Dólar sobe mais de 1% e fecha a R$ 4,58, mesmo após anúncio de atuação do BC; Ibovespa sobe
O mercado de câmbio segue estressado nesta quarta-feira (4), pressionado pela leitura de que o Copom sera forçado a cortar a Selic após o Fed baixar os juros nos EUA. O Ibovespa se recupera e sobe

O dólar à vista continua sem descanso. Mesmo após 10 sessões consecutivas em alta, a moeda americana seguiu pressionada nesta quarta-feira (3), atingindo o nível inédito de R$ 4,58. E nem o anúncio de uma atuação do Banco Central (BC) foi capaz de trazer alívio ao câmbio.
O dólar à vista passou quase o dia todo no campo positivo, fechando em alta de 1,55%, a R$ 4,5801 — na máxima, foi a R$ 4,5836 (+1,59%). É um novo recorde de encerramento em termos nominais e a primeira vez na história que a divisa ultrapassa a faixa de R$ 4,58.
O real, assim, destoou de seus pares: as demais divisas de países emergentes tiveram uma sessão tranquila, sem grandes oscilações em relação à moeda americana.
A nova onda de cautela ocorre num contexto de incerteza quanto ao futuro da Selic, em meio aos novos afrouxamentos monetários vistos no exterior. Os bancos centrais da Austrália e da Malásia já cortaram juros e, ontem, o Fed reduziu as taxas nos EUA de maneira extraordinária, em 0,5 ponto.
Tudo isso para blindar as economias locais dos eventuais impactos negativos do surto de coronavírus. No entanto, essa movimentação abrupta — principalmente por parte do Fed — não é unânime: há quem avalie que a postura é precipitada e apenas causa mais alarde em relação à doença.
De qualquer maneira, com o Fed abrindo a porta para mais um ciclo de corte de juros no mundo, o mercado agora aposta que o Copom irá seguir os passos da autoridade americana, dando continuidade aos ajustes negativos na Selic.
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E o comportamento dos DIs nesta quarta-feira comprova que o mercado já dá como certos os novos cortes na taxa básica de juros brasileira. As curvas de vencimentos mais curtos renovaram as mínimas históricas, e mesmo as mais longas também fecharam em baixa:
- Janeiro/2021: de 3,84% para 3,76%;
- Janeiro/2022: de 4,25% para 4,22%;
- Janeiro/2023: de 4,87% para 4,84%;
- Janeiro/2025: de 5,84% para 5,81%.
Num cenário de novas baixas na Selic, as pressões sobre o câmbio permanecem inalteradas, já que, caso o Copom acompanhe o Fed, o diferencial de juros em relação aos EUA permanecerá inalterado.
Assim, não houve espaço para um alívio no dólar — ainda mais se considerarmos que o coronavírus segue trazendo incertezas ao panorama global e que, no front doméstico, há ruídos no lado político.
Nesse contexto, nem mesmo o anúncio de um leilão extra de swap cambial pelo BC, na quinta-feira (5), serviu para aliviar as tensões. Logo após a divulgação dos planos, o dólar até perdeu parte da força, mas logo voltou a subir e renovar as máximas.
Ibovespa respira
Após uma grande turbulência na sessão passada, o Ibovespa tenta engatar uma recuperação hoje. Os resultados das prévias do partido Democrata nos EUA dão força às bolsas globais, neutralizando parte das incertezas ligadas ao coronavírus.
No mesmo horário, o Ibovespa subia 1,39%, aos 107.007,70 pontos — ao longo do dia, o índice já oscilou entre os 105.042,11 pontos (-0,47%) e os 107.808,91 pontos (+2,15%). Nos Estados Unidos, o Dow Jones (+3,52%), o S&P 500 (+3,09%) e o Nasdaq (+2,75%) avançam em bloco.
Há diversos fatores influenciando as decisões dos investidores nesta quarta-feira. Em primeiro plano, aparece o bom desempenho do ex-vice-presidente Joe Biden nas prévias do partido Democrata — ele saiu vitorioso em vários Estados e, com isso, ultrapassou o senador Bernie Sanders na corrida pela vaga à disputa pela presidência.
Biden é visto como mais moderado e amigável ao mercado, em contraste com Sanders, tido como mais radical. Assim, uma eventual indicação do ex-vice-presidente seria bem recebida pelos investidores — o representante democrata irá concorrer à presidência d país com o atual chefe da Casa Branca, o republicano Donald Trump.
O panorama eleitoral nos EUA serve para trazer algum alento às preocupações dos agentes financeiros quanto ao coronavírus e o rumo da economia mundial. A doença segue se espalhando num ritmo elevado na Itália e, do outro lado do Atlântico, crescem os números de mortos em terreno americano.
Escândalo
As ações ON do IRB (IRBR3) despencam 32,29% e, obviamente, têm o pior desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira, após o megainvestidor Warren Buffett desmentir publicamente a resseguradora e afirmar que não tem interesse em investir na empresa.
Há alguns dias, em meio ao imbróglio entre a gestora Squadra e a companhia, surgiram rumores de que a Berkshire Hathaway, conglomerado de investimentos de Buffett, havia aumentado sua participação no IRB — informação que teria sido confirmada pela própria empresa, em conferência com analistas.
Tais notícias deram um impulso às ações do IRB, mas, com a negativa do bilionário e a consequente perda de credibilidade por parte do mercado em relação à gestão da companhia, os papéis hoje desabam.
- Veja abaixo o comentário do Vinicius Pinheiro a respeito do vexame protagonizado pelo IRB:
Top 5
Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa:
- Klabin units (KLBN11): +5,43%
- Tim ON (TIMP3): +4,80%
- Ambev ON (ABEV3): +4,75%
- Suzano ON (SUZB3): +4,66%
- Metalúrgica Gerdau PN (GOAU4): +4,65%
Confira também as maiores baixas do índice:
- IRB ON (IRBR3): -32,29%
- Qualicorp ON (QUAL3): -4,74%
- CVC ON (CVCB3): -1,73%
- NotreDame Intermédica ON (GNDI3): -1,63%
- Santander Brasil units (SANB11): -1,58%
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