Campos Neto diz que há espaço para corte da Selic, mas esse aceno não limita a decisão do Copom
Em audiência no Senado, Roberto Campo Neto, também enfatiza que economia brasileira tem capacidade de absorver revés externo e que reformas são fundamentais

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, reiterou a mensagem de que há espaço para ajuste adicional na taxa de juros, a Selic. Mas ponderou que “é fundamental enfatizar que essa comunicação não restringe a próxima decisão do Copom”.
"A consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo monetário. É fundamental enfatizar que essa comunicação não restringe a próxima decisão do Copom e que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", disse.
Depois, no fim da audiência, que durou pouco mais de 2 horas e meia, Campos Neto voltou ao tema, dizendo que: "Deixamos claro que achamos que tem espaço para mais corte, mas é um cenário que sempre vai depender do hiato [ociosidade na economia], setor externo e reformas, que melhoram a transmissão da política monetária"
Pela mensagem dada até aqui, o dólar rodando na linha dos R$ 4,15 não mudou a avaliação do BC. As expectativas de inflação seguem ancoradas, com o mercado avaliando que o repasse cambial será baixo ou inexistente em função da fraqueza da atividade econômica. Sobre câmbio, Campos Neto disse que real não tem tido comportamento atípico em comparação com outras moedas.
Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que começou com apenas dois senadores dos 27 que compõem o colegiado, Campos Neto também afirmou que o cenário internacional se mostra benigno, em decorrência das mudanças de política monetária nas principais economias.
Por outro lado, Campos Neto ponderou que os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem. De acordo com o presidente, as incertezas sobre políticas econômicas e de natureza geopolítica – notadamente as disputas comerciais e tensões geopolíticas – podem contribuir para um crescimento global ainda menor.
Leia Também
“Diante desses riscos, volto a destacar a capacidade que a economia brasileira apresenta de absorver eventual revés no cenário internacional”, afirmou.
Campos Neto lembrou que possuímos um balanço de pagamentos robusto, expectativas de inflação ancoradas, e há perspectiva de retomada do processo de recuperação econômica.
Adicionalmente, disse ele, contamos com um estoque de reservas internacionais próximo de US$ 389 bilhões. Visando dar ainda mais transparência, ele lembrou que o BC começou a divulgar a série de Posição Cambial Líquida do Banco Central, que considera toda a exposição cambial do BC. De acordo com esse conceito, que é complementar ao conceito tradicional de reservas internacionais, a posição cambial líquida do BC é de US$ 329 bilhões.
“A robustez da economia brasileira frente aos riscos do cenário externo também depende da perspectiva de continuidade das reformas estruturais, no que esta Casa tem fundamental relevância”, afirmou.
Balanço de riscos
No cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado.
Por outro lado, uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.
“Esse último risco se intensifica no caso de reversão do cenário externo benigno para economias emergentes. Nossa avaliação é que o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável, mas consideramos que o risco relacionado às expectativas de andamento das reformas e ajustes ainda é preponderante”, pontuou.
Perguntas e respostas
Respondendo aos senadores, Campos Neto explicou que o depósito compulsório é alto porque não temos organizado um sistema de assistência de liquidez.
Segundo o presidente, há estigma do banco de pegar recursos junto ao BC. “Se melhorar isso, não tem necessidade de tanto compulsório”, disse.
Aqui entra o sistema de liquidez que o BC está desenhando, com uso de recursos privados, como garantia. De acordo com Campos Neto, levará cerca de um ano e meio até essa nova linha de liquidez estar disponível.
Reservas Internacionais
Respondendo à questionamento sobre o custo das reservas internacionais e se não deveríamos pagar dívida com elas, Campos Neto disse que as reservas são um seguro e que quanto mais avançarmos nas reformas, menor a necessidade desse seguro. “Estamos sempre avaliando custos e benefícios das reservas”, disse.
Campos Neto disse achar curioso que quando tudo está indo bem, os jornais trazem artigos dizendo que temos reservas demais. “Aí, quando o BC faz uma troca de swaps por reservas, já começam a aparecer artigos dizendo que tem de ter cuidado com as reservas, que elas são um seguro”, disse.
De acordo com o presidente, o custo das reservas está bastante baixo. De fato, “as reservas têm sido um grande negócio”, disse ele, lembrando que nos últimos 10 anos houve ganho de 90 bilhões. “É um seguro que se pagou. A valorização cambial foi maior que o custo de carregamento.”
Ele lembrou, ainda, que atravessamos crises na Argentina e Turquia, países com reservas muito menores que as nossas, sem problemas.
Casa da Moeda
Questionado sobre a possível privatização da Casa da Moeda, Campos Neto disse que na visão do BC o que importa é o custo do serviço. Ele citou que há um limite pequeno para compra de moeda no exterior e que ao fazer essa comparação de preços, estávamos pagando três vezes mais caro para fazer dinheiro na Casa da Moeda.
Sobre o discurso de que há perda de soberania nacional, ao não ter o monopólio para impressão, Campos Neto disse que comprar cédulas e moedas é diferente de emissão de moeda.
"Nosso trabalho não é indicar o modelo para a Casa da Moeda, somos clientes, para nós o que importa é que o preço seja bom", disse.
Crescimento
Ainda em sua fala inicial, Campos Neto avaliou que dados recentes sugerem a possibilidade de retomada do processo de recuperação da economia brasileira, que tinha sido interrompido nos últimos trimestres. "Nosso cenário supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual."
Ele lembrou que conheceremos o PIB do segundo trimestre, na quinta-feira, e que a estimativa do BC é de estabilidade ou ligeiro crescimento.
"Para os trimestres seguintes esperamos alguma aceleração, que deve ser reforçada pelo efeito da liberação de recursos do FGTS e PIS-PASEP. Não obstante essa aceleração, nosso cenário básico supõe que o ritmo de crescimento subjacente da economia será gradual", disse.
Voltando ao tema das reformas, Campos Neto disse que "ao reduzirem incertezas fundamentais sobre a economia brasileira, as reformas tendem a estimular o investimento privado".
Crescimento mais robusto, segundo ele, depende também da agenda microeconômica, que inclui iniciativas que visam ao aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios.
Crédito
Nesse tópico, o presidente reforçou avaliações feitas em apresentações recentes, destacando a necessidade de estimular o crédito imobiliário e à infraestrutura.
Para fomentar o crédito imobiliário é preciso modernizar e aumentar o alcance das ferramentas de securitização; viabilizar a expansão do mercado de home equity, desmobilizando um amplo estoque de capital para dinamizar a atividade econômica; e também criar ferramentas adequadas de hipoteca reversa.
No financiamento à infraestrutura, é necessário reformar o marco legal, buscando reduzir seu risco jurídico; fomentar o desenvolvimento de um mercado privado de hedge cambial de longo prazo; e garantir acesso do capital privado a projetos de saneamento, para reduzirmos o déficit que temos no setor.
Reformas micro
Segundo Campos Neto, um dos papéis do BC é promover a alocação eficiente de recursos entre as atividades econômicas. Para isso, é necessário avançar nas mudanças que permitam o desenvolvimento dos
mercados.
"O mercado precisa se libertar da necessidade de financiar o governo e se voltar para o financiamento ao empreendedorismo", disse.
Campos Neto também apresenta aos senadores as principais iniciativas da Agenda BC#, que busca melhorias em quatro quatro dimensões: Inclusão, Competitividade, Transparência e Educação Financeira.
Ex-Coaf
Para Campos Neto, a integração da Unidade de Inteligência Financeira (UIF) precede a autonomia de jure do Banco Central, o que é visto como "um importante passo para a implantação de uma estrutura autônoma que permitirá a continuidade e o aprimoramento do bom trabalho desempenhado pelo Coaf".
O presidente explicou que a vinculação administrativa da UIF ao BC se dará por dois canais. Primeiramente, pela nomeação dos membros do Conselho Deliberativo – tanto do Presidente da UIF como de seus Conselheiros – pelo presidente do BC. E pelas atribuições da Diretoria Colegiada do BC: i) de aprovar o regimento interno da UIF, delimitando suas competências e atribuições; e ii) de regular o processo administrativo sancionador no âmbito da UIF. A nova unidade será ligada ao BC, mas não será um departamento do banco.
Ainda sobre o assunto, Campos Neto explicou que a decisão de trazer gente de fora do setor público para a UFI foi dele, visando melhorar a gestão de tecnologia, com ganho na capacidade de monitorar dados e produzir relatórios de inteligência. Essa abertura para pessoas de fora foi noticiada como uma porta para interferência política.
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Selic em 14,25% ao ano é ‘fichinha’? EQI vê juros em até 15,25% e oportunidade de lucro de até 18% ao ano; entenda
Enquanto a Selic pode chegar até 15,25% ao ano segundo analistas, investidores atentos já estão aproveitando oportunidades de ganhos de até 18% ao ano
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Com a Selic a 14,25%, analista alerta sobre um erro na estratégia dos investidores; entenda
A alta dos juros deixam os investidores da renda fixa mais contentes, mas este momento é crucial para fazer ajustes na estratégia de investimentos na renda variável, aponta analista
Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom
Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros
Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte
Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali
Felipe Miranda: Dedo no gatilho
Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?
Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses
Co-CEO da Cyrela (CYRE3) sem ânimo para o Brasil no longo prazo, mas aposta na grade de lançamentos. ‘Um dia está fácil, outro está difícil’
O empresário Raphael Horn afirma que as compras de terrenos continuarão acontecendo, sempre com análises caso a caso
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção
Deixou no chinelo: Selic está perto de 15%, mas essa carteira já rendeu mais em três meses
Isso não quer dizer que você deveria vender todos os seus títulos de renda fixa para comprar bolsa neste momento, não se trata de tudo ou nada — é até saudável que você tenha as duas classes na carteira
Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom
Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais
Rodolfo Amstalden: As expectativas de conflação estão desancoradas
A principal dificuldade epistemológica de se tentar adiantar os próximos passos do mercado financeiro não se limita à já (quase impossível) tarefa de adivinhar o que está por vir
Renda fixa mais rentável: com Selic a 14,25%, veja quanto rendem R$ 100 mil na poupança, em Tesouro Selic, CDB e LCI
Conforme já sinalizado, Copom aumentou a taxa básica em mais 1,00 ponto percentual nesta quarta (19), elevando ainda mais o retorno das aplicações pós-fixadas
Copom não surpreende, eleva a Selic para 14,25% e sinaliza mais um aumento em maio
Decisão foi unânime e elevou os juros para o maior patamar em nove anos. Em comunicado duro, o comitê não sinalizou a trajetória da taxa para os próximos meses
A recessão nos EUA: Powell responde se mercado exagerou ou se a maior economia do mundo está em apuros
Depois que grandes bancos previram mais chance de recessão nos EUA e os mercados encararam liquidações pesadas, o chefe do Fed fala sobre a situação real da economia norte-americana