Do zero ao infinito
Volta e meia recebo mensagens de leitores que jamais investiram em coisa alguma, nem mesmo na poupança, e já querem operar contratos futuros de Ibovespa ou de dólar. É melhor ir devagar. Começar do começo.

Quase todos os analistas de investimento da Inversa (eu, inclusive) recomendam aos leitores que não invistam em caderneta de poupança.
Só acho que deve haver exceções.
Digamos que você more com sua família (três gerações: filhos, pais e avós) no sertão da Paraíba, viva de um plantio rudimentar de mandioca e tenha, além do rendimento dessa roça, Bolsa Família e a aposentadoria rural dos velhinhos. Nesse caso, é melhor deixar o dinheiro na caderneta.
Se for ao banco tentar coisa melhor, o sub do subgerente que o atender vai tentar lhe empurrar um plano de capitalização ou um fundo de renda fixa no qual a comissão corroa toda a gordura da aplicação.
Por outro lado, se está lendo esta coluna, é sinal de que não tem o perfil acima, nem algo próximo dele, mesmo que sua renda se aproxime desses valores.
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Claro. Você se tornou um cara que se interessa e lê sobre investimentos.
Formou-se aqui um paradoxo. Se não leu, não sabe o que eu disse acima.
Se leu, esqueça a caderneta. Provavelmente não é um plantador de mandioca, nem recebe Bolsa Família. Apenas um assalariado que morre de medo de arriscar o fruto de seu trabalho suado.
Essa crônica está sendo escrita exatamente para ser lida por pessoas como você.
Volta e meia recebo mensagens de leitores que jamais investiram em coisa alguma, nem mesmo na poupança, e já querem operar contratos futuros de Ibovespa ou de dólar.
É melhor ir devagar. Começar do começo. Do risco e lucro zero (nenhuma aplicação) ao risco e potencial de ganho infinito (venda a descoberto de calls eputs) há um longo caminho a percorrer.
Antes de mais nada, leia o máximo possível de publicações isentas sobre o mercado financeiro, escrita por gente que, como nós da Inversa, não ganha comissões sobre aquilo no qual você vai investir.
Caminhos
Enquanto vai aprendendo os fundamentos mais rudimentares sobre o mercado, aplique seu dinheiro, por menor que seja a quantia, em fundos administrados por bons profissionais.
Após algum tempo, já dá para aplicar parte do dinheiro em títulos de renda variável. Sempre seguindo bons mentores.
Um dia, quando menos perceber, chegará a época de alavancar. Isso significa comprar títulos em valores superiores àqueles dos quais você dispõe.
Falando assim, parece até pecado. Ou crime. Algo como cheque sem fundo. Mas não é nada disso, desde que você ponha sempre um stop em seus trades.
Quase todas as fortunas do mundo surgiram através de alavancagem. Um banco, por exemplo, que tem três bilhões de reais de depósito de clientes, empresta aproximadamente oito vezes isso: R$ 24 bi.
Quando sai mundo afora comprando grandes empresas, a trinca Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles usa muito mais do que o capital de que dispõe. Para fazer isso, toma dinheiro emprestado em bancos.
A lógica é que os ativos que adquiriram rendam mais do que o custo do dinheiro, princípio básico da alavancagem bem-sucedida.
Tudo bem, eu sei que você, caro amigo leitor, ainda não tem (um dia, quem sabe?) essa bola toda. Mas se, ao invés de comprar 50 mil reais em ações em bolsa, ficar long em dez contratos futuros do mini-índice Bovespa, terá alavancado aproximadamente quatro vezes o seu capital.
A partir desse instante, terá de operar com stop.
Estratégias
Sua estratégia será mais ou menos assim:
“Vou comprar dez mini Bovespas a 97 mil com stop a 96.500.”
Ao longo dos 37 anos nos quais especulei nos diversos mercados, quase sempre operei alavancado ao extremo. Por isso dei muitas porradas e levei outras tantas.
Se tinha cem mil dólares de saldo em minha conta na corretora e comprava 50 contratos de prata, a US$ 15,00 a onça, estava arriscando 375 mil dólares.
Não raro, exagerava: ficava short em 200 contratos de soja a oito dólares e 78 centavos. Isso equivalia a ir para casa devendo quase nove milhões de bushels (medida de volume, equivalente a 35,2 litros) ou aproximadamente 9 milhões de dólar.
O stop tinha de ser curtíssimo. Caso contrário, se a soja subisse muito, e eu não reforçasse minha margem de garantia, a CBoT (uma das bolsas de mercadorias de Chicago) liquidava minha operação compulsoriamente, coisa que, felizmente, jamais aconteceu.
Voltando a você, amigo, que quer subir na hierarquia dos marqueteiros, prepare-se para duas coisas:
— Acompanhe as cotações e o noticiário o tempo todo. Com o advento dos celulares, isso, ao contrário de minha época, é facílimo.
— Dedique-se de corpo e alma ao mercado. Mesmo sem se dar conta, você se tornou um trader profissional.
Parada final
O último degrau do risco é o daqueles que ficam shorts em calls e puts. São os vendedores do tempo.
Eu gostava muito de fazer isso, pois ganhava dinheiro até nos fins de semana e feriados, quando o tempo para nas bolsas e suas opções continuam perdendo valor, já que diminui o prazo de vencimento.
Mas não gosto de ser exemplo para ninguém. Fui imprudente demais. Nem sei como saí inteiro (embora com algumas cicatrizes) de todos esses anos de mercador.
Repito. Se quiser ter sucesso, comece devagar. Compre ou venda um ou dois contratos de mini-índice ou mini-dólar, por no mínimo dois ou três anos, até se julgar apto a ir para a primeira divisão, onde brigam os cachorros grandes.
Chegando lá, não fique oscilando entre o zero e o infinito. Não seja uma pessoa de extremos.
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