Ibovespa fecha em queda com realização de lucros apesar de forte alta em Wall Street e na Europa
Bolsa brasileira mais uma vez seguiu na direção oposta de outros mercados de ações com os investidores locais aproveitando para embolsar a forte alta da véspera

Muito se tem falado, em meio à pandemia do novo coronavírus, nas mudanças dos parâmetros sobre o que é ou será considerado normal a partir de agora. É possível que nem mesmo os mercados financeiros acabem alheios ao estabelecimento desses 'novos normais'.
Historicamente, as bolsas de valores de países emergentes tendem a seguir os movimentos registrados nos principais centros financeiros do mundo. No caso brasileiro, até pelas coincidências de horário de funcionamento, o principal termômetro é Wall Street.
Nos últimos meses, porém, tem sido cada vez mais comum o índice Ibovespa descolar-se dos movimentos externos e estabelecer uma dinâmica própria.
É fato que muito disto se deve à saída em massa de investidores estrangeiros e à adesão cada vez maior de ‘CPFs’ em busca de maior rentabilidade em um momento no qual está cada vez mais complicado obter retorno como ocorria antigamente na renda fixa, mas este é assunto para outra pauta.
Hoje, em mais um pregão de alta robusta nas bolsas de valores da Europa e dos Estados Unidos (os índices Nasdaq e S&P-500, de novo, registraram novos níveis recordes de fechamento), o Ibovespa fechou em queda de 0,25%, aos 101.911,13 pontos, em dia de realização de lucros.
O Ibovespa até abriu em alta nesta quarta-feira, mas passou a cair ainda na primeira hora de sessão em um movimento interpretado por analistas como uma realização de lucros depois do forte avanço registrado ontem. Nos piores momentos da sessão, o mercado brasileiro de ações chegou a cair mais de 1% e perdeu o piso dos 101 mil pontos, mas os papéis se recuperaram um pouco no fim do pregão.
Leia Também
A realização de lucros afetou principalmente as ações da Vale e de empresas do setor de siderurgia, todas com grande peso no índice.
No mundo dos IPOs, Pague Menos e Lavvi viveram situações diametralmente opostas em suas respectivas estreias na B3. Enquanto os papéis da rede de farmácias dispararam, as ações da construtora de imóveis de alto padrão despencaram na sessão de hoje.
Confira a seguir as maiores altas e quedas do dia entre os componentes do Ibovespa.
MAIORES ALTAS
- Fleury ON (FLRY3) +6,61%
- Totvs ON (TOTS3) + 3,47%
- Hypera ON (HYPE3) +3,42%
- Eletrobras ON (ELET3) +3,40%
- BRF ON (BRFS3) +2,87%
MAIORES BAIXAS
- Suzano ON (SUZB3) -4,13%
- Cosan ON (CSAN3) -3,16%
- Klabin Unit (KLBN11) -2,68%
- B2W Digital ON (BTOW3) -2,30%
- Rumo ON (RAIL3) -2,12%
Investidores seguem otimistas
Apesar da guinada no rumo dos negócios hoje, os agentes do mercado financeiro continuam otimistas com o andamento da agenda de reformas pelo governo brasileiro.
Na noite de ontem, a Câmara dos Deputados aprovou a chamada Lei do Gás. O governo acredita que a medida pode destravar investimentos de até R$ 43 bilhões e contribuir para a reindustrialização do momento.
Com a aprovação e a reforma administrativa no horizonte, a percepção de uma melhora no cenário político e no risco fiscal parece predominar entre os investidores brasileiros.
No exterior, o destaque ficou por conta da divulgação do Livro Bege do Federal Reserve Bank (o banco central norte-americano). O documento destacou que a atividade econômica norte-americana segue em nível bem inferior ao de antes da pandemia e que os avanços registrados foram modestos.
Dólar e juro
O dólar manteve nesta quarta-feira o recente movimento de queda observado em relação ao real. Os investidores reagiram inicialmente aos dados aquém das expectativas contidos no relatório ADP sobre a situação do emprego no setor privado norte-americano.
Outro fator a manter a valorização do real ante o dólar na sessão de hoje foi a promessa feita ontem pelo presidente Jair Bolsonaro de entregar amanhã ao Congresso uma proposta de reforma administrativa.
Com isso, a moeda norte-americana encerrou o dia em queda de 0,51%, cotada a R$ 5,3575.
Já os contratos de juros futuros apresentaram intensa volatilidade durante a sessão desta quarta-feira. Eles abriram em alta, passaram a cair acompanhando o dólar depois da divulgação do ADP e voltaram a subir no fim da sessão, com os investidores se antecipando ao leilão de títulos prefixados marcado para amanhã.
Comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre o pouco espaço para futuros cortes na taxa Selic pressionaram especialmente os trechos curto e intermediário da curva a termo.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2022: de 2,790% para 2,830%;
- Janeiro/2023: de 3,960% para 4,010%;
- Janeiro/2025: de 5,770% para 5,820%;
- Janeiro/2027: de 6,740% para 6,790%.
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%