🔴 ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES DE GRAÇA – ACESSE AQUI

O desafio de encontrar o fundo dos fundos e o topo dos topos

Este ciclo de inflação próxima de zero e juros reais negativos em algum momento vai virar. É bom ficar de olho, com a maior paciência do mundo

19 de agosto de 2019
11:39 - atualizado às 14:30
Bolsa de Nova York, em 1936. - Imagem: Shutterstock

Se você ainda não sabe qual terá sido o melhor momento de se comprar ações na Bolsa de Valores de Nova York, vou contar nesta crônica. Foi na quarta-feira, 1º de fevereiro de 1933.

O mercado sofrera o grande crash três anos e meio antes, em 29 de outubro de 1929 ( Black Tuesday), e desde então não vinha fazendo outra coisa a não ser cair.

O panorama em todo o território americano era simplesmente desolador: desempregados se enfileiravam para receber um prato de sopa e um pedaço de pão dormido.

À noite, famílias inteiras se espremiam em albergues públicos, de onde eram expulsas ao amanhecer, mesmo que sob chuva ou neve.

Nas áreas rurais, pequenos fazendeiros, meeiros e arrendatários deixavam suas terras e iniciavam uma longa e lenta migração para a Califórnia, de onde se diziam maravilhas.

Ao longo do exaustivo caminho, amontoados em calhambeques, percorrendo estradas poeirentas, paravam para acampar duas ou três semanas em trens cargueiros abandonados pelas ferrovias por falta de mercadoria para transportar.

Leia Também

Eis como John Steinbeck descreveu aqueles tempos em As Vinhas da Ira:

“Os vagões de carga, em número de doze, estavam alinhados um atrás do outro num terreno baldio, de pequenas dimensões, que ladeava o riacho. Eram duas fileiras de seis vagões cada uma, cujas rodas tinham sido desmontadas. Pranchas serviam de acesso às largas portas corrediças dos vagões, que tinham sido transformados em boas moradias, impermeáveis, sem fendas, capazes de abrigar vinte e quatro famílias ao todo, uma família em cada metade do vagão. Não havia janelas neles, mas as portas largas permaneciam sempre abertas. Em alguns carros, havia lona estirada como linha divisória entre as duas famílias.”

Pois bem, quem dispunha de algum capital, e comprou ações na Bolsa naquele 1º de fevereiro de 1933, acabou deixando uma fortuna para os filhos, netos e bisnetos. O ganho até hoje, reaplicando os dividendos, foi de espantosos 2.044.292% (segundo o Industrial Dow Jones). Claro que alguns papéis precisaram ser trocados por outros no meio do caminho.

Esse portfólio teve de atravessar enormes obstáculos: Segunda Guerra Mundial; dois choques do petróleo, crash de 1987 e crise do subprime.

É muito difícil detectar um bottom ou um top. Eu mesmo, que estou no mercado há 61 anos, só achei uma vez. Foi em novembro de 1986, quando percebi que o Plano Cruzado fracassara e comprei, na Bolsa de Mercadorias de São Paulo (Bolsinha), ouro “futurão” (com vencimento em dezembro de 1987). Foram tantos limites de alta que até perdi a conta.

É verdade que já dei outras grandes porradas, comprado ou vendido à descoberto, mas pegar o fundo dos fundos ou o topo dos topos só essa vez.

O mundo está entrando numa fase de taxas de juros (reais e até mesmo nominais) negativas. Uma ameaça de deflação ronda as economias do planeta. Em algum instante, isso vira de repente. Quem detectá-lo vai, como dizem os americanos, hit the bull’s-eye.

Quando era adolescente (tinha meus 13 ou 14 anos), meu pai me explicava que deflação era pior do que inflação.

“As pessoas só compram o estritamente necessário”, ele dizia. “ Vão ficar esperando os preços caírem. E eles caem justamente porque as pessoas não compram.”

Podemos estar no início desse processo. E quem detectar o fim, que poderá até demorar alguns anos, vai dar a mesma tacada do personagem que imaginei para 1933.

Muitos analistas dizem que as pessoas compram iene por proteção. Na verdade, não é bem assim. Compram na expectativa de valorização sobre as demais moedas, valorização acima de no mínimo 0,94% ao ano, que é a soma das taxas de juros negativas japonesas (0,24% nos títulos de 10 anos do governo) com a inflação anual daquele país: 0,7%.

Antes, uma explicação sobre por que o valor nominal do iene é tão menor do que o das outras moedas. Moedas sérias, bem entendido. É que eles, apesar da derrota na Segunda Guerra Mundial, e da inflação que se seguiu, jamais fizeram uma reforma monetária, tal como aconteceu na Alemanha.

Hoje o iene, apesar das altas recentes, vale menos de um centavo de dólar: 93,95 centésimos de um cent. Mas já chegou a ser cotado a mais de um centavo: US$ 0,0125, em abril de 1995. Nessa época, quem fez hedge em iene se deu muito mal pois a moeda não recuperou esse valor até hoje.

Em minha opinião, como iconoclasta de carteirinha, acho uma ilusão passageira pensar que o ouro e o iene protegem o portfolio de uma pessoa. Isso é uma situação passageira. Ouro não rende nada. Quanto ao iene, você paga para tê-los.

Voltando ao tema do início desta coluna, no momento não vejo nada fazendo um high ou low histórico, tal como aconteceu com a Bolsa de Nova York em 1933 (sete anos antes de eu nascer) ou com o ouro na Bolsinha em 1986, aquele que acertei na mosca.

Mas tenho certeza de que este ciclo de inflação próxima de zero e juros reais negativos em algum momento vai virar. É bom ficar de olho, com a maior paciência do mundo, pois talvez demore um pouco.

Quando isso acontecer, irá propiciar investimentos que irão dar lucro para várias gerações.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
NOVA ERA

Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio

1 de abril de 2025 - 18:08

Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros

ACORDO ELETRIZANTE

Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos

1 de abril de 2025 - 14:35

Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%

TOUROS E URSOS #217

Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos

1 de abril de 2025 - 14:05

No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira

MUDANÇAS NO CONSELHO

Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3

1 de abril de 2025 - 11:49

Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

APÓS O ROMBO

Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária

1 de abril de 2025 - 9:51

Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa

conteúdo EQI

Boletim Focus mantém projeção de Selic a 15% no fim de 2025 e EQI aponta caminho para buscar lucros de até 18% ao ano; entenda

1 de abril de 2025 - 8:00

Com a Selic projetada para 15% ao ano, investidores atentos enxergam oportunidade de buscar até 18% de rentabilidade líquida e isenta de Imposto de Renda

DESTAQUES DA BOLSA

Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações

31 de março de 2025 - 16:35

O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024

NO BANCO DOS RESERVAS

Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan

31 de março de 2025 - 14:49

O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra

EM BUSCA DE PROTEÇÃO

Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março 

31 de março de 2025 - 11:37

A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%

GOVERNANÇA

Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3

31 de março de 2025 - 9:34

A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump

31 de março de 2025 - 8:18

O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”

ANOTE NO CALENDÁRIO

Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços

31 de março de 2025 - 7:03

Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores

conteúdo EQI

Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda

30 de março de 2025 - 8:00

Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é

MERCADOS HOJE

Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump

28 de março de 2025 - 14:15

Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real

JANELA DE OPORTUNIDADE

Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado

28 de março de 2025 - 11:51

Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel

CHUVA DE PROVENTOS

TIM (TIMS3) anuncia pagamento de mais de R$ 2 bilhões em dividendos; veja quem tem direito e quando a bolada cai na conta

28 de março de 2025 - 11:33

Além dos proventos, empresa anunciou também grupamento, seguido de desdobramento das suas ações

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA

28 de março de 2025 - 8:04

O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária

SEXTOU COM O RUY

Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação

28 de março de 2025 - 6:11

A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Após virar pó na bolsa, Dotz (DOTZ3) tem balanço positivo com aposta em outra frente — e CEO quer convencer o mercado de que a virada chegou

27 de março de 2025 - 21:46

Criada em 2000 e com capital aberto desde 2021, empresa que começou com programa de fidelidade vem apostando em produtos financeiros para se levantar, após tombo de 97% no valuation

GIGANTE DAS CARNES

JBS (JBSS3) pode subir 40% na bolsa, na visão de Santander e BofA; bancos elevam preço-alvo para ação

27 de março de 2025 - 15:58

Companhia surpreendeu o mercado com balanço positivo e alegrou acionistas com anúncio de dividendos bilionários e possível dupla listagem em NY

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar