Bolsonaro: O Segundo Mandato — calma, é só um bull market
Um bull market secular e estrutural, tal como eu imagino estar em curso neste momento, não é para ganhar 20 ou 30 por cento. Isso é o que enxergamos de upside ex-ante. Mas o movimento é sempre maior do que somos capazes de antever.

Se você ainda não assistiu ao meu bate-papo com o Florian Bartunek, ainda há tempo de fazê-lo e dar sua contribuição para a Estudar. Estamos muito próximos de bater a meta de arrecadação de 100 mil reais, num dos maiores eventos de fundraising por YouTube do Brasil. Seria uma honra poder contar com a sua ajuda.
Florian, como lhe é de costume, falou coisas muito interessantes sobre obstinação, disciplina, liderança e, claro, sobre gestão de portfólio e algumas ações que lhe parecem interessantes agora. Mais importante até do que os papéis individualmente é sua combinação no portfólio, como funcionam harmonicamente numa única cesta. Entre as ações citadas, aparecem Eneva, Banco Inter, Mercado Livre, Lojas Renner, B3 e outras.
Agora, deixe-me dividir uma coisa que falamos nos bastidores — normalmente, são as melhores. A gente falava de musculação — aprendi que a longevidade está bastante associada ao percentual de massa magra no corpo; então, se precisar escolher (obviamente, o melhor é realizar tudo), faça agachamento, barra e supino — e ele confessou já ter treinado braço às 7h da matina. Questionei se ele, assim como eu, também treinava todo dia. Obtive de resposta: “Cara, você precisa ir todo dia. Se começa abrir exceção, aquele ‘só hoje’ começa acontecer três vezes por semana. No final, você vai ver sua frequência diminuir uns 50 por cento. Eu ouvi uma coisa do Abílio uma vez, de que você precisa montar sua agenda em torno da academia, tratando aquilo como prioridade; aí as coisas se encaixam”.
É uma lição de disciplina, sabe? Percebi que eu mesmo faço isso, de forma não tão deliberada e estruturada. Mas, além de uma questão particular ligada ao esporte, eu notei que, no fundo, tudo que é realmente importante (o que é bem diferente de urgente), precisa ser tratado como prioridade, sem tergiversar, sob disciplina espartana.
Construção patrimonial
O processo de construção patrimonial também precisa ser tocado assim. Poxa, isso é o seu futuro e da sua família. Não existe esse negócio de “não tive tempo para pensar minhas finanças hoje”. Como não teve tempo? Mentira. Você apenas não priorizou. Curiosamente, ainda ontem, horas depois, fui ler uma matéria no InfoMoney com o André Jakurski, para mim o grande trader do Brasil, possivelmente o maior da nossa história, dizendo assim: “A boa gestão não pode ser feita pela metade, precisa ser feita intensamente. Caso contrário, a eficiência diminui dramaticamente”. Breve parêntese, super-rapidinho: ele, assim como eu, está muito otimista com as ações da Oi. Para mim, é a maior e mais óbvia assimetria da Bolsa. Tem risco? Você está brincando, né? Tem risco? A empresa está em recuperação judicial. Mas o quanto você pode ganhar é muito mais do que você pode perder aqui. Uma aposta do tipo 4 para 1. Gosto de coisas assim.
Não confunda, evidentemente, pensar o seu dinheiro e sua evolução patrimonial com a necessidade de ficar operando em Bolsa. Ao contrário, quanto menos você operar, provavelmente mais bem-sucedido será. Num estudo da Fidelity, as melhores carteiras eram do segmento das pessoas que haviam morrido, justamente por, ao menos fora das mesas kardecistas ou dos terreiros de umbanda, elas não poderem ficar girando seu portfólio. Essa é também uma das razões para a superioridade feminina em Bolsa — elas negociam menos. Aqui me refiro a um processo de disciplina, diligência e priorização. Tome as rédeas do negócio e o trate como prioridade, entre outras que você tem, claro. Não é para ficar tradando, é para ficar pensando.
Leia Também
Voltando ao Florian, ele resumiu bem também os benefícios da inação, recorrendo a Warren Buffett: “Em um bull market, você não ganha dinheiro fazendo trade, você ganha dinheiro ficando sentado”.
Enfim, chegamos onde eu queria.
Filho do bull market
Quando eu comecei a trabalhar formalmente no mercado financeiro, na primeira década dos anos 2000, havia uma frase meio recorrente repetida de maneira pejorativa aos jovens, que era mais ou menos assim: “Você é filho do bull market; não sabe o que é uma tendência de queda”. Todos vivíamos aquela época de expansão vigorosa da economia mundial pós-bolha da Nasdaq, com juros muito baixos lá fora. Aqui dentro, estávamos naquele bom Lula 1, com a dupla Palocci/Meirelles garantindo a ortodoxia na gestão da política econômica, subsidiados por excepcionais secretários da estirpe de Marcos Lisboa, Murilo Portugal e Joaquim Levy. Depois desandou, claro. Mas o ciclo de 2003-07 na Bolsa brasileira foi estapafúrdio. Só tinha gênio por aí. No bull market, tudo que você compra sobe. E o sucesso é um péssimo professor. E a arrogância dos gestores? Jesus amado. Essa turma marca as avaliações das competências individuais conforme as cotas dos próprios fundos — bom, você já deve imaginar como têm sido agradáveis os meus almoços em plenos 105 mil pontos, né?
Para ser sincero, a expressão “filho do bull market” não era muito justa comigo. Eu vi meu pai perder uma bolada com a crise da Tequila em 1995. Depois, se estrepou de novo com a Tailândia em 97. Eu mesmo já fui ter um belo preju com a Rússia em 98-99. Depois veio a Nasdaq e a Argentina. Mas fazer o quê?
Questões pessoais à parte, a turma da época realmente não sabia muito bem o que era um bear market. Foi dar de cara no muro com aquele fatídico 15 de setembro de 2008, com a quebra do Lehman Brothers. Um show de horrores. Os geniais traders alavancados sucumbiram da noite para o dia. De heróis a vilões em 24 horas. De toalha felpuda a pano de chão num piscar de olhos. Aquilo marcou toda uma geração.
Só que agora é diferente. Se quem começou nos anos 2000 não sabia o que era um bear market, o oposto acontece neste momento. Há uma memória recente, com sulcos psíquicos muito bem formados, para onde caminham todas as novas tempestades eletroquímicas, ligada a um mercado e uma economia em queda ou de lado. O ciclo 2008-15 foi destruidor. E pouca gente pegou na veia a recuperação de 2016 até agora — principalmente porque a economia ainda não voltou. Há toda uma galera filha do bear market. E precisamos nos preparar para a antítese disso: o bull market, pois é exatamente o que estamos vivenciando, com espaço para uma construção de riqueza esplendorosa nos próximos anos.
Um bull market secular e estrutural, tal como eu imagino estar em curso neste momento, não é para ganhar 20 ou 30 por cento. Isso é o que enxergamos de upside ex-ante. Mas o movimento é sempre maior do que somos capazes de antever. Depois, vai ficar tudo óbvio. A posteriori, há previsores cirúrgicos do passado (embora até ele seja incerto no Brasil). Para ilustrar, pegue o quanto bancos médios e incorporadoras ruins costumam subir nos grandes ciclos de Bolsa. Se achar algo perto de 1.000 por cento, não se assuste. Sim, acontece. Não sou eu, mas, sim, a realidade que insiste em seu não comedimento.
Temos uma mente linear, incapaz de identificar dinâmicas exponenciais. Mas as variações em Bolsa são justamente do tipo exponenciais. Os lucros das empresas são alavancados na economia, e a própria economia vai andar agora. Note ainda que é uma questão meramente matemática, com juros sobre juros formando uma curva convexa.
Veja o que Luis Stuhlberger (acho que não preciso adjetivá-lo, né?) acaba de escrever (será que ele escreve ainda?) em sua carta mensal da Verde Asset: “Vemos uma clara não linearidade à vista em relação ao crescimento, com aceleração que certamente não está refletida no preço dos ativos”.
Reforma da Previdência
A reforma da Previdência é fundamental em si. Mas ela é muito mais do que isso. Ela marca o encerramento de uma primeira fase do governo Bolsonaro. Agora, iniciamos uma espécie de Segundo Mandato, com a entrada na agenda do crescimento. Bicho, 379 votos! Ninguém esperava isso. Volto à ideia proposta aqui há cerca de um ano e meio: a agenda se impõe. E a agenda agora é pró-negócios e pró-mercado. A adequação previdenciária é a primeira de uma séria e profunda agenda de reformas brasileiras. Não é o fim, mas o princípio. Vai passar tudo.
De imediato, iniciam-se os debates mais profundos sobre a reforma tributária. É iminente um pacote de medidas de estímulos ao crescimento, com foco em retomada do consumo e construção civil — só isso deve empurrar as ações do setor para cima em mais uns 5 por cento. Na sequência, mais flexibilização do mercado de trabalho, pacto federativo, reforma política, concessões, privatizações, acordos comerciais. Selic vai a 5 por cento — há gente séria falando em menos do que isso. Gringo vai vir porque Brasil é grande demais para ser ignorado e logo começam os upgrades do rating, já flertando com investment grade no final de 2020.
Quando, daqui a 12 meses, você olhar para sua evolução patrimonial e se achar um gênio, ou ler nessas linhas mal escritas supostos acertos de recomendações, por favor, volte ao planeta Terra. Calma, é só um bull market.
Mercados
Depois da pausa para correção na véspera, mercados brasileiros amanhecem na sexta-feira sob moderado otimismo. Acompanham futuros nos EUA e votação dos destaques da reforma da Previdência na Câmara — por um lado, desidratação não parece tão preocupante; por outro, possibilidade de adiamento da votação em segundo turno contém clima de euforia.
Há também ligeira dose de preocupação no exterior, com queda das importações chinesas maior do que o esperado e recuo importante do PIB de Singapura. Agenda doméstica traz dados do setor de serviços e indicadores regionais de produção industrial. Nos EUA, inflação ao produtor é o principal destaque.
Ibovespa abre em alta de 0,3 por cento, dólar e juros futuros estão perto da estabilidade.
O agente do caos retruca: Trump diz que China joga errado e que a hora de ficar rico é agora
O presidente norte-americano também comentou sobre dados de emprego, juros, um possível acordo para zerar tarifas do Vietnã e a manutenção do Tik Tok por mais 75 dias nos EUA
A pressão vem de todos os lados: Trump ordena corte de juros, Powell responde e bolsas seguem ladeira abaixo
O presidente do banco central norte-americano enfrenta o republicano e manda recado aos investidores, mas sangria nas bolsas mundo afora continua e dólar dispara
O combo do mal: dólar dispara mais de 3% com guerra comercial e juros nos EUA no radar
Investidores correm para ativos considerados mais seguros e recaculam as apostas de corte de juros nos EUA neste ano
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas