Nova estratégia do Fed anula pressão negativa sobre a bolsa, que fecha estável, e faz o dólar cair
Presidente do Fed anunciou hoje uma importante mudança na estratégia de política monetária do banco central norte-americano

O buraco é um pouco mais pra cima – se estivermos tratando de ativos de risco – ou pra baixo – se o tema for a perspectiva de recuperação econômica em tempos de pandemia. Foi essa lógica do “novo normal” que prevaleceu nos mercados financeiros nesta quinta-feira depois do discurso proferido pelo presidente do Federal Reserve Bank (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell.
Ele participou da versão virtual do tradicional simpósio de política econômica de banqueiros centrais em Jackson Hole – nome que só funciona em inglês para a bucólica localidade situada nas montanhas de Wyoming, Estados Unidos.
Em seu discurso, Jerome Powell anunciou uma importante mudança na condução da política monetária do Fed. A partir de agora, segundo ele, a estratégia da autoridade monetária norte-americana será pautada por uma taxa de inflação média. Isto significa que o Fed não vai subir os juros apenas com base na previsão de que a inflação vá acelerar, mas vai esperar para ver sinais de que a inflação, na média, encontra-se dentro da meta de 2% ao ano.
Com essa maior tolerância a possíveis pressões inflacionárias, a expectativa é de que os juros básicos nos EUA permaneçam próximos de zero por um período ainda mais prolongado.
Ao mesmo tempo em que a mudança de postura sugere uma recuperação mais lenta que a esperada da economia, ela garante a manutenção da atual abundância de liquidez nos mercados financeiros, levando os investidores a buscarem retorno em ativos mais arriscados.
Não à toa, o comentário de Powell intensificou a queda generalizada do dólar ante outras moedas, sustentou a alta do índice Dow Jones, o novo recorde de fechamento do S&P-500. Na B3, a nova postura do Fed neutralizou o impacto negativo da tensão política no cenário local.
Leia Também
Volatilidade deu o tom dos negócios na B3
O fechamento estável do Ibovespa e a queda do dólar, no entanto, não ocorreram sem sustos. A volatilidade foi intensa ao longo de toda a sessão. A bolsa passou boa parte do pregão em queda a partir do início da tarde. O recuo do dólar afetou principalmente as ações de empresas exportadoras. Quando voltou a subir, o Ibovespa não chegou a recuperar o fôlego do início da sessão e acabou fechando estável, a 100.623,64 pontos.
Confira a seguir quais foram as maiores altas e as maiores quedas do dia entre os papéis listados no Ibovespa.
MAIORES ALTAS
- Gol PN (GOLL4) +4,27%
- Azul PN (AZUL4) +3,61%
- BTG Pactual Unit (BPAC11) +2,64%
- CSN ON (CSNA3) +2,33%
- Bradesco ON (BBDC3) +2,09%
MAIORES BAIXAS
- Yduqs ON (YDUQ3) -7,48%
- BR Distribuidora ON (BRDT3) -3,27%
- Minerva ON (BEEF3) -2,51%
- Eco Rodovias ON (ECOR3) -2,46%
- CCR ON (CCRO3) -2,41%
A nova postura do Fed acabou impedindo que prevalecessem os temores relacionados com o cenário fiscal brasileiro. O foco dos investidores locais dividiu-se entre a fala de Powell e o prazo dado pelo presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Economia, Paulo Guedes, para que entregue uma nova proposta referente ao programa Renda Brasil.
Ontem, em mais um episódio de fritura pública do ministro pelo presidente, a rejeição do formato proposto por Guedes para financiar o Renda Brasil fez a bolsa cair forte. Bolsonaro pediu a Guedes que apresente uma nova proposta até amanhã.
Ainda assim, a expectativa dos analistas de mercado é que, apesar de toda a turbulência em torno do programa Renda Brasil, o ministro de Economia, Paulo Guedes, chegará a uma proposta capaz de agradar o presidente Jair Bolsonaro sem comprometer o teto de gastos e a disciplina fiscal.
"Seguimos em um ambiente desafiador para o Brasil", adverte Dan Kawa, sócio-gestor da TAG Investimentos. "Se o caminho das reformas e da estabilidade fiscal não for retomado, poderemos entrar em uma espiral negativa que será muito difícil de ser revertida", prossegue ele.
Dólar e juro
O dólar, por sua vez, voltou a cair com mais vigor em relação ao real nesta quinta-feira, mas também passou por volatilidade nesta quinta-feira.
A taxa de câmbio registrou uma alta pontual na parte da manhã, mas logo retomou a trajetória descendente até fechar em queda de 0,66%, cotada a R$ 5,5773.
O movimento de queda da moeda norte-americana foi sustentado pela fala de Powell, que desencadeou uma onda de apetite por risco que conduziu à desvalorização generalizada do dólar em relação a outras moedas.
Os contratos de juros futuros também reagiram em queda ao discurso de Powell, mas pouco depois os temores com o cenário fiscal passaram a pesar e os juros voltaram a subir, especialmente nos vencimentos mais curtos, levando a um discreto achatamento da curva a termo.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2022: de 2,830% para 2,870%;
- Janeiro/2023: de 4,070% para 4,110%;
- Janeiro/2025: de 5,960% para 5,980%;
- Janeiro/2027: de 6,970% para 6,960%.
O combo do mal: dólar dispara mais de 3% com guerra comercial e juros nos EUA no radar
Investidores correm para ativos considerados mais seguros e recaculam as apostas de corte de juros nos EUA neste ano
Mark Zuckerberg e Elon Musk no vermelho: Os bilionários que mais perdem com as novas tarifas de Trump
Só no último pregão, os 10 homens mais ricos do mundo perderam, juntos, em torno de US$ 74,1 bilhões em patrimônio, de acordo com a Bloomberg
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como