Momentos drásticos nos mercados exigem medidas drásticas. Será mesmo?
Em meio à crise dos mercados, todos pensam no que devem fazer. É bom reparar em como os goleiros se comportam na hora do pênalti nessas horas

Eu confesso que há um bom tempo não faço mais questão de assistir jogos de futebol. Esse desinteresse não é porque o meu Corinthians está numa draga danada, não.
Eu não sei explicar muito bem, mas os jogos me pareciam muito mais interessantes nos anos 90, quando os mullets eram moda, e, ao contrário de hoje, os times tinham mais craques do que pernas de pau.
Só que o desinteresse fica de lado se alguma partida vai para as disputas de pênaltis. Quando isso acontece é emoção na certa! Vou logo pegar uma cerveja gelada para curtir a aflição alheia.
Mas algo que eu nunca consegui entender muito bem é o seguinte: mesmo que várias cobranças sejam batidas no centro do gol, raramente os goleiros ficam parados. Você já reparou nisso?
De tanto ver isso se repetir, eu comecei a me perguntar por que os goleiros sempre pulam para um dos lados.
A primeira conclusão – e também a mais óbvia – é que eles fazem isso porque acham que o atacante nunca escolhe chutar no meio do gol.
Leia Também
Mas isso não faz muito sentido para mim, porque esse é o lugar mais fácil de acertar. Se você nunca bateu um pênalti, saiba que se o atacante não está muito confiante para arriscar um chute no cantinho, fecha o olho e dá-lhe uma paulada no meio do gol.
Uma conclusão menos óbvia, mas que faz algum sentido, é que os goleiros pulam simplesmente porque pareceriam tolos demais se ficassem parados no meio do gol.
Imagina se ele resolve esperar no centro e o atacante chuta no canto; vai parecer que ele não queria sujar o uniforme, o que certamente renderá muitas críticas dos torcedores.
Você não será tolo demais se não fizer nada
Foram incontáveis os investidores que viram nos primeiros dias de derrocada do Ibovespa a necessidade de agir rapidamente.
Alguns aproveitaram para encher a mão de ações e melhorar o preço médio. O problema é que o mercado continuou despencando.
No outro extremo, estavam aqueles dispostos a zerar toda a sua posição em ações e voltar a colocar toda a sua grana na poupança.
Será mesmo que o momento pede por uma atitude drástica dessa magnitude: tudo ou nada?
Essa necessidade de agir é conhecida como activity bias (traduzindo, seria algo como "viés de atitude") no campo das finanças comportamentais.
Diante de situações extremas, mesmo tendo a alternativa de não fazer nada, somos tentados agir: se vemos fumaça na cozinha, logo corremos para verificar se há fogo; se um louco atravessa a estrada na frente do seu carro, você instantaneamente pisa no freio.
Como você pode perceber, esse viés de atitude ajuda a nos livrar de alguns perigos cotidianos, mas costuma ser um fardo na nossa vida quando o assunto é investimentos.
Quando as nossas ações passam por situações extremas (sobem ou caem demais), nos sentimos tentados a tomar atitudes extremas com relação a elas, mesmo quando não há nenhum indício claro de que fazer alguma coisa seja a melhor solução.
Há um estudo da Fidelity que deixa bem claro como agir sob pressão é um péssimo negócio quando envolve ações. Em uma pesquisa interna para descobrir quais eram os usuários de sua corretora que obtiveram a maior rentabilidade entre 2003 e 2013, a Fidelity descobriu que os maiores retornos foram obtidos justamente pelas contas de investidores mortos ou inativos.
Seria apenas uma enorme coincidência o fato de que os que menos mexeram no portfólio terminaram com os maiores lucros?
É óbvio que o impacto do vírus na economia e na saúde será grande e continuará pesando no preço dos ativos por mais algum tempo. Mas isso não quer dizer que vender tudo seja a melhor solução, especialmente depois de a Bolsa ter caído mais 40% e várias ações de empresas de extrema qualidade voltarem a negociar a patamares de dois ou três anos atrás, quando seus lucros eram apenas uma fração do que são hoje.
Pode demorar um pouco, mas a epidemia será controlada, o lucro das empresas vai voltar a crescer, e as maiores e mais bem preparadas sairão ainda mais fortes.
Por outro lado, isso também não significa que agora seja a hora de investir pesado em renda variável, dado que o fluxo de notícias deve continuar bem negativo por algum tempo.
Com tantos prós e contras na mão e diante de um cenário extremamente volátil e incerto, você não será nem um pouco tolo se simplesmente escolher não fazer nada com as suas ações.
Pequenos ajustes
Se mudanças radicais tendem mais a atrapalhar do que ajudar no meio do furacão, esses momentos podem nos ajudar a entender se os nossos portfólios estão minimamente balanceados ou se precisam de alguns ajustes.
Por exemplo, logo no início do turbilhão, a Carteira Empiricus sugeriu aos seus assinantes aumentar a exposição ao dólar, que já sobe 15% desde então e vem se mostrando como uma boa proteção nos momentos difíceis.
Portanto, se você não tem nem 10% de dólar para ajudar a atravessar os próximos meses que ainda prometem fortes emoções, essa é a hora de um pequeno ajuste.
Um outro ajuste importante: tenha caixa (Tesouro LFT ou fundo DI) neste momento. Vendas indiscriminadas de ações como as que estamos vivenciando são péssimas para a rentabilidade no curto prazo, mas abrem oportunidades que só costumam aparecer a cada dez ou vinte anos.
Por isso, ter pelo menos 25% - 30% do portfólio em caixa para aproveitá-las quando elas surgirem será uma ótima idéia. Enquanto elas não chegam, lembre-se dos mortos-ricos da Fidelity.
O combo do mal: dólar dispara mais de 3% com guerra comercial e juros nos EUA no radar
Investidores correm para ativos considerados mais seguros e recaculam as apostas de corte de juros nos EUA neste ano
Mark Zuckerberg e Elon Musk no vermelho: Os bilionários que mais perdem com as novas tarifas de Trump
Só no último pregão, os 10 homens mais ricos do mundo perderam, juntos, em torno de US$ 74,1 bilhões em patrimônio, de acordo com a Bloomberg
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade