A volta dos dragões – será?
Ivan vai apresentar para você agora como a inflação pode vir à tona e sair do estado adormecido

Quem assistiu a série Game of Thrones deve se lembrar desses nomes: Rhaegal, Drogon e Viserion. São três dragõezinhos, isso ao eclodirem dos ovos no interior da fogueira onde os inimigos de sua mãe, uma jovem chamada Daenerys Targaryen, a queimavam viva.
Só que ela era resistente ao fogo.
Mais tarde eles cresceram e se transformaram em terríveis vencedores de batalhas, sempre defendendo Daenerys.
No mundo de verdade, dragões são usados como símbolos da inflação. Esta também começa mansinha, quase inofensiva, mas, quando evolui, torna-se dificílima de ser derrotada.
Estou sentindo a presença de alguns filhotes de dragão no cenário tupiniquim. O nascimento não nasceu numa pira de lenha em chamas mas na pandemia da Covid-19, muito em função do descaso com que foi tratada pelo governo brasileiro.
Com orientações totalmente erradas, dirigidas à população, não é à toa que somos o segundo país tanto em número de casos como de óbitos, só perdendo para os Estados Unidos, cujo presidente, pelo menos no início, também não levou a coisa muito a sério.
Mesmo se considerarmos uma estatística mais lógica (casos e óbitos per capita), estamos na sexta colocação no primeiro quesito e na oitava no segundo.
Se de um lado o presidente Jair Bolsonaro não se importou muito com a pandemia, tendo inclusive a classificado como “gripezinha”, por outro gostou quando a distribuição de dinheiro, para salvar da fome milhões de brasileiros, lhe garantiu índices de popularidade até então inéditos.
Segundo os economistas Gabriel Hartung e Beny Parnes, sócios da gestora SPX Capital, se os poderes Executivo e Legislativo acertarem seus passos nos próximos meses, a inflação em 2021 deverá ficar em 3,2%, apenas um pouco acima das previsões do último boletim Focus (3.06%).
Em contrapartida, ainda de acordo com Hartung e Parnes, se o teto fiscal for quebrado, a inflação do ano que vem deverá chegar a um número próximo de 6%. Seriam os filhotes de Daenerys ensaiando os primeiros voos e cuspindo as primeiras chamas.
Na última quarta-feira, dia 19, o Senado Federal derrubou o veto do presidente Bolsonaro que impedia o reajuste de funcionários públicos até o final de 2021.
Era tudo que os dragões, agora mais crescidinhos, queriam. Felizmente, no dia seguinte, a Câmara dos Deputados, sob a batuta de Rodrigo Maia, reverteu, por folgados 316 votos a 165, a decisão da Casa Alta, abatendo os monstrinhos em pleno ar.
Eles ficaram feridos, mas não morreram.
Como, ao longo de minha carreira no mercado financeiro, já vi essas voltas e reviravoltas diversas vezes, faço questão de alertar o caro amigo leitor:
Rhaegal, Drogon e Viserion não estão mortos.
Fiquem de olho. A qualquer momento eles poderão voltar a alçar voo.
Retroagindo no calendário, comecemos por Juscelino Kubitschek. Para pôr em prática seu slogan “50 anos em 5”, JK emitiu dinheiro à vontade. Só em 1956, quando ele iniciou seu mandato, a inflação subiu de 12,15% para 24,55%. Isso porque o dinheiro, tal como os dragões, não aguenta desaforo.
Quando Kubitschek passou a faixa presidencial para Jânio Quadros, o número tinha avançado para 30,47%. Os dragões haviam se tornado adolescentes.
E assim foi. Após a renúncia de Jânio, seu sucessor, João (Jango) Goulart, quis transformar o Brasil em uma república sindical. Dobrou o salário mínimo, tentou quebrar a hierarquia das Forças Armadas e foi deposto pelos militares.
Ao se refugiar no Uruguai, Jango deixou como herança uma inflação de 79,92% (1963), que facilmente teria ultrapassado os três dígitos em 1964, caso Goulart não tivesse ficado no poder apenas no primeiro trimestre daquele ano.
Assessorado pela dupla de feras Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões, Humberto de Alencar Castelo Branco, o primeiro general-presidente da então chamada Revolução, optou por um programa de austeridade.
Os dragões ficaram engaiolados até quase o final do governo Emilio Garrastazu Médici, sucessor de Costa e Silva, que por sua vez recebera a faixa presidencial de Castelo.
Veio então a guerra do Yom Kippur, que deu início à inflação mundial dos anos 1970, causada pelo primeiro choque do petróleo.
Como faltavam apenas cinco meses para dar posse ao seu sucessor, general Ernesto Geisel, Médici ignorou os dragões, agora já adultos, que romperam a gaiola onde Castelo, Campos e Bulhões os mantinham presos.
Do dia 6 de outubro de 1973, quando egípcios e sírios atacaram Israel, até 1º de julho de 1994, data em que Itamar Franco lançou o Plano Real, foram 7.573 dias (quase 21 anos) nos quais os dragões, agora no auge de suas forças, não tiveram adversários. Deitaram e rolaram.
Duas décadas mais tarde, para ganhar uma reeleição, Dilma Rousseff fez acordo com Daenerys Targaryen. Resta saber se Jair Bolsonaro fará a mesma coisa, para continuar no Planalto após 2022.
Se ele resistir às tentações do populismo, o Brasil poderá escapar de vez de Rhaegal, Drogon e Viserion.
Caso contrário, a gente poderá ter de conviver com mais 21 anos de seus voos rasantes, cuspindo fogo e destruindo tudo que está embaixo.
Eu até tenho experiência nesse tipo de guerra. Afinal de contas, tinha 18 anos quando ela começou e 54 quando terminou. Sempre operando no mercado.
E você, caro amigo assinante, está preparado para a volta dos dragões? É bom ir estudando alguma coisa a respeito deles. Dá até para se ganhar um bom dinheiro no reinado de Daenerys.
Muito dinheiro. Só que de uma maneira completamente diferente.
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