Bitcoin e dólar são os melhores investimentos de outubro; ativos de risco ficaram para trás de novo
Por pouco o Ibovespa não ficou entre os melhores investimentos do mês, mas segunda onda de coronavírus na Europa derrubou as bolsas; risco fiscal, eleições americanas e indefinição quanto a estímulos fiscais nos EUA também pesaram

Após um mês de setembro terrível para os investimentos, outubro até que não foi tão mau. Mas também era difícil ser pior que o mês passado. Os destaques positivos ficaram por conta do bitcoin, com uma alta da ordem de 30% no mês, e do dólar, que seguiu em alta perante o real.
Já na ponta negativa, tivemos os títulos públicos prefixados e atrelados à inflação de prazos mais longos, impactados pela continuidade da alta dos juros futuros de longo prazo; e os ativos de bolsa, como ações e fundos imobiliários.
Veja a seguir o ranking dos investimentos do mês:
Os melhores investimentos de outubro

Bitcoin na máxima do ano
Em outubro, o bitcoin atingiu a sua máxima do ano tanto em dólares quanto em reais. A cotação da criptomoeda termina o mês acima dos US$ 13 mil, o equivalente a cerca de R$ 78 mil.
A forte valorização do bitcoin em reais está fortemente ligada à desvalorização do real frente ao dólar, é bem verdade. Mas a alta da criptomoeda em dólares neste mês esteve muito relacionada aos avanços institucionais neste mercado, o que tende a valorizar os criptoativos.
Compras de investidores institucionais, sinal verde do banco central americano para a adoção das moedas digitais, sinalização do Banco Central Europeu de possibilidade de criação de uma moeda digital e o anúncio de que a plataforma de pagamentos Paypal passaria a oferecer a compra e venda de criptomoedas estiveram entre as notícias que indicam uma maior profissionalização e institucionalização do mercado de criptomoedas.
Leia Também
Mercados em compasso de espera
Por pouco o Ibovespa não ficou entre os melhores investimentos de outubro. O índice chegou a ultrapassar a marca psicológica dos 100 mil pontos na semana passada, mas acabou fechando o mês com leve perda, após um verdadeiro banho de sangue na última semana.
Esse vai-não-vai do índice praticamente resume a situação "em compasso de espera" em que se encontram os mercados financeiros atualmente.
No exterior, os investidores permaneceram na expectativa da aprovação de um novo pacote trilionário de estímulos fiscais nos Estados Unidos, dependente de um acordo entre democratas e republicanos.
Apesar de toda a "animação de torcida" por parte de membros do governo americano e da presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, o acordo não saiu. E já era de se esperar que não sairia antes das eleições presidenciais americanas, a serem realizadas no próximo dia 3 de novembro.
A expectativa em torno das eleições americanas, aliás, foi outro fator de incertezas, pois apesar de o candidato democrata Joe Biden ser o favorito, ainda não é possível cravar o resultado. Parte do desempenho ruim das bolsas nos últimos dias pode, inclusive, ser explicado por isso.
No cenário doméstico, os investidores se mantêm em compasso de espera em relação ao andamento de reformas e a indicações sobre como financiar o programa social Renda Cidadã, bem como o endereçamento do problema fiscal do país. O risco fiscal ainda pesa, mas parece que nada disso será muito bem definido até passarem as eleições municipais, no fim de novembro.
Por ora, em outubro, só tivemos mais algumas trocas de farpas políticas, que chegaram a fazer preço pontualmente.
Mas o grande fator que chegou arrasando os mercados na última semana foi a segunda onda de coronavírus na Europa. O forte avanço de casos no Velho Continente e também nos Estados Unidos - o que inclusive levou França e Alemanha a decretarem novos lockdowns - deixou os investidores temerosos de que a recuperação econômica dos países atingidos ficará prejudicada.
Juros longos continuaram em alta
No mercado de juros e renda fixa vimos uma situação um pouco mais calma do que no mês passado, com uma certa normalização nas taxas do Tesouro Selic (LFT) depois que o Tesouro fez um leilão com títulos de prazos mais curtos. Em outubro, o título público pós-fixado, o mais conservador do Tesouro Direto, conseguiu ver desempenho positivo.
Os títulos prefixados e atrelados à inflação, porém, continuaram em queda, sobretudo os de prazos mais longos, uma vez que os juros futuros continuaram em alta, com a deterioração do cenário fiscal.
A indefinição acerca de como o país vai equilibrar estímulos à economia, como renda mínima e investimentos, com a manutenção do teto de gastos ou alguma outra medida de responsabilidade fiscal em um cenário de crise ainda preocupa os investidores.
A inflação também preocupa. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, veio acima do teto das estimativas em outubro, a 0,94%, mostrando que a forte alta de preços vista nos preços de atacado já começam a contaminar os preços ao consumidor. Com isso, cresceu a expectativa de que o Banco Central talvez precise começar a elevar juros antes do esperado.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária do BC (Copom), a Selic foi mantida em 2% ao ano, conforme expectativa do mercado, e a instituição também manteve as suas projeções, insistindo que considera a pressão inflacionária pontual.
Isso até provocou um alívio na parte curta da curva de juros, mas não o suficiente para zerar as altas do mês. A parte longa, em compensação, subiu um pouco mais. Assim, os títulos prefixados e atrelados à inflação, que tendem a se desvalorizar quando os juros futuros sobem, acumularam perda mensal mais uma vez.
O risco fiscal também contribuiu para a valorização do dólar ante o real. A moeda americana fechou outubro a R$ 5,77 na cotação PTAX (calculada pelo Banco Central) e R$ 5,74 na cotação à vista. No momento de maior aversão a risco nesta semana, por causa da segunda onda de coronavírus na Europa, o dólar teria batido R$ 5,80, não fosse a atuação do BC.
Investidores reagiram aos balanços
Em outubro começou a temporada de divulgação de balanços corporativos do terceiro trimestre, que já mostram uma certa recuperação econômica após a reabertura das economias, passado o momento mais agudo da pandemia no Ocidente.
O desempenho das ações mais e menos valorizadas têm forte relação com a divulgação dos resultados. CSN, Weg, Santander e Localiza, por exemplo, apresentaram resultados fortes, enquanto as prévias operacionais da MRV animaram os investidores.
Já os resultados da Cielo, um dos piores desempenhos do mês (e do ano, com quase 60% de desvalorização) não animaram tanto assim. Confira a seguir as melhores e piores ações de outubro:

Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje
110% do CDI e liquidez imediata — Nubank lança nova Caixinha Turbo para todos os clientes, mas com algumas condições; veja quais
Nubank lança novo investimento acessível a todos os usuários e notificará clientes gradualmente sobre a novidade
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde
Para o investidor brasileiro, o “buy the dip” não só sustenta uma razão própria como pode funcionar também como instrumento de diversificação, especialmente quando associado às tecnologias de ponta
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Dólar atinge o menor patamar desde novembro de 2024: veja como buscar lucros com a oscilação da moeda
A recente queda do dólar pode abrir oportunidades estratégicas para investidores atentos; descubra uma forma inteligente de expor seu capital neste momento