É inconcebível que alguns setores tenham tarifa de proteção de 35%, diz cofundador da Natura
Para Pedro Passos, o ciclo da substituição de importações acabou; em entrevista, ele avalia que a proteção tarifária faz país produzir ‘carroças’

O empresário Pedro Passos, cofundador da Natura, é uma voz rara entre seus pares a apoiar a abertura econômica do País. Nesta entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele diz que, em razão de uma proteção tarifária de até 35%, o Brasil ainda produz "carroças" em vários setores - e "carroças" caras.
Segundo Passos, o aumento da concorrência proporcionado pela abertura deverá impulsionar a produtividade, estagnada há 20 anos, e permitir a redução de custos dos investimentos e a ampliação do poder de compra da população. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.
Recentemente, a Confederação Nacional da Indústria divulgou um estudo segundo o qual um unilateral corte de tarifas no Mercosul reduziria o PIB em dez ramos industriais e comprometeria a retomada do crescimento. Como o sr. vê a proposta do governo, de corte de 50% nas tarifas do Mercosul?
O modelo atual já não resiste mais. Hoje, poucos setores no País são contra a abertura econômica, pelo menos no discurso oficial. A discussão é mais como e com que velocidade e intensidade vamos abrir a economia. Acredito que a abertura é fundamental para aumentar a competitividade e a produtividade, que está estagnada há 20 anos, e para promover o crescimento sustentável. Mas o governo tem de liderar o processo, porque isso não vai emergir do mundo empresarial, de baixo para cima.
Muitos representantes da indústria têm mentalidade protecionista, defendem a política de substituição de importações e querem manter os subsídios. Como o sr. analisa essa posição?
O ciclo da substituição de importações acabou, apesar de alguns ainda não terem se dado conta disso. É inconcebível no mundo de hoje imaginar que alguns setores - e setores sensíveis para a economia - tenham tarifa de proteção de 35% (máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio), como o têxtil, o automobilístico e o de brinquedos. É onerar demais o consumidor brasileiro e transmitir um custo regressivo para a sociedade.
O que o faz ter tanta convicção de que o País vai deixar essa política para trás?
Primeiro, os resultados que a gente vem obtendo, com a indústria perdendo relevância. Numa análise fria, vemos que é melhor mudar de direção. Se você olhar para o cenário global, como estão organizadas as cadeias de valor? A maior parte do PIB (Produto Interno Bruto) industrial é de multinacionais. Elas já estão distribuídas globalmente. Os países é que não estão entendendo o que está acontecendo, mas o recado é esse. É só olhar para o mundo que a gente vê para que lado tem de ir.
Leia Também
O sr. não teme o efeito que o estudo da CNI aponta?
Não vamos ser ingênuos. Alguns setores que não têm escala global vão sofrer. Mas precisamos ficar com aquilo que tem mais futuro, que as novas alocações de capital vão determinar. Provavelmente, serão setores que juntam acesso a tecnologia e serviços. A gente tem de impulsionar novos setores dinâmicos da economia e não os mesmos, porque não estão dando resultado. Agora, esse impacto pode ser bem atenuado se definirmos um cronograma para fazer o corte de tarifas de forma gradual, olhando os setores mais sensíveis com cuidado e fazendo uma redução mesclada com acordos comerciais.
Nos anos 1990, o presidente Fernando Collor começou a abrir a economia e dizia que o Brasil fabricava "carroças". Depois, muito dessa abertura foi revertida, por pressões dos empresários. Em sua visão, o Brasil continua produzindo "carroças"?
Sem dúvida, acredito que, em vários setores, a gente ainda produz "carroças" - e "carroças" caras. À medida que você reduz a competição e os investimentos há uma degradação de processos e competitividade. Por isso, em paralelo, precisamos fazer as reformas e remover barreiras burocráticas. Temos de simplificar a economia, abrir o mercado, e tirar os incentivos fiscais que distorcem a alocação de recursos. Temos de fazer uma alocação correta de recursos e investimentos nos locais certos.
Há também receio do efeito da abertura no emprego e de o País ficar como economia secundária no mundo. O sr. não tem essa preocupação?
Ao contrário, à medida que a gente retomar a produtividade conseguirá ter um crescimento sustentável. Aí, virá o emprego. Mas provavelmente serão outros empregos, em outros setores. Não tem sentido uma proteção do status atual nem para trabalhadores nem empresários. O Brasil só responde por 0,6% das exportações mundiais de manufaturados, embora esteja entre os 10 países mais industriais.
*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo
Guido Mantega na Eletrobras (ELET3): governo indica ex-ministro da Fazenda para conselho fiscal, dizem agências
No dia anterior, a companhia e a União assinaram um termo de conciliação que limita o poder de voto dos acionistas a 10%
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Eletrobras (ELET3) e União dão mais um passo em acordo ao assinar termo que limita poder de voto dos acionistas a 10%
O entendimento ainda será submetido à assembleia geral de acionistas, a ser convocada pela companhia, e à homologação pelo Supremo Tribunal Federal
Natura (NTCO3) faz reunião para explicar próximos passos e consegue “vender” tese para analistas
CEO, João Paulo Ferreira, e CFO, Silvia Vilas Boas, convocaram analistas para amenizar preocupação dos investidores após 4T24 fraco e reestruturação organizacional
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Agora vai, Natura (NTCO3)? Mercado não “compra” a nova reestruturação — mas ações tomam fôlego na B3
O mercado avalia que a Natura vivencia uma verdadeira perda, dada a saída de um executivo visto como essencial para a resolução da Avon. O que fazer com as ações NTCO3 agora?
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção
Natura (NTCO3): a proposta de incorporação que pode dar um pontapé para uma nova fase
Operação ainda precisa ser aprovada em assembleia e passar pelo aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
Não é um pássaro (nem um avião): Ibovespa tenta manter bom momento enquanto investidores se preparam para a Super Quarta
Investidores tentam antecipar os próximos passos dos bancos centrais enquanto Lula assina projeto sobre isenção de imposto de renda
JP Morgan rebaixa Natura (NTCO3) após tombo de 30% das ações; empresa lança programa de recompra
Para o banco, tendências operacionais mais fracas de curto prazo e níveis elevados de ruídos devem continuar a fazer preço sobre as ações NTCO3; saiba o que fazer com os papéis agora
O rugido do leão: Ibovespa se prepara para Super Semana dos bancos centrais e mais balanços
Além das decisões de juros, os investidores seguem repercutindo as medidas de estímulo ao consumo na China
Ibovespa tem melhor semana do ano e vai ao nível mais alto em 2025; Magazine Luiza (MGLU3) e Natura (NTCO3) destacam-se em extremos opostos
Boa parte da alta do Ibovespa na semana é atribuída à repercussão de medidas adotadas pela China para impulsionar o consumo interno
Natura (NTCO3) derrete 29% depois da divulgação do balanço do 4T24; por que o mercado ficou tão pessimista com a ação?
Resultados ‘poluídos’ pela reestruturação da Avon Internacional e Ebtida negativo fazem o papel da empresa de cosméticos sofrer na bolsa hoje
Rodolfo Amstalden: Para um período de transição, até que está durando bastante
Ainda que a maior parte de Wall Street continue sendo pró Trump, há um problema de ordem semântica no “período de transição”: seu falsacionismo não é nada trivial
Haddad solta o verbo: dólar, PIB, Gleisi, Trump e até Argentina — nada escapou ao ministro da Fazenda
Ele participou na noite de sexta-feira (7) do podcast Flow e comentou sobre diversos assuntos caros ao governo; o Seu Dinheiro separou os principais pontos para você
Janela de oportunidade na Eletrobras (ELET3): ação ainda não se valorizou e chance de dividendos é cada vez maior
Além da melhora de resultados, o fato de se tornar uma boa e frequente pagadora de proventos é mais um fator que deve ajudar os papéis a subir, agora que a disputa com o governo ficou para trás
Vai pingar na conta: pagamento do saldo retido do FGTS para quem aderiu ao saque-aniversário começa nesta quinta (6)
De acordo com o Ministério do Trabalho, serão liberados R$ 12 bilhões a 12,2 milhões de trabalhadores; saiba quem tem direito a receber
Quando você é o técnico: Ibovespa busca motivos para subir em dia decisão de juros do BCE
Além do BCE, os investidores seguem de olho nas consequências da guerra comercial de Donald Trump
Mesmo mesmo com fim da exclusividade, Natura (NTCO3) negocia a venda da Avon Internacional com a IG4
A companhia segue avaliando alternativas para a divisão fora da América Latina, que podem incluir uma possível venda, parceria ou spinoff
Sondado para a presidência, Tarcísio é candidato preferido dos paulistas para seguir governando São Paulo, mostra pesquisa
O levantamento da Genial/Quaest mostrou que 55% dos eleitores avaliam que Tarcísio de Freitas merece ser reeleito para o cargo de governador de São Paulo. A pesquisa também consultou cidadãos de outros sete estados