Ibovespa perde ímpeto sem NY, mas consegue fechar em leve alta aos 110 mil pontos
Índice acionário estendeu sequência de altas em sessão de marasmo por liquidez reduzida. Embate entre Guedes e Campos Neto realça questão fiscal, mas juros recuam com leilão do Tesouro

O Ibovespa subiu — de novo! —, embora a um ritmo bem menos entusiasmante.
O índice terminou a quinta-feira (26) com uma pequenina variação (abaixo de 0,1%). O desempenho, marginalmente positivo, estendeu a sequência de altas para quatro.
Em um cenário de liquidez baixa (o Ibovespa registrou giro financeiro de R$ 19,7 bilhões) em razão das bolsas de valores fechadas nos Estados Unidos, tendo diminuído as perdas vistas mais cedo a partir das 14h20, o principal índice acionário da B3 encerrou o dia em alta de 0,09%, cotado aos 110.230 pontos — em 18 sessões em novembro, terminou 14 delas no azul.
Foi exatamente por volta desse horário que o índice passou a seguir a redução das perdas e posterior virada das ações da Vale, cujos papéis têm 12% de participação na composição da carteira do Ibovespa.
Vale ON foi a ação mais negociada hoje, movimentando um volume financeiro de R$ 1,2 bilhão, e terminou o dia em alta de 1,1%, em meio ao avanço de 0,8% do minério de ferro da China.
O comportamento do principal índice acionário do Ibovespa refletiu, também, o receio dos investidores em continuarem com o ímpeto comprador após ganhos expressivos visto em novembro — no mês, o índice sobe 17%.
Leia Também
Nesse ambiente com menos recursos disponíveis e uma situação fiscal já delicada, os agentes financeiros também monitoraram um novo ruído político no seio da equipe econômica do governo federal.
Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a gestão Jair Bolsonaro "manteve o rumo mesmo no caos". A declaração do ministro tinha o intuito de rebater críticas segundo as quais há uma falta de estratégia para garantir a sustentabilidade da dívida pública.
Até aí, tudo bem. Mas Guedes foi além: dirigiu-se ao presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, em uma fala que, à primeira impressão, pareceu uma resposta de dureza e irritação.
"O presidente Campos Neto sabe qual é o plano. Se ele tiver um plano melhor, peça a ele qual é o plano dele", afirmou Guedes, questionado sobre o que havia afirmado o chefe do BC. "Pergunte a ele qual é o plano dele que vai recuperar a credibilidade. Porque o plano nós sabemos qual é. O plano nós já temos."
Guedes se referia a uma declaração de Campos Neto, que afirmou que o ponto-chave para o país "conquistar credibilidade com um plano que dê uma clara percepção aos investidores de que o país está preocupado com a trajetória da dívida".
O desencontro entre as frases e a frustração do ministro não são bons indicadores de como andam as coisas no núcleo da equipe econômica.
À tarde, Bruno Funchal, secretário do Tesouro, tratou de acalmar a situação, dizendo que não há divergência entre o Ministério da Economia e o Banco Central, dizendo ter certeza que o objetivo da autoridade monetária é “totalmente alinhado” com o da pasta.
"Todos fazem parte do mesmo governo", afirmou Funchal.
"Hoje, teve liquidez baixa em face do feriado lá fora e um movimento de realização de lucros", diz Igor Cavaca, analista da Warren. "Outra coisa foi a sinalização de BC e Fazenda, que tiveram discursos divergentes ontem e hoje, mas, pelo Funchal, foi sinalizado que têm uma busca semelhante."
Quem sobe, quem desce
O Ibovespa fechou perto das máximas com a recuperação da Vale e, também, a alta de Magazine Luiza ON, em um movimento de rotação setorial que beneficiou o setor de e-commerce. Ações de educação também foram beneficiadas — Cogna fechou entre as principais altas, enquanto Yduqs ON avançou 2,15%.
Papel altamente descontado (-36%), Azul PN disparou 3,6%, com a notícia de que a empresa aérea retomará suas operações no Galeão a partir do dia 1º de janeiro.
O destino será Campinas, principal centro de conexões da empresa no Brasil, e usará a aeronave Embraer E195 E1, com capacidade para até 118 clientes.
As ações da Suzano, por sua vez, lideram a alta percentual do índice refletindo a queda mensal nos estoques de celulose nos portos da Europa em outubro — a notícia também afeta as ações da Klabin, que dispararam 2,8%. Veja as cinco maiores altas do Ibovespa:
CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
SUZB3 | Suzano ON | 53,40 | 5,68% |
CSNA3 | CSN ON | 24,25 | 4,53% |
COGN3 | Cogna ON | 5,09 | 4,30% |
USIM5 | Usiminas PNA | 13,90 | 4,04% |
PRIO3 | PetroRio ON | 50,48 | 5,17% |
Os destaques de queda do índice hoje vão para as ações da Petrobras. Os papéis da gigante estatal reagiram ao petróleo em baixa no mercado internacional e recuaram no mínimo 1,5% (caso de Petrobras ON).
Ações de bancos também foram penalizadas na sessão de hoje após a alta semanal, o que indica uma migração de ações das "empresas de valor" para "empresas de crescimento".
Entre os grandes bancos, apenas as units do Santander SANB11 terminaram em terreno positivo. Confira as principais quedas do índice:
CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
GNDI3 | Intermédica ON | 70,48 | -2,58% |
ITUB4 | Itaú Unibanco PN | 28,74 | -2,11% |
PCAR3 | GPA ON | 69,00 | -2,06% |
HAPV3 | Hapvida ON | 14,25 | -1,86% |
BBDC3 | Bradesco ON | 22,18 | -1,73% |
Dólar para cima, juros para baixo
O dólar, que abriu em alta, passou a cair por volta das 11h30, fechou a sessão apontando para cima, avançando 0,3%, cotado a R$ 5,3352, em um movimento de realização em meio à baixa liquidez no mercado de câmbio.
A moeda operou em terreno negativo a maior parte da sessão, refletindo a continuidade de entrada de fluxos de moeda estrangeira que faziam o real destoar de seus pares emergentes, que perdiam frente ao dólar.
No fim da sessão o dólar virou mais uma vez, com investidores aproveitando para realizar alguns lucros após a queda de 7% neste mês.
Os juros futuros dos contratos de depósitos interbancários por sua vez fecharam em queda, tendo passado a operar em baixa consolidada principalmente após a venda integral dos lotes de títulos ofertados pelo Tesouro, indício de outro leilão bem sucedido.
A instituição concentrou a oferta em vencimentos de prazo menor —vendeu 32 milhões de LTNs (Letras do Tesouro Nacional), títulos prefixados curtos, sendo que 25 milhões desses foram para vencimentos em outubro de 2021 —, trazendo mais alívio às taxas.
Também foram vendidos 1,8 milhão de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional Série F), prefixados longos, além de 500 mil LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), títulos pós-fixados atrelados à variação taxa básica de juros, a Selic.
O desempenho ocorre mesmo em meio ao pano de fundo de condições fiscais crescentemente desafiadoras, indicando que o desconforto dos investidores com as falas de Guedes e Campos Neto não se sustentou a ponto de pressionar as taxas. O movimento de queda se viu, inclusive, em juros de vencimentos mais longos, como o de janeiro/2025.
"Acho que a maior prova que é só espuma entre Guedes e Campos Neto é o comportamento dos juros hoje. Se tivesse receio dos investidores, os juros estariam abrindo, não fechando", diz Patricia Pereira, gestora de renda fixa da MAG Investimentos. "Acho que ninguém entende que tem 'fogo amigo' na equipe econômica, o risco é vem da política."
Outro dado importante divulgado hoje foi o recorde de vagas formais de trabalho criadas no mês de outubro. O mercado de trabalho registrou a abertura de 394.989 vagas em outubro, de acordo com Caged, superando as projeções.
Campos Neto disse em entrevista ao canal MyNews veiculada pela manhã de hoje que a inflação de longo prazo não está subindo. Ele também afirmou que havia sido feito o aviso de que o "gasto grande na pandemia iria pressionar a rolagem da dívida".
Veja as taxas dos principais vencimentos:
- Janeiro/2021: de 1,932% para 1,937%
- Janeiro/2022: de 3,34% para 3,31%
- Janeiro/2023: de 5,12% para 5,01%
- Janeiro/2025: de 6,94% para 6,82%
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump