uma produtora local tem boa parte dos custos em reais, mas tem receita em moeda forte, uma combinação que costuma ser interessante.

Por outro lado, é praticamente impossível fazer qualquer previsão mais acertada sobre o futuro do câmbio no curto prazo e, não raro, vemos flutuações na moeda americana fazerem economistas e analistas calçarem, a contragosto, as sandálias da humildade.

Leia Também

Isso se não bastasse o fato de que, por definição, o preço de uma commodity é definido por forças de mercado (as tais oferta e demanda) e as produtoras têm muito pouco a dizer sobre o preço de seus próprios produtos.

Com isso, modelar uma exportadora de minério de ferro ou de uma produtora de papel é um exercício quase esotérico capaz de frustrar gestores e analistas de todas as raças, credos e tamanhos.

Por essas e outras, as exportadoras de commodity se transformaram no patinho feio da Bolsa e, não raro, tem bastante gente que fala que não encosta em Vale. Se for commodity estatal, então, aí é pior do que bater na própria mãe – tem gestor fundamentalista que prefere investir em bitcoin do que comprar Petrobras.

Mas, tirando as dificuldades, na B3 a gente pode encontrar algumas coisas bem interessantes. Em tempos de preocupações com a situação fiscal e estresse no câmbio, acho que vale dar uma olhada numa antiga novata da Bolsa.

Antiga porque a Irani (RANI3) tem ações listadas desde 1977 e novata porque acabou de passar por um “re-IPO” para ganhar liquidez e um alívio no caixa – a verdade é que, mesmo sendo listada há décadas, era um papel praticamente esquecido, com baixíssima liquidez e diversos problemas que impediam a companhia de crescer.

Há algumas semanas, a empresa levantou R$ 400 milhões, que permitiu endereçar a alavancagem excessiva e abriu caminho para investimentos bastante interessantes ao longo dos próximos anos, que podem fomentar uma história de crescimento.

Além da melhora de balanço e no operacional, a oferta foi acompanhada de um compromisso de migração para o Novo Mercado, que traz um ganho de governança e maiores exigências de transparência.

Retomando o histórico, a Irani Papel e Embalagem S.A. foi fundada em 1941 em Santa Catarina e, depois do IPO em 1977, passou por algumas décadas de crescimento e consolidação e, em 1994, trocou de controle. Em 1997, passou a atuar no mercado de embalagem de papelão ondulado, hoje seu principal foco de atuação.

Hoje, são basicamente três fontes de receitas – (i) produção e venda de embalagens de papelão ondulado; (ii) papel para embalagens e (iii) atividade florestal no Rio Grande do Sul, que envolve a produção de toras de madeira e resinas, a maioria voltada para a indústria estrangeira. Em termos de mercado interno e externo, pouco mais do que 25% das receitas vieram de fora, com o restante sendo gerado no mercado brasileiro.

É aqui que a companhia tem um perfil um pouco diferente da empresa de commodity “tradicional”. Como a maior parte da produção fica no mercado interno e os produtos estão intimamente ligados ao consumo, a empresa está mais exposta ao ciclo doméstico do que a Vale, por exemplo.

Por outro lado, ainda há uma boa exposição ao câmbio tanto diretamente (26,8% das receitas do 2T20 vieram de exportações) quanto indiretamente, uma vez que a desvalorização cambial pressiona preços no mercado interno e torna a Irani mais competitiva no mercado externo.

A produção está distribuída em quatro estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais), compreendendo duas áreas florestais e cinco plantas de processamento, que permitem capacidade de produção de 290 mil toneladas de papel ao ano, a quebra entre venda de papel para terceiros e conversão para papelão ondulado é quase meio a meio, o que dá uma certa flexibilidade para que, a depender das condições de mercado, a empresa opte por destinar maiores ou menores volumes a terceiros.

O apelo ESG

É interessante notar que cerca de 70% da produção é feita com aparas, ou fibras recicladas, o que a coloca também como um importante player no mercado sustentável (sempre interessante no momento em que “ESG” tem se tornado cada vez mais sexy) – via de regra, as embalagens com produtos reciclados são utilizados em quase todos os segmentos, com exceção de embalagens que terão contato direto com alimentos.

Em 2013, a empresa adquiriu da Indústria São Roberto, o que trouxe a alavancagem para níveis bem desconfortáveis, impedindo que a Irani investisse em crescimento por um bom tempo: a dívida líquida atingiu alarmantes 5,88x Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 2016 e os pagamentos de juros e principal praticamente consumiam todo o caixa gerado pelas operações.

Novo fôlego

No ano passado, a Irani começou um grande projeto de reperfilamento da dívida, com emissão de debêntures e o novo IPO, que trouxeram um necessário respiro às operações. No fim do 2T20, antes da entrada dos recursos do re-IPO, o endividamento estava em torno de 2,94x e o caixa fechou o segundo trimestre em R$ 108 milhões.

Fontes: Seu Dinheiro e Irani

Com os recursos da oferta, o caixa deve ficar em torno de R$ 500 milhões e o endividamento deve cair para abaixo de 1x Ebitda, o que permite investimento nos projetos de expansão, onde podemos encontrar o maior potencial de alta das ações.

A valorização dos papéis deve demorar um pouco para aparecer – não espere uma alta nas receitas ou nos lucros ao longos dos próximos trimestres, mas, conforme a empresa for executando os pouco mais de R$ 1 bilhão de investimentos que tem na ponta da agulha, o valor para os acionistas deve começar a se refletir no preço das ações.

São três grandes projetos: (i) expansão da capacidade da planta em Santa Catarina, que pode adicionar mais de 50 mil toneladas adicionais à produção anual; (ii) caldeira de recuperação, também na planta em Santa Catarina, que deve trazer ganhos de eficiência energética e redução nos custos de produção, bem como ampliar a capacidade produtiva da fábrica e (iii) uma nova planta de embalagem em Minas Gerais, o projeto mais caro e controverso, uma vez que não tem o mesmo potencial de geração de valor dos outros dois e ainda está sob análise do time de gestão.

De acordo com estimativas do management e de alguns analisas que cobrem o papel, se tudo der certo e com um pouco de sorte, o Ebitda pode chegar a dobrar nos próximos quatro a cinco anos.

Olhando para o Ebitda esperado dos últimos 12 meses e já fazendo os ajustes para a emissão recente, o papel negocia a cerca de 6x valor de companhia/Ebitda (EV/Ebitda, da sigla em inglês), bem abaixo dos pares (Klabin, por exemplo, negocia a 10,8x). Mesmo que você aplique um belo desconto, só de levar o múltiplo para 7,5x, já enxergo um potencial de valorização em torno de 35%.

Assumindo que esse Ebitda cresça 25% e o múltiplo se mantenha em 7,5x, o valor justo por ação seria de R$ 8,20, 75% acima dos R$ 4,69 do fechamento de ontem (26 de agosto). Se tudo der certo, é bem capaz de termos uma história de multiplicação na Bolsa, com um risco de desvalorização relativamente limitado.

Sendo assim, faz todo sentido colocar um pouco de RANI3 no portfólio, dado que enxergo um ótimo potencial de valorização ao longo dos próximos dois ou três anos. Eu não “encheria a mão” do papel, dado que não é dos casos mais óbvios da Bolsa, mas enxergo uma assimetria muito convidativa por aqui.

De riscos, é importante comentar que, mesmo que a dinâmica da companhia a deixei mais exposta ao ciclo doméstico, ainda estamos falando de uma commodity com preço definido nos mercados internacionais, com pouco poder de precificação por parte da companhia.

Além disso, o papel tem liquidez limitada (cerca de R$ 14 milhões por dia) e, mesmo concluído o processo de migração para o Novo Mercado, a companhia tem controle familiar e não é um exemplo de governança.

Por fim, boa parte do crescimento vem da execução dos projetos apresentados e não há nenhuma garantia de que sairão do papel e muito menos de que trarão os resultados esperados. O desconto para os pares me parece mais do que suficiente para mitigar essas questões.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
ENTREGAS DE AVIÕES

Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump 

3 de abril de 2025 - 12:31

A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado

AJUSTANDO A CARTEIRA

Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump 

3 de abril de 2025 - 11:27

A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%

3 de abril de 2025 - 10:50

O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais

3 de abril de 2025 - 8:14

Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA

AÇÃO DO MÊS

Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas

3 de abril de 2025 - 6:10

Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo

DERRETENDO

Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara

2 de abril de 2025 - 20:10

Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?

2 de abril de 2025 - 20:00

As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?

ONDE INVESTIR

Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês

2 de abril de 2025 - 19:30

No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional

CADEIRA NO CONSELHO

Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO

2 de abril de 2025 - 18:57

Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo

PERDEU, DÓLAR

Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência 

2 de abril de 2025 - 13:35

Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade

NOVA CHAPA

Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho

2 de abril de 2025 - 11:21

Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

NOVA ERA

Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio

1 de abril de 2025 - 18:08

Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros

AÇÕES EM QUEDA FORTE

Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano

1 de abril de 2025 - 17:29

No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa

ACORDO ELETRIZANTE

Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos

1 de abril de 2025 - 14:35

Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%

TOUROS E URSOS #217

Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos

1 de abril de 2025 - 14:05

No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira

conteúdo EQI

Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário

1 de abril de 2025 - 12:00

O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como

MUDANÇAS NO CONSELHO

Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3

1 de abril de 2025 - 11:49

Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

APÓS O ROMBO

Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária

1 de abril de 2025 - 9:51

Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump

1 de abril de 2025 - 8:13

Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar