🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Forte turbulência

Gol tem prejuízo de R$ 2,28 bilhões no 1º trimestre, afetada pela disparada do dólar e pelo coronavírus

A Gol reportou perdas bilionárias entre janeiro e março deste ano. Apesar de o lado operacional ter reportado um desempenho relativamente resiliente, o front financeiro foi bastante afetado pela escalada do dólar

Victor Aguiar
Victor Aguiar
4 de maio de 2020
8:46 - atualizado às 9:24
Avião da Gol GOLL4
Avião da Gol - Imagem: Dilvugação

Desde o começo da pandemia do coronavírus, o setor aéreo foi um dos mais prejudicados: as restrições à circulação de pessoas provocaram uma queda abrupta na demanda por viagens, gerando uma paralisia quase completa no segmento. A situação agravou ainda mais uma situação que já era ruim para o segmento por causa da disparada do dólar — e a Gol deu hoje uma dimensão financeira aos efeitos dessa crise.

A companhia aérea fechou o primeiro trimestre deste ano com um prejuízo líquido de R$ 2,288 bilhões no primeiro trimestre deste ano — para se ter uma ideia do crescimento, as perdas reportadas no mesmo intervalo de 2019 foram de "apenas" R$ 32,3 milhões.

O resultado veio muito pior do que o esperado pelos analistas, e olha que as projeções já não eram muito animadoras: a média das estimativas compiladas pela Bloomberg apontava para um prejuízo da ordem de R$ 269 milhões.

Há uma ressalva nos resultados apresentados nesta segunda-feira (4) pela Gol: os dados não foram auditados. De acordo com a companhia, os revisores independentes pediram um prazo extra, até 15 de maio, para concluir seus trabalhos.

A empresa não deu maiores detalhes quanto aos motivos que provocaram esse atraso, mas disse entender ser importante manter o mercado e os acionistas informados a respeito da situação financeira da companhia e, por isso, decidiu divulgar os números não-auditados.

Em termos de receita líquida, a Gol até conseguiu manter uma relativa normalidade nos três primeiros meses de 2020, já que as restrições geradas pelo coronavírus começaram a ser sentidas apenas em março: a linha totalizou R$ 3,15 bilhões, uma baixa de 2% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Leia Também

As expectativas do mercado também foram frustradas: a média das estimativas compiladas pela Bloomberg indicava uma receita operacional líquida na ordem de R$ 3,4 bilhões.

Apesar disso, chama a atenção a forte baixa nos custos e despesas operacionais, que recuaram 21,5% na mesma base de comparação, para R$ 2,12 bilhões. Assim, o resultado operacional (Ebit) da Gol mais que dobrou entre os períodos, chegando a R$ 1,025 bilhão — a margem operacional saltou de 15,8% para 32,6%.

Se o resultado operacional cresceu nessa magnitude expressiva, por que a empresa teve um prejuízo tão grande?

O calcanhar de Aquiles

Boa parte do saldo vermelho visto na linha final do balanço da Gol se deve ao resultado financeiro da companhia, que ficou negativo em R$ 3,243 bilhões no primeiro trimestre deste ano — entre janeiro e março de 2019, a perda financeira líquida foi muito menor, de R$ 401,1 milhões.

Em seu relatório de resultados, a Gol explica que as despesas financeiras no trimestre dispararam por causa da variação cambial do período — o dólar de referência usado pela companhia foi de R$ 4,03 ao fim de 2019 para R$ 5,20 no término de março.

A variação do dólar tem esse efeito devastador sobre o resultado financeiro da Gol porque 96,6% da dívida bruta da companhia é denominada na moeda americana. Assim, a escalada da divisa rumo às máximas acaba provocando um crescimento rápido no saldo do endividamento.

Dívida alongada

E, falando no endividamento da Gol, há muito a ser analisado: de fato, a alta do dólar fez a dívida bruta da companhia saltar de R$ 12,1 bilhões ao fim de 2019 para R$ 14,6 bilhões ao término de março — um avanço de mais de 20,3% em três meses.

Por outro lado, a empresa conseguiu manter sua posição de caixa praticamente inalterada nesse período, reportando uma baixa marginal de 1,7%, para R$ 2,99 bilhões. Adicionando a essa cifra as contas, títulos e valores a receber, chegamos numa posição de liquidez de R$ 4,23 bilhões.

Ainda assim, a dívida líquida da Gol soma R$ 11,6 bilhões, alta de 27,7% na base trimestral — uma cifra bastante elevada, mas que possui alguns atenuantes.

Em primeiro lugar, chama a atenção o perfil alongado de endividamento da aérea: dos mais de R$ 11 bilhões da dívida líquida, cerca de R$ 4,3 bilhões possuem têm vencimento somente após 2025. No restante de 2020, os compromissos totalizam R$ 2,7 bilhões — quantia inferior à posição de caixa atual da Gol.

Por fim, apesar de o endividamento ter aumentado, o nível de alavancagem — isto é, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda (o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) nos últimos 12 meses — permaneceu estável em 2,4 vezes.

Futuro sombrio

Você já entendeu a mensagem: para a Gol, o grande vilão no primeiro trimestre foi o dólar, e não o coronavírus. Mas, daqui em diante, a Covid-19 deve causar impactos muito fortes à empresa.

Em mensagem aos acionistas, a companhia ressalta que a redução de capacidade no segundo trimestre deve ser de aproximadamente 80%, com 100% de corte nas rotas internacionais. Assim, a própria Gol projeta uma queda de 70% na receita operacional líquida na base anual.

Eu repito: 70% de baixa na receita líquida — algo ao redor de R$ 900 milhões.

"A companhia retirou 120 aeronaves de sua operação e possui flexibilidade para devolver até 20% da sua capacidade até o final do ano. A Gol usará os próximos meses para definir como será a demanda dos clientes e planeja manter uma oferta reduzida para o restante do ano", disse a empresa, em mensagem aos acionistas

Por outro lado, o corte na malha aérea e a forte redução na escala das operações também implicará numa baixa na linha de despesas: ao todo, é esperada uma queda de 50% nos custos totais.

Para atravessar esse período, a Gol diz estar mantendo um uso mínimo de caixa — até o fim de março, o consumo diário girava em torno de R$ 22 milhões, mas a companhia pretende diminuir essa cifra para cerca de R$ 9 milhões diários. Com as medidas de conservação de caixa, a empresa tem como meta preservar R$ 2,4 bilhões ao longo de 2020.

"As ações responsáveis que tomamos incluem a suspensão temporária de quase todos os voos, postergação de pagamentos de arrendamentos, corte de investimentos, adiamento no recebimento de novas aeronaves, renegociação de prazos com fornecedores, redução significativa nas despesas com pessoal e cooperação com o governo brasileiro" - Paulo Kakinoff, presidente da Gol

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
ANOTE NO CALENDÁRIO

Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços

31 de março de 2025 - 7:03

Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores

BALANÇO DOS BALANÇOS

O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital

28 de março de 2025 - 16:02

O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA

28 de março de 2025 - 8:04

O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Após virar pó na bolsa, Dotz (DOTZ3) tem balanço positivo com aposta em outra frente — e CEO quer convencer o mercado de que a virada chegou

27 de março de 2025 - 21:46

Criada em 2000 e com capital aberto desde 2021, empresa que começou com programa de fidelidade vem apostando em produtos financeiros para se levantar, após tombo de 97% no valuation

ENTREVISTA EXCLUSIVA

CEO da Americanas vê mais 5 trimestres de transformação e e-commerce menor, mas sem ‘anabolizantes’; ação AMER3 desaba 25% após balanço

27 de março de 2025 - 14:58

Ao Seu Dinheiro, Leonardo Coelho revelou os planos para tirar a empresa da recuperação e reverter os números do quarto trimestre

PEQUENOS PASSOS

Em reviravolta, ações da CVC (CVCB3) deixam a ponta negativa do Ibovespa e chegam a subir 6%. Afinal, o resultado do 4T24 é positivo ou negativo? 

27 de março de 2025 - 13:26

A empresa saiu das maiores quedas do Ibovespa para as maiores altas, com o mercado avaliando se os pontos negativos foram maiores do que os positivos; saiba o que fazer com as ações agora

REAÇÃO AO RESULTADO

JBS (JBSS3): Com lucro em expansão e novos dividendos bilionários, CEO ainda vê espaço para mais. É hora de comprar as ações?

26 de março de 2025 - 11:26

Na visão de Gilberto Tomazoni, os resultados de 2024 confirmaram as perspectivas positivas para este ano e a proposta de dupla listagem das ações deve impulsionar a geração de valor aos acionistas

DESTAQUES DA BOLSA

É hora de comprar a líder do Ibovespa hoje: Vamos (VAMO3) dispara mais de 17% após dados do 4T24 e banco diz que ação está barata

25 de março de 2025 - 12:42

A companhia apresentou os primeiros resultados trimestrais após a cisão dos negócios de locação e concessionária e apresenta lucro acima das projeções

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom

25 de março de 2025 - 8:13

Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros

RUMO AO PÓDIO

BYD acelera em 2024 e supera Tesla em receita, em mais uma notícia ruim para Elon Musk

24 de março de 2025 - 12:40

Montadora chinesa divulgou receita de US$ 107 bilhões no ano passado, contra US$ 97 bilhões da americana

EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Gol (GOLL4) anuncia financiamento de até US$ 1,25 bilhão para seguir com processo de reestruturação

24 de março de 2025 - 10:23

O financiamento será utilizado para o pagamento de custos do processo de reestruturação da companhia aérea, que está em recuperação judicial nos EUA

ANOTE NO CALENDÁRIO

Agenda econômica: Ata do Copom, IPCA-15 e PIB nos EUA e Reino Unido dividem espaço com reta final da temporada de balanços no Brasil

24 de março de 2025 - 7:03

Semana pós-Super Quarta mantém investidores em alerta com indicadores-chave, como a Reunião do CMN, o Relatório Trimestral de Inflação do BC e o IGP-M de março

NÃO É DÉJÀ-VU

AgroGalaxy (AGXY3) adia outra vez balanço financeiro em meio à recuperação judicial

22 de março de 2025 - 14:03

A varejista de insumos para o agronegócio agora prevê que os resultados do quarto trimestre de 2024 serão divulgados em 22 de abril

DIETA DE ENGORDA

Ozempic na versão brasileira: ação da Hypera (HYPE3) sobe forte após balanço, e remédio para emagrecimento ajuda

21 de março de 2025 - 16:42

Farmacêutica planeja entrar na onda das injeções para emagrecimento tão logo expire a patente do remédio, o que deve acontecer daqui a um ano

PONTO DE VIRADA

Hora de comprar: o que faz a ação da Brava Energia (BRAV3) liderar os ganhos do Ibovespa mesmo após prejuízo no 4T24

21 de março de 2025 - 12:23

A empresa resultante da fusão entre a 3R Petroleum e a Enauta reverteu um lucro de R$ 498,3 milhões em perda de R$ 1,028 bilhão entre outubro e dezembro de 2024, mas bancos dizem que o melhor pode estar por vir este ano

APÓS BALANÇO

Efeito Starbucks? Zamp (ZAMP3) tomba 11% na bolsa; entenda o que impactou as ações da dona do Burger King e do Subway

21 de março de 2025 - 12:00

Empresa concluiu aquisição de Starbucks e Subway no Brasil no quarto trimestre e trocou de CEO no mês passado

FORTES EMOÇÕES

Hapvida (HAPV3) abre em forte queda, depois vira e opera em alta; entenda o que motivou esta montanha-russa

20 de março de 2025 - 15:08

Papéis caíram mais de 8% nos primeiros momentos do pregão, mas no começo da tarde subiam 3,5%

REAÇÃO AO BALANÇO

Mater Dei (MATD3) cai mais de 10% na bolsa após divulgação de lucro 59% menor no quarto trimestre

20 de março de 2025 - 14:03

Após a divulgação dos resultados abaixo das expectativas no quarto trimestre, a companhia anunciou o cancelamento de ações mantidas em tesouraria

OLHO NO DETALHE

Ação da Minerva (BEEF3) dispara na bolsa mesmo após frigorífico sair de lucro para prejuízo; qual foi a boa notícia então?

20 de março de 2025 - 12:50

Balanço foi o primeiro após empresa concluir aquisição de ativos da Marfrig no Brasil, Argentina e Chile

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom

20 de março de 2025 - 8:18

Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar