Cenário externo está mais conturbado, mas estamos tranquilos, diz Roberto Campos Neto
Presidente do BC avalia que liquidez no mundo permanecerá elevada. Campos Neto também falou da reforma do setor financeiro e que home equity tem potencial de R$ 500 bilhões

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avalia que o quadro externo está mais conturbado agora, mas que “estamos tranquilos”, e que é necessário olhar o cenário de mais longo prazo.
A fala do presidente aconteceu na manhã desta terça-feira em evento promovido pelo “Correio Braziliense” e marca a primeira manifestação do BC depois do aumento das tensões entre Estados Unidos e China. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), também divulgada nesta manhã, o BC falava em “cenário externo benigno”.
Campos Neto, destacou a revisão para baixo do crescimento mundial e disse que se esperava, em um primeiro momento, um aumento da inflação em função da guerra comercial. Algo que não aconteceu.
Para o presidente, persiste um cenário de elevada liquidez mundial e os juros globais devem seguir em patamares baixos por maior tempo. Há dúvida se os BCs dispõem de ferramentas para lidar com um cenário de PIB e inflações menores.
Campos Neto também lembrou que passamos por crises recentes sem precisar subir os juros e que podemos navegar com segurança o período de incerteza que podemos ter à frente, pois temos contas externas sólidas e amparadas por elevado volume de reservas internacionais.
No lado da política monetária, Campos Neto repetiu as mensagens da ata do Copom, enfatizando o balanço de riscos e a importância da continuidade da agenda de reformas como fator preponderante.
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Segundo o presidente, a reforma da Previdência é a “mãe” de todas as reformas, mas demais temas devem avançar, como a reforma tributária. A íntegra da apresentação está disponível aqui.
Crédito e reforma financeira
Campos Neto dedicou boa parte da apresentação explicando a importância da agenda de reformas microeconômicas e apresentou alguns estudos mostrando que a reforma do setor financeiro é a que apresenta maior potencial de elevar a produtividade na economia.
Segundo o presidente, a má alocação de recursos gera uma ineficiência muito grande na economia e o BC tenta endereçar parte desses problemas com a agenda BC#, que lista mais de 50 ações na área financeira.
Mercado imobiliário
Um dos pontos de atuação do BC é criar condições para o uso dos imóveis já existentes como garantia para empréstimos (home equity). Estimativas apresentadas por ele mostram que há R$ 500 bilhões para serem tirados desse mercado. “Conseguimos colocar dinheiro na economia de forma barata”, disse.
O modelo pensado é o da hipoteca reversa na qual a pessoa dá seu imóvel já quitado e toma um empréstimo. O que tem de ser simplificado, segundo Campos Neto, são custos cartoriais e de avaliação de imóveis, que giram em torno de R$ 7 mil a R$ 8 mil, o que “mata” o produto.
Ele também apresentou uma tabela mostrando como o juro pode ser menor ao se usar o imóvel como garantia. Considerando um empréstimo de crédito direto ao consumidor, sem garantia, o juro médio é de 153,63% ao ano. Se o imóvel entrar como garantia, essa taxa cairia para cerca de 15,39% ao ano.
Securitização
Ainda no segmento imobiliário, Campos Neto afirmou que o sistema é pouco alavancado e um dos motivos é que essas dívidas não são negociadas em mercado.
A questão, segundo o presidente, passa por rever o indexador dos contratos de financiamento imobiliário no país. Hoje, temos uma taxa de juros mais a TR (atualmente zerada) como indexador.
Acontece que a TR não é passível de “hedge” (proteção), pois é arbitrada pelo governo sem congênere no mercado.
A ideia é adotar o IPCA como indexador, pois temos produtos financeiros que também utilizam o IPCA como referência. Então, teríamos algo como uma taxa de juros mais IPCA. (A Caixa já pediu autorização ao BC para migrar para esse modelo).
Segundo Campos Neto, o IPCA pode ser encarado como uma proteção natural para quem tem imóveis, já que se tivermos uma crise inflacionária, os ativos reais, como os imóveis, tendem a ter valorização.
Simplificação do câmbio
O presidente também listou entre as prioridades a simplificação do mercado de câmbio, que ainda é regido por leis feitas entre 1920 e 1960. O modelo é caro e atrasado, elevando o custo de importações e exportações.
Também nessa linha, ele voltou a citar os esforços de se desenvolver um hedge cambial para operações de longo prazo. Hoje, se um estrangeiro financia uma obra de infraestrutura e faz a proteção cambial, paga imposto se tem ganho com esse hedge em determinado ano, mas não tem compensação em caso de perda nos seguintes. Chega ao fim do projeto e ele está "morto", segundo o presidente.
Juro alto ao consumidor final
Campos Neto também falou sobre os principais fatores que fazem com que o juro ao consumidor seja tão elevado no Brasil. Aqui, o ponto é conhecido e já bastante discutido: inadimplência.
O presidente dividiu o assunto em duas partes. Há uma questão antes do empréstimo, que envolve a assimetria de informação, ou o pouco conhecimento do banco com relação ao cliente. Aqui, o cadastro positivo e open banking podem resolver a questão de forma estrutural.
A outra parte trata da inadimplência depois do empréstimo já concedido. A recuperação de dívidas é baixa e demorada no país. Aqui, os processos levam de 3,5 anos a 4 anos e se recupera 1/5 do valor observado em outros países. Em outros emergentes, os processos duram de um a dois anos. Esse é um processo mais complexo pois passaria pela desjudicialização das disputas entre credores e devedores.
Cheque especial e cartão de crédito
Campos Neto também tratou dos produtos emergenciais de crédito e de como o cheque especial e o cartão de crédito penalizam os mais pobres.
Uma das razões para um juro médio de 320% ao ano no cheque especial, segundo o presidente, é sua regressividade. Quanto maior o limite disponível ao cliente, maior a fatia de capital prudencial exigida do banco.
Acontece que quem tem maior limite de cheque especial e consome maior capital é quem menos usa o produto. Já aqueles que usam o cheque especial são aqueles com até 2 salários mínimos e têm limites menores.
“Quem está embaixo na pirâmide paga por quem tem limite alto e não usa o cheque especial. Temos que reduzir a regressividade do produto”, disse.
Campos Neto disse que a sistemática do cartão de crédito é parecida e que o BC conduz seus estudos e conversas com o setor financeiro buscando reduzir essa regressividade.
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