🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Entrevista

Esqueça Brasília, quem dita o rumo do Brasil e do mundo é a China, diz Volpon do UBS

Em livro recém-lançado, economista do UBS e ex-diretor do BC, Tony Volpon, também nos conta que a crise financeira não foi culpa dos homens de olhos azuis nem da tal ganância dos mercados

Eduardo Campos
Eduardo Campos
17 de setembro de 2019
5:25 - atualizado às 9:47
Tony Volpon
Tony Volpon - Imagem: Divulgação

Quando falo "esqueçam Brasília" é no sentido de que precisamos entender que nem tudo de bom ou de ruim vem de Brasília. Comparada ao resto do mundo, a capita federal é muito menos importante do que o senso comum acredita.

Escolho esse raciocínio do economista-chefe do UBS para o Brasil, Tony Volpon, para começar a contar a história de como a China se tornou o grande fato do nosso tempo, de como a crise financeira é o grande evento da nossa época e como isso desenhou respostas domésticas não só em termos econômicos, mas também políticos.

No recém-lançado "Pragmatismo Sob Coação: Petismo e Economia em um Mundo de Crises" (Alta Books), Volpon nos apresenta a narrativa de como os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tiveram muito de seu sucesso e fracasso em função das decisões de política da China e como isso ainda não foi compreendido por aqui.

Além de detalhar sua tese que dá título à obra, Volpon também releva interessantes episódios de quando esteve na diretoria de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), comandado por Alexandre Tombini na época.

Pobres financiando ricos

Vamos começar pela China e suas decisões de política econômica, que formam o pano de fundo para a grande crise financeira (GCF).

Leia Também

De acordo com Volpon, a entrada na China da economia global, no começo dos anos 2000, trouxe um choque de oferta positivo para o mundo. Mas o modelo escolhido pelos chineses, de “repressão ao consumo”, privilegiando a demanda externa, resultou em uma enorme acumulação de reservas internacionais, que beirou os US$ 4 trilhões.

Essa poupança precisava ser investida e o dinheiro acumulado pelo chinês foi parar nos títulos do Tesouro americano. No entanto, o que o excesso de poupança chinesa precisava financiar eram os consumidores americanos, não o governo.

A saída veio pelo mercado financeiro, que ficou com o risco de crédito dos consumidores americanos, que se financiaram com o dinheiro que os chineses deixam de usar no seu consumo doméstico.

Por isso a explosão de instrumentos financeiros, securitização, crescimento dos bancos de investimentos e do que se chama de “shadow banking”, ou seja, instituições fora do sistema financeiro que acabavam atuando como bancos.

Segundo Volpon, essa é a verdadeira razão da crise, apesar da narrativa prevalente moralizar a questão e colocar a crise como resultado dos excessos de um sistema financeiro fora de controle. (Lembram que o Lula disse que a crise foi causada por gente branca de olhos azuis?)

O início do ciclo financeiro é sempre positivo, mas ele cria sua própria fragilidade. Os riscos foram se acumulando, a qualidade dos ativos caindo (lembra da hipoteca subprime?). O retorno para cada unidade de risco cada vez menor.

Junto disso, tivemos o aumento no custo do dinheiro (funding). O mundo vinha do estouro da bolha das “pontocom” e dos atentados de 11 de setembro, que tinham levado o Fed a deixar o juro baixo. Mas em 2007, a taxa já tinha voltado para a linha dos 5%.

A resposta dos Bancos Centrais e suas consequências também ajudam a entender o ressurgimento dos movimentos políticos populistas. A política de juro zero e afrouxamento quantitativo, que agora voltam a ser retomadas, favoreceu demais os mais ricos, mesmo que tenhamos visto melhora no crescimento.

“O populismo vem dessa estagnação e concentração de renda. Acredito piamente que a resposta dada pelos BCs foi um dos fatores que piorou a distribuição de renda. Eles tentaram levantar a atividade via mercado financeiro, via efeito riqueza”, explica.

Lula e Dilma nesse contexto

O sucesso de Lula vem muito do dinamismo chinês, que basicamente fez o Brasil ganhar cada vez mais pelas coisas que sempre produziu (os chamados ganhos nos termos de troca).

Além disso, explica Volpon, Lula foi “vítima” do pragmatismo sob coação, ao ter de fazer um início de governo bastante ortodoxo, para lidar com distorções causadas pelo temor com sua própria eleição.

Sua guinada mais à esquerda no segundo mandato decorre justamente da melhora de ambiente global, que, segundo Vopon, dá mais liberdade para um governo de esquerda, ser de esquerda.

Um ano emblemático, segundo Volpon, foi 2010. Crescimento de 7,5%, pré-sal entrando como um “bilhete premiado”, o Cristo Redentor decolava na capta da “The Economist”. Aqui, diz Volpon, faltou o entendimento que muito disso foi reflexo do crescimento da própria China e não exclusivamente em função das políticas anticíclicas adotadas pelo governo de plantão.

Segundo Volpon, 2015 marcou o fim do modelo chinês de crescimento de até então. O país asiático enfrentou sua própria crise, com desvalorização forte de sua moeda. Foi neste ano, segundo o economista, que nasceram duas tendências que perduram até hoje: queda nos termos de troca e redução no fluxo de investimentos para emergentes.

“O governo Dilma teve o azar de pegar esse movimento. Ela herdou o governo sobre expectativas irrealistas. Mercado e mundo político acharam que a economia iria crescer 4% para sempre. Chega 2011 e a economia cresce 2%. Ela entra em pânico e reverte seu início de mandato ortodoxo”, diz o economista.

Volpon nos explica que ao contrário de Lula, Dilma pegou uma economia já aquecida, com restrições de oferta, e um movimento global negativo. A resposta, via nova matriz macroeconômica – forçar juro para baixo, câmbio para cima e um fiscal mais solto – foi, segundo Volpon, uma tentativa de reverter o imposto negativo que estava vindo da China.

De acordo com Volpon, o entendimento completo daquilo que nos levou à grande recessão de 2014 a 2016, que dura até hoje, passa por compreender que a raiz começa na China e passa por resposta inadequada do governo, que achava que a resposta estava em Brasília, quando não estava.

Para encerrar, uma forma de entender o conceito de “pragmatismo sob coação” é lembra que no Brasil os investidores locais também são atores políticos, com “skin in the game”, pele no jogo. Exemplo disso é que cerca de 90% de nossa dívida está com investidores locais. Por isso que não vemos rompimentos tão agudos quando o da Argentina. Aqui, diz Volpon, o viés é de resolver problemas fiscais via ajustes não disruptivos (inflação ou calote).

“No brasil tem ‘skin in the game’. Isso gera o pragmatismo de coação nos governos”, finaliza.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
DERRETENDO

Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara

2 de abril de 2025 - 20:10

Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas

FIM DO MISTÉRIO

As tarifas de Trump: entenda os principais pontos do anúncio de hoje nos EUA e os impactos para o Brasil

2 de abril de 2025 - 18:09

O presidente norte-americano finalmente apresentou o plano tarifário e o Seu Dinheiro reuniu tudo o que você precisa saber sobre esse anúncio tão aguardado pelo mercado e pelos governos; confira

DEIXANDO O PALCO

Elon Musk fora da Casa Branca? Trump teria confirmado a saída do bilionário do governo nas próximas semanas, segundo site

2 de abril de 2025 - 15:05

Ações da Tesla sobem 5% após o Politico reportar que o presidente dos EUA afirmou a aliados sobre a mudança no alto escalão da Casa Branca

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa

2 de abril de 2025 - 8:13

Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA

O DIA DA LIBERTAÇÃO

O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China

2 de abril de 2025 - 6:01

A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

ACORDO ELETRIZANTE

Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos

1 de abril de 2025 - 14:35

Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%

MUDANÇAS NO CONSELHO

Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3

1 de abril de 2025 - 11:49

Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

APÓS O ROMBO

Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária

1 de abril de 2025 - 9:51

Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa

EXILE ON WALL STREET

Tony Volpon: Buy the dip

31 de março de 2025 - 20:00

Já que o pessimismo virou o consenso, vou aqui argumentar por que de fato uma recessão é ainda improvável (com uma importante qualificação final)

DESTAQUES DA BOLSA

Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações

31 de março de 2025 - 16:35

O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024

NO BANCO DOS RESERVAS

Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan

31 de março de 2025 - 14:49

O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra

EM BUSCA DE PROTEÇÃO

Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março 

31 de março de 2025 - 11:37

A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%

GOVERNANÇA

Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3

31 de março de 2025 - 9:34

A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump

31 de março de 2025 - 8:18

O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”

ANOTE NO CALENDÁRIO

Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços

31 de março de 2025 - 7:03

Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores

BALANÇO DOS BALANÇOS

O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital

28 de março de 2025 - 16:02

O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online

MERCADOS HOJE

Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump

28 de março de 2025 - 14:15

Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real

JANELA DE OPORTUNIDADE

Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado

28 de março de 2025 - 11:51

Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA

28 de março de 2025 - 8:04

O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar