Fed surpreende e corta juros, mas mercados seguem tensos com o coronavírus; Ibovespa cai e dólar sobe
O Federal reserve (Fed, o banco central americano) promoveu um corte extraordinário de juros no país para combater os impactos econômicos do coronavírus. Mas, após o entusiasmo inicial, os mercados agora temem que a situação do surto da doença seja pior que a imaginada

A sessão desta terça-feira (3) parecia encaminhada: o Ibovespa e as bolsas americanas operavam em queda, num movimento de correção após os fortes ganhos do pregão passado. Mas, um gesto surpresa do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) causou uma reviravolta nos mercados.
No fim da manhã, o Fed anunciou um corte extraordinário de 0,5 ponto nas taxas de juros do país, para a faixa de 1% a 1,25% ao ano — um ajuste intenso e fora do cronograma da instituição, já que a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, uma espécie de Copom do país) ocorrerá apenas no dia 18.
A medida ocorre em resposta aos riscos que o surto de coronavírus trazem à economia global. Desde ontem, diversas autoridades monetárias já anunciaram cortes nos juros ou pacotes de estímulo, de modo a frear os impactos da doença.
E, por mais que os mercados estivessem esperando uma ação semelhante do Fed, poucos apostavam num corte extraordinário — ainda mais de 0,5 ponto.
A ação da autoridade monetária dos EUA desencadeou uma reação intensa nos mercados financeiros globais. O Ibovespa, que operava em queda durante a manhã, ganhou força e chegou a subir 2,04% na máxima, tocando os 108.803,58 pontos; os índices americanos tiveram comportamento semelhante.
Mas essa injeção de otimismo durou pouco. Já nos minutos seguintes à euforia, uma segunda leitura do movimento do Fed começou a ganhar força: a de que, talvez, a situação do coronavírus seja mais grave do que se imagina — o que forçou o BC americano a tomar uma atitude que não era vista desde a crise de 2008.
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Assim, por volta de 15h30, as bolsas já haviam voltado ao vermelho: o Ibovespa caía 0,45%, aos 106.145,16 pontos; nos Estados Unidos, o Dow Jones (-2,50%), o S&P 500 (-2,01%) e o Nasdaq (-2,14%) tinham perdas expressivas.
A reação também foi intensa no mercado de câmbio: o dólar à vista amanheceu em alta, virou para queda após a decisão do Fed — na mínima, foi aos R$ 4,4535 (-0,75%) — e, agora, sobe 0,25%, a R$ 4,4984.
No mercado de juros, os investidores aumentaram ainda mais as apostas num corte da Selic pelo Banco Central, acompanhando a tendência mundial. Os DIs, que operavam em alta, agora caem ainda mais, dando continuidade ao movimento de ontem:
- Janeiro/2021: de 3,96% para 3,86%;
- Janeiro/2022: de 4,36% para 4,24%;
- Janeiro/2023: de 4,97% para 4,86%;
- Janeiro/2025: de 5,90% para 5,78%.
Balanços em foco
No lado corporativo, a temporada de balanços do quarto trimestre continua em destaque. BRF ON (BRFS3) cai 3,51%, mesmo após a companhia fechar 2019 com um lucro líquido de R$ 1,2 bilhão — é a primeira vez desde 2015 que a empresa fecha um ano no azul.
Já MRV ON (MRVE3) cai 3,78% depois de reportar ganhos de R$ 690 milhões em 2019, cifra estável em relação ao ano anterior — ambas estão entre as maiores perdas do Ibovespa nesta terça-feira.
Top 5
Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa hoje:
- Hypera ON (HYPE3): +4,88%
- B2W ON (BTOW3): +4,86%
- Qualicorp ON (QUAL3): +4,59%
- Cyrela ON (CYRE3): +2,94%
- Weg ON (WEGE3): +2,70%
Confira também as maiores baixas do índice no momento:
- MRV ON (MRVE3): -4,45%
- BRF ON (BRFS3): -4,40%
- IRB ON (IRBR3): -4,18%
- BTG Pactual units (BPAC11): -3,29%
- Santander Brasil units (SANB11): -2,54%
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