🔴 ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES DE GRAÇA – ACESSE AQUI

Assassinato em Bagdá: como a tensão no Oriente Médio pode afetar os mercados

Desdobramentos do ataque dos EUA que matou general iraniano são imprevisíveis e podem mudar tudo, mas é bom repassar o que aconteceu em situações semelhantes no passado.

4 de janeiro de 2020
15:39
petróleo e dólares
Imagem: Shutterstock

No primeiro dia útil de 2019, numa de minhas newsletters Warm Up Pro, à qual dei o título de “O Ibovespa já fez a mínima de 2019”, acertei na mosca ao dizer que, naquela data, o Ibovespa fizera a menor marca do ano a 87.535,87 pontos.

Quinta-feira à noite, ao rascunhar a primeira versão desta crônica, que nomeei “Perspectivas 2020”, expliquei que não repetiria a dose este ano porque essas coisas só devem ser ditas uma vez na vida e outra no leito de morte, quando já não se pode mais ser cobrado em caso de erro. E prossegui no rascunho, com teor extremamente otimista em relação ao mercado acionário.

  • Oportunidade: Contrate o Ivan Sant’Anna como seu mentor de investimentos. Saiba mais aqui.

Já tinha enviado a minuta para a Inversa quando, conversando com meu filho Flavio, que mora em Belo Horizonte, ele me alertou que os Estados Unidos tinham atacado um alvo próximo ao aeroporto de Bagdá, matando, entre outras pessoas, o general Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, que visitava o país vizinho.

Isso pode mudar tudo, uma vez que os desdobramentos desse ataque são imprevisíveis. Mas uma coisa é certa. O evento é baixista (ou pelo menos não é altista) para as Bolsas e favorável ao dólar (contra todas as moedas, inclusive o real, é óbvio), bem como aos títulos do Tesouro americano, no fenômeno conhecido como fly to quality ("voo para a qualidade"). Os investidores se esquecem da rentabilidade e fogem para a segurança.

Evidentemente, é cedo para se antever um desfecho para a crise, mas acho bom repassar o que aconteceu em situações semelhantes no passado naquela região, que volta e meia se transforma em um barril de pólvora (com minhas desculpas pelo clichê).

Aliás, só para vender rapidamente o meu peixe, o comportamento do petróleo diante de conflitos internacionais está entre os assuntos mais abordados no livro que acabo de lançar pela Inversa: "30 lições de mercado".

Leia Também

Retroagindo no tempo, comecemos pelas guerras de Suez (1956), quando os Estados Unidos se puseram ao lado do Egito contra a França, Inglaterra e Israel (o presidente Eisenhower ficou puto porque não foi avisado da ofensiva), e dos Seis Dias (1967), oportunidade em que Israel derrotou em menos de uma semana os exércitos e as forças aéreas do Egito, da Líbia, da Jordânia e da Síria.

Como os dois conflitos duraram pouco, as consequências nos mercados foram pequenas. O mesmo não aconteceu por ocasião da guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, quando Israel foi atacado pelas Forças Armadas do Egito e da Síria e quase foi destruído, tendo sido salvo por ajuda americana, sob a forma de armamentos e munições, enviados às pressas por via aérea para a península do Sinai.

Embora o conflito do Yom Kippur tenha durado menos de um mês, seus desdobramentos mudaram a história econômica da humanidade, por causa do embargo do petróleo. Logo de saída, o preço do barril se elevou de três para 12 dólares e continuou subindo, nunca mais voltando para aqueles valores pré-guerra.

Em 11 de fevereiro de 1979, o xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, foi derrubado pela Revolução Islâmica liderada de Paris pelo aiatolá Khomeini. Jovens revolucionários invadiram a embaixada dos Estados Unidos em Teerã, tomando 52 norte-americanos como reféns.

Além de o incidente ter provocado o segundo choque do petróleo, a inabilidade, ou infelicidade, do presidente Jimmy Carter em lidar com a crise, culminou com uma tentativa fracassada de libertar os reféns (operação Eagle Claw – Garra da Águia).

O resultado foi a morte de quatro comandos americanos e ferimento em outros quatro, numa série de trapalhadas: colisão de helicópteros americanos num ponto de encontro no deserto.

O mercado de ações desabou com o insucesso militar, que custou também a reeleição de Carter.

Em 1980, julgando que as Forças Armadas do Irã estavam muito enfraquecidas por causa do expurgo de grande quantidade de oficiais superiores monarquistas perpetrado por Khomeini (da linha xiita do islamismo, como quase todos os iranianos), o líder iraquiano (de credo sunita) Saddam Hussein atacou o país vizinho. Se tivesse tido sucesso, o Iraque se tornaria o maior produtor mundial de petróleo.

A guerra durou nada menos do que oito anos, sem a vitória de nenhum dos dois lados. Durante esse tempo, para enfraquecer o Irã, ou simplesmente para manter o equilíbrio entre as duas partes (com desgaste de ambas), os Estados Unidos forneceram armas aos exércitos de Saddam. Só que forneceram demais. Agora precisavam minar essa força, que ameaçava Israel.

Em 1990, numa recepção em Bagdá, a embaixadora americana no Iraque, April Glaspie, seguindo instruções do Departamento de Estado, insinuou ao ditador que se ele invadisse o Kuwait (que vinha trapaceando no sistema de cotas da Opep), os Estados Unidos se limitariam a um protesto formal nas Nações Unidas.

Saddam caiu na arapuca. Suas tropas entraram no Kuwait em 2 de agosto daquele ano. No início do ano seguinte, levaram uma sova da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Antes disso, e durante cinco meses, o petróleo experimentou forte alta, saindo de US$ 10 para US$ 40. É verdade que só permaneceu nesse preço por alguns minutos no dia do primeiro, e bem-sucedido, bombardeio de Bagdá.

Mais tarde, após o 11 de setembro, George Bush promoveu a Segunda Guerra do Golfo, sob a alegação (que se provou falsa) de que o Iraque possuía armas de destruição em massa.

As consequências desses eventos no Oriente Médio são difíceis de prever. Mas é importante que o caro amigo leitor preste atenção ao comportamento da China, da Rússia, dos países europeus e da Arábia Saudita.

O certo é que o Irã é osso duro de roer. A morte de seu general mais importante pode unir o país, que andou meio dividido nos últimos tempos.

A melhor maneira de se saber se teremos uma crise prolongada, e até mesmo uma guerra, é observar o preço do barril de petróleo, sobre o qual o Oriente Médio já não tem a mesma influência de antes.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Drill, deal or die: o novo xadrez do petróleo sob o fogo cruzado das guerras e das tarifas de Trump

1 de abril de 2025 - 6:41

Promessa de Trump de detalhar um tarifaço a partir de amanhã ameaça bagunçar de vez o tabuleiro global

BULL & BRISKET MARKET

Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado

31 de março de 2025 - 18:50

Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq

CALENDÁRIO DE DIVULGAÇÕES

Agenda econômica: últimos balanços e dados dos Estados Unidos mobilizam o mercado esta semana

30 de março de 2025 - 16:39

No Brasil, ciclo de divulgação de balanços do 4T24 termina na segunda-feira; informações sobre o mercado de trabalho norte-americano estarão no foco dos analistas nos primeiros dias de abril.

MERCADOS HOJE

Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump

28 de março de 2025 - 14:15

Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA

28 de março de 2025 - 8:04

O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária

SEXTOU COM O RUY

Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação

28 de março de 2025 - 6:11

A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita

EFEITO COLATERAL

Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%

27 de março de 2025 - 16:38

O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje

CLASSE MÉDIA NA MIRA

Nova faixa do Minha Casa Minha Vida deve impulsionar construtoras no curto prazo — mas duas ações vão brilhar mais com o programa, diz Itaú BBA

27 de março de 2025 - 16:33

Apesar da faixa 4 trazer benefícios para as construtoras no curto prazo, o Itaú BBA também vê incertezas no horizonte

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo

27 de março de 2025 - 8:20

Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde

26 de março de 2025 - 19:58

Para o investidor brasileiro, o “buy the dip” não só sustenta uma razão própria como pode funcionar também como instrumento de diversificação, especialmente quando associado às tecnologias de ponta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump

26 de março de 2025 - 8:22

Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair

DESTAQUES DA BOLSA

É hora de comprar a líder do Ibovespa hoje: Vamos (VAMO3) dispara mais de 17% após dados do 4T24 e banco diz que ação está barata

25 de março de 2025 - 12:42

A companhia apresentou os primeiros resultados trimestrais após a cisão dos negócios de locação e concessionária e apresenta lucro acima das projeções

TÁ NA ATA

Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar

25 de março de 2025 - 12:10

Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Dedo no gatilho

24 de março de 2025 - 20:00

Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano

24 de março de 2025 - 8:05

Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias

PÍLULA DE VENENO

Sem OPA na Oncoclínicas (ONCO3): Empresa descarta necessidade de oferta pelas ações dos minoritários após reestruturação societária

23 de março de 2025 - 14:05

Minoritários pediram esclarecimentos sobre a falta de convocação de uma OPA após o Fundo Centaurus passar a deter uma fatia de 16,05% na empresa em novembro de 2024

COM GATILHO

Ação da Petz (PETZ3) acumula queda de mais de 7% na semana e prejuízo do 4T24 não ajuda. Vender o papel é a solução?

21 de março de 2025 - 18:27

De acordo com analistas, o grande foco agora é a fusão com a Cobasi, anunciada no ano passado e que pode ser um gatilho para as ações

PONTO DE VIRADA

Hora de comprar: o que faz a ação da Brava Energia (BRAV3) liderar os ganhos do Ibovespa mesmo após prejuízo no 4T24

21 de março de 2025 - 12:23

A empresa resultante da fusão entre a 3R Petroleum e a Enauta reverteu um lucro de R$ 498,3 milhões em perda de R$ 1,028 bilhão entre outubro e dezembro de 2024, mas bancos dizem que o melhor pode estar por vir este ano

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços

21 de março de 2025 - 8:21

Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção

SEXTOU COM O RUY

Deixou no chinelo: Selic está perto de 15%, mas essa carteira já rendeu mais em três meses

21 de março de 2025 - 5:42

Isso não quer dizer que você deveria vender todos os seus títulos de renda fixa para comprar bolsa neste momento, não se trata de tudo ou nada — é até saudável que você tenha as duas classes na carteira

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar