Tensão entre EUA e Irã mexe com os mercados e faz o Ibovespa cair 0,7%; dólar sobe a R$ 4,06
A escalada nos atritos entre americanos e iranianos trouxe cautela aos mercados e fez o Ibovespa engatar a segunda baixa consecutiva, retornando ao nível de 116 mil pontos

Redes sociais, canais de TV, bancas de jornal, mesas de restaurante, não importa: o assunto do momento é a escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã. E é claro que os mercados também repercutiram o novo foco de tensão, trazendo uma nova rodada de baixas ao Ibovespa nesta segunda-feira (6).
O principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em queda de 0,70%, aos 116.877,92pontos — é o segundo pregão consecutivo de perdas para o Ibovespa. O dólar à vista também foi pressionado: a moeda americana fechou em alta de 0,18%, a R$ 4,0629.
O mercado acionário do Brasil, assim, ficou em linha com o resto do mundo: na Ásia, as principais bolsas tiveram quedas firmes, impactadas pelas incertezas no Oriente Médio; na Europa, o tom foi igualmente negativo, com quase todas as bolsas encerrando no vermelho.
A exceção foi o mercado americano: após abrirem em baixa, o Dow Jones (+0,24%), o S&P 500 (+0,35%) e o Nasdaq (+0,56%) ganharam força e terminaram a sessão em alta, impulsionados pela divulgação de dados econômicos favoráveis ainda durante a manhã.
Mas, apesar desse otimismo visto em Nova York, fato é que os agentes financeiros acompanharam de perto os desdobramentos dos atritos entre americanos e iranianos, temendo qualquer ação mais enfática por qualquer uma das partes.
Cautela
A tensão entre os países chegou ao ápice na semana passada, após uma ação militar dos Estados Unidos culminar na morte de Qassim Suleimani, principal liderança do exército do Irã. Desde então, o clima é cada vez mais pesado no Oriente Médio.
Leia Também
Embora nenhuma ação concreta tenha sido tomada nesta segunda-feira, declarações via redes sociais contribuíram para aumentar ainda mais a cautela dos mercados. A começar pelo presidente americano, Donald Trump, que usou o Twitter para fazer novas provocações ao Irã:
"O Irã nunca terá armas nucleares", escreveu Trump, referindo-se à decisão do governo de Teerã de retirar-se do acordo nuclear — o que, na prática, permite que os iranianos voltem a enriquecer urânio, matéria-prima para esse tipo de armamento.
Mais tarde, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, também usou o Twitter para responder o republicano:
"Nunca ameace a nação iraniana", escreveu o presidente do país.
Em meio à troca de farpas e ao clima belicoso que toma conta do Oriente Médio, os agentes financeiros preferiram adotar uma postura mais defensiva, vendendo ações e comprando dólares. Além disso, o petróleo voltou a subir, dando continuidade ao movimento dos últimos dias.
O Brent com vencimento em março terminou a sessão com ganho de 0,45%, enquanto o WTI para fevereiro subiu 0,35% — é o terceiro pregão consecutivo de alta dos contratos.
Otimismo nos EUA
Dito tudo isso: por que as bolsas dos EUA fecharam em alta, destoando do resto do mundo?
A resposta está na agenda econômica do país: mais cedo, foi reportado um avanço no índice de gerentes de compras (PMI) do país, passando de 52 em novembro para 52,7 em dezembro — o indicador engloba os setores de indústria e serviços.
O PMI, assim, dá continuidade à percepção de que a economia dos EUA está ganhando força, afastando os temores de uma eventual recessão gerada pela guerra comercial com a China — fator que foi suficiente para compensar as preocupações referentes aos atritos com o Irã.
Petrobras se recupera
A valorização do petróleo acabou beneficiando as ações da Petrobras: os papéis PN (PETR4) subiram 1,18%, enquanto os ONs (PETR3) avançaram 3,25% — na sessão passada, as ações da estatal fecharam nas mínimas.
Mas, apesar da menor pressão vista nesta segunda-feira, a Petrobras continuou sendo acompanhada de perto pelos investidores, que temem pelo futuro da política de preços da companhia num cenário de disparada do petróleo.
O presidente Jair Bolsonaro declarou estar atento à movimentação da commodity e deu a entender que será necessário adotar algum mecanismo para compensar uma eventual alta nos preços dos combustíveis — uma fala que não foi bem recebida pelos mercados.
Assim, o mercado aguarda manifestações oficiais por parte da Petrobras quanto à política de preços num possível ambiente de alta da cotação do petróleo.
Juros em alta
A possibilidade de elevação no preço dos combustíveis, somada à leve alta no dólar e ao ambiente mais cauteloso visto nos mercados globais, desencadeou movimentos de ajuste positivo nas curvas de juros. Veja abaixo como ficaram os principais DIs nesta segunda-feira:
- Janeiro/2021: de 4,51% para 4,52%;
- Janeiro/2023: de 5,78% para 5,82%;
- Janeiro/2025: de 6,42% para 6,47%;
- Janeiro/2027: de 6,75% para 6,79%.
BR Distribuidora e aéreas caem
BR Distribuidora ON (BRDT3) recuou 5,01% e teve o pior desempenho do Ibovespa, em meio às notícias de que a Petrobras pretende vender toda a sua participação na empresa ainda no primeiro trimestre de 2020.
Quem também fechou em queda foram as ações de companhias aéreas: Gol PN (GOLL4) teve baixa de 4,60% e Azul PN (AZUL4) teve perda de 3,10% — a alta do petróleo implica em maiores gastos com combustível de aviação.
Você pode ler mais sobre os destaques do pregão desta segunda-feira nesta matéria. Confira abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa hoje:
- Braskem PNA (BRKM5): +5,20%
- Qualicorp ON (QUAL3): +4,10%
- Petrobras ON (PETR3): +3,25%
- Fleury ON (FLRY3): +2,96%
- Yduqs ON (YDUQ3): +1,92%
Veja também as cinco maiores quedas do índice:
- BR Distribuidora ON (BRDT3): -5,01%
- Gol PN (GOLL4): -4,60%
- Carrefour Brasil ON (CRFB3): -4,36%
- NotreDame Intermédica ON (GNDI3): -4,12%
- Smiles ON (SMLS3): -3,27%
A pressão vem de todos os lados: Trump ordena corte de juros, Powell responde e bolsas seguem ladeira abaixo
O presidente do banco central norte-americano enfrenta o republicano e manda recado aos investidores, mas sangria nas bolsas mundo afora continua e dólar dispara
O combo do mal: dólar dispara mais de 3% com guerra comercial e juros nos EUA no radar
Investidores correm para ativos considerados mais seguros e recaculam as apostas de corte de juros nos EUA neste ano
Mark Zuckerberg e Elon Musk no vermelho: Os bilionários que mais perdem com as novas tarifas de Trump
Só no último pregão, os 10 homens mais ricos do mundo perderam, juntos, em torno de US$ 74,1 bilhões em patrimônio, de acordo com a Bloomberg
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
O ativo que Luis Stuhlberger gosta em meio às tensões globais e à perda de popularidade de Lula — e que está mais barato que a bolsa
Para o gestor do fundo Verde, Brasil não aguenta mais quatro anos de PT sem haver uma “argentinização”
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA