Dez surpresas para 2020
Por que não há nenhuma surpresa projetada em relação ao governo Bolsonaro? Ora, porque as coisas devem seguir caminhando da mesma forma de 2019

Calma.
Este não é mais um daqueles textos cujo título remete a “os dez cisnes negros esperados para o ano”. Afinal, se fossem esperados, não seriam cisnes negros, cuja definição aponta para eventos imprevisíveis — os “unknown unknowns” de Donald Rumsfeld, coisas que sequer sabemos que não sabemos, vão além de nossa capacidade de mapeamento. Se aquilo lhe passou pela cabeça ex-ante, já deixou de ser um black swan.
No máximo, temos aqui cisnes cinzas, acontecimentos de alto impacto e considerados de baixa probabilidade, mas passíveis de antecipação.
A definição de surpresa aqui empregada remete à mesma adotada por Byron Wien, da Blackstone, que, desde 1986, publica em janeiro suas “Surprises for the year”. Para nossos fins, surpresa é um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, goza de uma chance superior a 50% de ocorrência.
Obviamente, a ideia não é acertar as dez surpresas — quem me dera… O real objetivo do procedimento é exercitar o raciocínio (o meu e o seu) sobre eventos de alto impacto, além do óbvio, capazes de direcionar os mercados ao longo dos próximos 12 meses. Se acertarmos cinco ou seis desses eventos, dado que a eles se atribui uma probabilidade baixa, podemos sair em vantagem relativa notável frente ao consenso. Se metade das corridas de cavalos fosse vencida pelo azarão, seus apostadores estariam verdadeiramente ricos. Como sugere Ray Dalio, pense em suas decisões sempre em termos de valor presente líquido.
Gosto de Byron Wien desde o livro “Soros on Soros: Staying Ahead of the Curve” e, estimulado por seu alto nível de acerto em suas apostas projetadas para 2019, acabei copiando aqui sua prática típica de janeiro — a imitação é um de meus vários péssimos hábitos; felizmente, eu a assumo, tratando-a, com efeito, como um gesto de admiração e, até mesmo, bajulação daqueles cuja capacidade vai muito além da minha própria.
Leia Também
A polarização do mercado financeiro, criptomoedas fecham semana no vermelho e outros destaques
Então, vamos lá:
i. O Ibovespa fechará o ano acima de 150 mil pontos. Minha expectativa é de que seja puxado pelas empresas da “nova economia”, pelos cíclicos domésticos ligados a consumo, real estate e infraestrutura e, ainda mais surpreendente, por algumas empresas de commodities.
ii. O Ibovespa passará por ao menos duas correções superiores a 10%. Esteja preparado, financeira e psicologicamente para esses dias. Potenciais catalisadores desses ajustes pontuais seriam a volatilidade decorrente de preocupações com a economia norte-americana, dificuldades pronunciadas de se avançar para um acordo “fase 2” entre EUA e China que envolva propriedade intelectual, patentes, tratado sobre tecnologia (notadamente 5G), e dúvidas sobre a capacidade de se avançar com a plataforma de reformas no Brasil conforme se aproximem as eleições municipais — haverá ao menos uma capa da Folha cravando, em definitivo, a morte das reformas no Brasil, com ameaças (muito provavelmente infundadas, ainda bem!) de demissão do ministro Paulo Guedes.
iii. Os grandes bancos serão os grandes perdedores do ano, no momento em que se perceber que seu lucro não vai crescer em 2020. Não à toa, o Itaú vai divulgar guidance também para 2021, quando tentará mostrar que o crescimento volta — difícil vai ser o mercado pagar isso de forma antecipada. Fintechs, empresas de consumo e até mesmo (quem sabe?) o Facebook serão a grande ameaça ao crédito dos bancos grandes. Dado o enorme peso do setor no índice, os fundos de ações, no geral, terão mais um ano de superação destacada sobre o benchmark. Banco do Brasil será a exceção e ainda conseguirá alta importante no ano, puxado por medidas robustas em prol de maior eficiência operacional e privatização de braços de negócios fora do core.
iv. Cielo terá seu capital fechado por um valor inferior aos preços de tela.
v. XP terminará o ano com valor de mercado superior a R$ 100 bilhões.
vi. Eletrobras será privatizada e suas ações dobrarão de preço.
vii. O S&P 500 superará a marca de 3.500 pontos, influenciado, principalmente, pela “nova política monetária”, em que há maior coordenação entre os bancos centrais e a política fiscal. Trump apela para uma espécie de “whatever it takes” de modo a evitar uma recessão nos EUA. O novo pacote fiscal, associado à redução da Fed Funds Rate, segue empurrando os ativos de risco.
viii. A eleição americana, apesar de trazer muita volatilidade a Wall Street, com várias correções superiores a 5% ao longo do ano, acaba sendo um driver positivo aos mercados. Risco e oportunidade são faces da mesma moeda. Warren e Sanders parecem extremistas demais para serem alçados à Casa Branca, enquanto Biden e Bloomberg não seriam ameaças reais a Wall Street. No final do dia também, a economia, em especial o mercado de trabalho, vai bem, com desemprego nas mínimas históricas, e isso pesa.
ix. O ouro alcançará a marca de US$ 1.800 por onça diante de nova flexibilização monetária e lançamentos de pacotes fiscais adicionais, além de ganhar apelo num mundo onde taxas de juro negativas continuam a viver aqui e ali.
x. Por mais de uma vez no ano, o dólar subirá além da marca de R$ 4,30, sob redução estrutural do diferencial de juros entre Brasil e exterior e diante dos aumentos súbitos do grau de aversão ao risco. No final, porém, serão saltos momentâneos e a moeda vai se acomodar em níveis ligeiramente superiores aos atuais.
Por que não há nenhuma surpresa projetada em relação ao governo Bolsonaro? Ora, porque as coisas devem seguir caminhando da mesma forma de 2019. O presidente continuará falando as besteiras de sempre, mas, felizmente, fazendo a coisa certa na economia. E isso é o que nos interessa.
Aos três leitores que notarão minha ausência nos próximos dias, adianto que estou indo conhecer o Mickey, mas volto logo. O redator sai do Brasil, mas o Brasil não sai do redator. Entre uma montanha-russa e outra, continuo conectado. Investidor não tira férias e a caixa de Pandora contém todos os males do mundo. Surpresa mesmo seria se não houvesse surpresa alguma em duas semanas.
Por que a Gerdau acertou mais uma vez ao segurar aquele caminhão de dividendos que todos estavam esperando
Um ano depois, a Gerdau continua ensinando os analistas sobre a gestão disciplinada de recursos que diferencia as boas empresas do mercado
Precisamos falar sobre indicadores antecedentes: Saiba como analisar os índices antes de investir
Com o avanço da tecnologia, cada vez mais fundos de investimentos estão utilizando esses indicadores em seus modelos — e talvez a correlação esteja caindo
Rodolfo Amstalden: Encaro quase como um hedge
Tenho pensado cada vez mais na importância de buscar atividades que proporcionem feedbacks rápidos e causais. Elas nos ajudam a preservar um bom grau de sanidade
Day trade na B3: Oportunidade de lucro de mais de 4% com ações da AES Brasil (AESB3); confira a recomendação
Identifiquei uma oportunidade de swing trade baseada na análise quant – compra dos papéis da AES Brasil (AESB3). Saiba os detalhes
Setembro em tons de vermelho: Confira todas as notícias que pesam nos mercados e impactam seus investimentos hoje
O mês de setembro começa com uma imensa mancha de tinta vermelha sobre a tela das bolsas mundiais, sentindo o peso do Fed, da inflação recorde na zona do euro e do lockdown em Chengdu
A febre dos NFTs passou, mas esta empresa está ganhando dinheiro com eles até hoje
Saiba quem foram os vendedores de pás da corrida do ouro dos NFTs e o que isso nos ensina para as próximas ondas especulativas
Balanço de agosto, o Orçamento de 2023 e outros destaques do dia
A alta de 6,16% do Ibovespa em agosto afastou o rótulo de “mês do desgosto”, mas ainda assim deixou um sabor amargo na boca. Isso porque depois de disparar mais de 10% ainda na primeira quinzena, impulsionado pela volta do forte fluxo de capital estrangeiro, as últimas duas semanas foram comandadas pela cautela. Uma dupla […]
Day trade na B3: Oportunidade de lucro acima de 4% com ações da Marcopolo (POMO4); confira a recomendação
Identifiquei uma oportunidade de swing trade baseada na análise quant – compra dos papéis da Marcopolo (POMO4). Saiba mais detalhes
Tente outra vez: basta desejar profundo para ver a bolsa subir? Confira tudo o que mexe com os seus investimentos hoje
Em queda desde a sexta-feira, as bolsas de valores estrangeiras começaram o dia em busca de recuperação singela. Por aqui, investidores procuram justificativas para descolar o Ibovespa de Wall Street
Commodities derrubam Ibovespa, Itaú BBA rebaixa a Petrobras (PETR4) e as mudanças na WEG (WEGE3); confira os destaques do dia
As últimas levas de notícias que chegam de todas as partes do mundo parecem ter jogado os investidores dentro de um labirinto de difícil resolução em que apenas a cautela pode ser utilizada como arma. O emaranhado de corredores a serem percorridos não só são longos, como também parecem estar sempre mudando de posição — […]
Gringos estão de olho no Ibovespa, mas investidor local parece sem apetite pela bolsa brasileira. Qual é a melhor estratégia?
É preciso ir contra o consenso para gerar retornos acima da média, mesmo que isso signifique correr o risco de estar errado
Entenda por que você não deve acompanhar só quem possui teses de investimento iguais às suas
Parte fundamental do estudo de uma ação é entender não só a cabeça de quem tem uma tese que vá em linha com a sua, mas também a de quem pensa o contrário
Day trade na B3: Oportunidade de lucro acima de 11% com ações da Santos Brasil (STBP3); confira a recomendação
Identifiquei uma oportunidade de swing trade baseada na análise quant – compra dos papéis da Santos Brasil (STBP3). Saiba os detalhes
Uma pausa para respirar: Confira todas as notícias que movimentam os mercados e impactam seus investimentos hoje
A saída da atual crise inflacionária norte-americana passa necessariamente por algum sacrifício. Hoje, porém, as bolsas fazem uma pausa para respirar
Aperte os cintos: o Fed praticamente acabou com as teses de crescimento, e o fim do bear market rally está aí
Saída da atual crise inflacionária passa por algum sacrifício. Afinal, estamos diante de um ciclo econômico clássico e será preciso esfriar o mercado de trabalho
Ibovespa se descola da gringa, Itaú entra na disputa das vendas virtuais e a estratégia de Bolsonaro para os debates; confira os destaques do dia
Em Wall Street, o alerta do Federal Reserve de que o aperto monetário pode ser mais intenso do que o esperado penalizou as bolsas lá fora
Complacência: Entenda por que é melhor investir em ativos de risco brasileiros do que em bolsa norte-americana
Uma das facetas da complacência é a tendência a evitar conflitos e valorizar uma postura pacifista, num momento de remilitarização do mundo, o que pode ser enaltecido agora
Day trade na B3: Oportunidade de lucro acima de 5% com ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3); confira a recomendação
Identifiquei uma oportunidade de swing trade baseada na análise quant – compra dos papéis do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3). Veja os detalhes
Mercados, debate presidencial e um resultado inesperado: Confira todas as notícias que mexem com os seus investimentos hoje
Com a percepção de que o Fed optará pelo combate à inflação a todos os custos, os últimos dias de agosto não devem trazer alívio para os mercados financeiros. O Ibovespa ainda repercute o primeiro debate entre presidenciáveis
Por que saber demais pode tornar você um péssimo chefe
Apesar de desenvolvermos uma compreensão mais sofisticada da realidade como adultos, tendemos a cair em armadilhas com muito mais frequência do que gostaríamos de admitir