🔴 RENDA FIXA ‘TURBINADA’: CONFIRA 3 TÍTULOS PARA BUSCAR RETORNOS COM A SELIC A 14,25% – ACESSE DE GRAÇA

Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Entrevista Exclusiva

Marcos Mollica, do Opportunity: Não dá para abraçar uma posição gigante e ficar esperando o cenário positivo se materializar

Gestor está otimista com Brasil, mas como trajetória não será linear, aproveita os momentos de pânico e euforia para montar e desmontar posições em bolsa e câmbio

Eduardo Campos
Eduardo Campos
22 de maio de 2019
5:13 - atualizado às 23:03
Marcos Mollica
Marcos Mollica, gestor do Opportunity Total Master - Imagem: Reprodução/YouTube

O gestor Marcos Mollica e sua equipe estão há cerca de um ano no comando de alguns dos primeiros fundos multimercados criados no país pelo Opportunity, o Total FIC e o Market. Em seu perfil no “Twitter”, exibe uma foto ao lado do lendário Milton Friedman, algo que remete à sua formação. É economista com PhD por Chicago e tem usado essa base em economia e outras habilidades obtidas quando foi tesoureiro do BTG para fazer seu modelo de gestão.

Conversei com Mollica na tarde de terça-feira, e ele me contou que seu cenário é otimista com Brasil, mas que mantém uma postura cautelosa já que estamos tendo uma série de dificuldades no lado político.

“Semana passada foi uma das piores semanas do governo, mas estamos com um cenário de que a reforma da Previdência vai avançar, apesar da falta de coordenação do governo”, disse.

Antes de discutirmos sobre política e economia, vamos falar mais um pouco do pânico da semana passada e de como o Mollica e sua equipe aproveitaram o movimento dos mercados para ampliar posição comprada em Bolsa e vendida em dólar, mas nada em volumes muito expressivos.

Segundo Mollica, como a visão da casa era mais pessimista, as posições estavam bem baixas. Então, o fundo aproveitou essa correção um pouco mais forte para se reposicionar. “Mas também não vamos ficar abraçados às posições se vermos o lado político piorando”, ponderou.

“Tínhamos entrado o mês com posições bastante leves e, na semana passada, que foi uma semana bastante difícil nos mercados, aproveitamos para comprar um pouco mais de bolsa e vender dólar. Nos aproveitamos da turbulência e, por enquanto, foi bom.”

Leia Também

Como o preço ajudou na semana passada, o fundo está mais um pouco mais “long Brasil”, mas como o mercado já andou bastante nos últimos dois dias, Mollica avalia que não teria mais tanta assimetria assim.

Estratégia em meio ao caos

Essa movimentação das últimas semanas mostra um pouco da estratégia que o fundo tem adotado. Segundo Mollica, a ideia não é ser reativo, mas sim ter espaço para tomar decisões com folga.

“O processo é turbulento. O cenário é de melhora, mas não é um processo linear. Será cheio de idas e vindas. Não dá para abraçar uma posição gigante e ficar esperando o cenário positivo se materializar. Tem que ser um pouco mais dinâmico e isso tem gerado bons retornos para nosso fundo”, afirmou.

Em 12 meses até abril, o Opportunity Total FIC FIM mostrava retorno de 8,92% ou 140,6% do CDI, o fundo foi criado em 2003. Como os últimos dias foram bons, o resultado em base mais recente deve ser mais elevado. O Market é praticamente o mesmo fundo, mas com 40% do risco, e está no mercado desde 1996.

Segundo Mollica, o que ele e sua equipe conseguiram fazer bem neste ano foi defender o forte resultado de janeiro, quando o ganho ficou na casa dos 4%.

“Quando o mercado embarcou no ultra otimismo de Ibovespa a 100 mil pontos, a gente baixou bem a bola e adotou essa postura mais cautelosa, mais dinâmica, diminuindo as posições no excesso de otimismo e procurando oportunidades para aumentar. Temos feito isso desde fevereiro e março e conseguirmos defender o resultado de janeiro, enquanto boa parte da indústria entregou, praticamente, todo o resultado do começo do ano”, explicou.

Para Mollica, um diferencial do fundo é essa postura mais dinâmica, de não estar “sentado nas posições, esperando as coisas se materializarem lá na frente, enquanto tem um monte de coisa acontecendo no curto prazo que estão tornando o cenário mais difícil”.

No entanto, Mollica gosta de deixar claro que “não somos curto prazistas”. Há um cenário estrutural forte, desenhado por ele e outros cinco economistas que fazem parte da equipe. A esse lado estrutural se soma um gerenciamento das posições de forma mais dinâmica.

“Apesar do cenário base ser um só, as coisas flutuam, o humor do mercado flutua, o cenário político complica. Temos de ser capazes de reagir às novas informações. Tem um blend interessante nesses fundos. Tem esse lado de economista muito forte, que vem da minha formação, mas tem essa parte de mercado, que conseguimos implementar e acompanhar com muita agilidade.”

Vamos ao cenário

Para Mollica, aparentemente, grande parte da classe política tem a percepção de que o país precisa sair do atoleiro e essa "afundada da economia", ao longo do primeiro trimestre, parece contribuir para criar um clima de urgência com relação às reformas.

Para o economista, as manifestações que aconteceram e que estão “ameaçando acontecer” também são elementos que colocam certa pressão na classe política.

“Acreditamos que isso vai acabar fazendo as coisas andarem. A reforma deve avançar mais rapidamente na Comissão Especial, criando a percepção de um período mais positivo. Mas vemos com certo ceticismo, ainda, a capacidade desse arranjo de conseguir os votos no plenário”, disse.

Por isso, há essa visão mais cautelosa para frente, pois se o governo não se engajar nessa batalha para aprovar a Previdência, a avaliação é de que o Congresso, sozinho, não tem os instrumentos para conseguir a aprovação.

“Lá no plenário, se o Executivo não estiver disposto a negociar, a coisa vai complicar novamente. Lá o jogo é mais difícil. Imagino que o Executivo participe mais do processo nesse ponto e de maneira legítima, sem nenhuma volta do toma lá, dá cá, mas com um processo de negociação legítima. Por isso que estamos observando como evolui esse jogo.”

Essa movimentação do Congresso, de levar adiante as reformas de maneira independente é encarada de forma positiva. Mas a situação ainda é “extremamente delicada”, pois a relação do Executivo com o Congresso ainda está sendo um pouco turbulenta e pode gerar muito ruído no mercado.

Segundo Mollica, uma coisa positiva que tem acontecido é que quando o ambiente escala para um nível perigoso, como vimos na semana passada e em março, geralmente temos uma reação positiva depois. Nesse último episódio, o Congresso tomou a inciativa com relação às reformas.

Para gestor, temos de ter em mente que temos um governo “que ainda está aprendendo” e que o contexto é diferente.

“As regras do jogo mudaram. O governo está deixando claro que foi eleito para mudar o padrão de negociação com o Congresso. Isso não vai se alterar. A questão é que ao acabar com esse caminho, não se propôs nada novo. E aí fica essa turbulência, cheio de idas e vindas. Estamos aprendendo como será o novo padrão. O potencial de ruído é bastante grande”, explicou.

Atividade, inflação e juros

Do lado econômico, Mollica avalia que talvez não tenhamos tanta novidade agora. O gestor disse que já tinha antecipado o risco de decepção com a atividade e, agora, já é meio consenso que o Produto Interno Bruto (PIB), muito provavelmente, vai crescer abaixo de 1% neste ano. “Sem mudança na confiança, acho difícil a economia retomar.”

No lado da inflação, a avaliação é de “cenário benigno”, apesar de choques temporários que possam ocorrer, como alimentos. “Com a atividade do jeito que está, acho muito difícil qualquer tipo de pressão.”

Com atividade fraca e inflação tranquila, Mollica acredita que ainda há espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) tirar a Selic dos atuais 6,5% ao ano.

“Temos algumas posições aplicadas em juro. Essa combinação de inflação baixa, atividade fraca e perspectiva de aprovar a Previdência cria um ambiente bastante propício para possíveis novos cortes da Selic. Como o mercado não tem nada precificado nisso, achamos que tem alguma assimetria aí.”

Câmbio

O fundo está bastante ativo no mercado de câmbio e, segundo Mollica, montou uma pequena posição vendida em dólar na semana passada. “Com o pânico da semana passada, achamos que deu uma certa distorcida.”

Segundo Mollica, as posições em taxa de câmbio têm sido as mais ágeis do fundo, sendo usadas até para defender outras posições mais otimistas com Brasil.

Cena externa

O ponto complicado lá fora é a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que atingiu um nível que chegou a "surpreender" na semana passada. Para Mollica, no estágio atual, deve ser difícil de vermos uma retomada nas negociações, o que vai gerar mais ruídos.

Mas para o gestor, o vetor que domina é a economia americana e ele não vê risco de desaceleração muito forte da atividade por lá. A economia deve recuar de forma controlada para um ritmo de crescimento de 2%, algo saudável para os EUA, com desemprego beirando mínimas históricas e num quadro sem inflação (que deixa todos intrigados).

Assim, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, deve ficar com o juro parado no patamar atual de 2,25% a 2,5% “até onde a vista alcança”, o que permite essa avaliação mais construtiva com a economia dos EUA e a manutenção de uma pequena posição comprada nas bolsas de lá.

“Os choques da guerra comercial preocupam, mas não vemos risco disso levar os EUA para uma recessão”, concluiu.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
IR 2025

Como declarar aposentadorias e pensões da Previdência Social no imposto de renda

27 de março de 2025 - 8:03

Aposentados e pensionistas da Previdência Social têm direito à isenção de imposto de renda sobre uma parte de seus rendimentos. Veja os detalhes de como declará-los no IR 2025

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde

26 de março de 2025 - 19:58

Para o investidor brasileiro, o “buy the dip” não só sustenta uma razão própria como pode funcionar também como instrumento de diversificação, especialmente quando associado às tecnologias de ponta

DESTAQUES DA BOLSA

Braskem (BRKM5) salta na bolsa com rumores de negociações entre credores e Petrobras (PETR4)

26 de março de 2025 - 14:06

Os bancos credores da Novonor estão negociando com a Petrobras (PETR4) um novo acordo de acionistas para a petroquímica, diz jornal

REAÇÃO AO RESULTADO

JBS (JBSS3): Com lucro em expansão e novos dividendos bilionários, CEO ainda vê espaço para mais. É hora de comprar as ações?

26 de março de 2025 - 11:26

Na visão de Gilberto Tomazoni, os resultados de 2024 confirmaram as perspectivas positivas para este ano e a proposta de dupla listagem das ações deve impulsionar a geração de valor aos acionistas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump

26 de março de 2025 - 8:22

Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair

conteúdo EQI

Dólar atinge o menor patamar desde novembro de 2024: veja como buscar lucros com a oscilação da moeda

26 de março de 2025 - 8:00

A recente queda do dólar pode abrir oportunidades estratégicas para investidores atentos; descubra uma forma inteligente de expor seu capital neste momento

DESTAQUES DA BOLSA

Não é só o short squeeze: Casas Bahia (BHIA3) triplica de valor em 2025. Veja três motivos que impulsionam as ações hoje

25 de março de 2025 - 16:10

Além do movimento técnico, um aumento da pressão compradora na bolsa e o alívio no cenário macroeconômico ajudam a performance da varejista hoje; entenda o movimento

conteúdo EQI

Selic em 14,25% ao ano é ‘fichinha’? EQI vê juros em até 15,25% e oportunidade de lucro de até 18% ao ano; entenda

25 de março de 2025 - 14:00

Enquanto a Selic pode chegar até 15,25% ao ano segundo analistas, investidores atentos já estão aproveitando oportunidades de ganhos de até 18% ao ano

DESTAQUES DA BOLSA

É hora de comprar a líder do Ibovespa hoje: Vamos (VAMO3) dispara mais de 17% após dados do 4T24 e banco diz que ação está barata

25 de março de 2025 - 12:42

A companhia apresentou os primeiros resultados trimestrais após a cisão dos negócios de locação e concessionária e apresenta lucro acima das projeções

GANHANDO POPULARIDADE

Hapvida (HAPV3) salta na B3 com Squadra reforçando o apetite pela ação. É o nascer de uma nova favorita no setor de saúde?

25 de março de 2025 - 12:36

A Squadra Investimentos adquiriu 388.369.181 ações HAPV3, o equivalente a 5,15% da companhia de saúde

TÁ NA ATA

Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar

25 de março de 2025 - 12:10

Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo

SD Select

Com a Selic a 14,25%, analista alerta sobre um erro na estratégia dos investidores; entenda

25 de março de 2025 - 10:00

A alta dos juros deixam os investidores da renda fixa mais contentes, mas este momento é crucial para fazer ajustes na estratégia de investimentos na renda variável, aponta analista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom

25 de março de 2025 - 8:13

Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte

25 de março de 2025 - 6:39

Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Dedo no gatilho

24 de março de 2025 - 20:00

Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.

SELEÇÃO NATURAL NO IBOV

Direcional (DIRR3) é grande aposta para entrada no Ibovespa e Automob (AMOB3) pode ter uma chance, segundo o BTG Pactual

24 de março de 2025 - 19:35

Enquanto a construtora apresenta bons números, a rede de concessionárias vai precisar tentar um grupamento de ações para se manter

DEPOIS DE UMA DÉCADA

Goldman Sachs de saída da Oncoclínicas? Banco vende maior parte da fatia em ONCO3 para gestora de private equity; operação reacende discussão sobre OPA

24 de março de 2025 - 14:45

O banco norte-americano anunciou a venda de 102.914.808 ações ordinárias ONCO3, representando 15,79% do capital social total da Oncoclínicas

DEPOIS DO SUSTO

Investir em Petrobras ficou mais arriscado, mas ainda vale a pena colocar as ações PETR4 na carteira, diz UBS BB

24 de março de 2025 - 14:16

Mesmo com a visão positiva, o UBS BB cortou o preço-alvo para a petroleira estatal, de R$ 51,00 para os atuais de R$ 49,00

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano

24 de março de 2025 - 8:05

Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias

PÍLULA DE VENENO

Sem OPA na Oncoclínicas (ONCO3): Empresa descarta necessidade de oferta pelas ações dos minoritários após reestruturação societária

23 de março de 2025 - 14:05

Minoritários pediram esclarecimentos sobre a falta de convocação de uma OPA após o Fundo Centaurus passar a deter uma fatia de 16,05% na empresa em novembro de 2024

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar