Em decisão do Copom investigada, BC ampliou comunicado para se justificar
De sete dirigentes do BC, cinco votaram pelo corte da Selic em 0,50 ponto porcentual. Outros dois defenderam a manutenção dos juros, como esperava o mercado

A decisão dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de agosto de 2011, que está sendo investigada pela Polícia Federal, não foi unânime. De sete dirigentes do BC, cinco votaram pelo corte da Selic (a taxa básica da economia) em 0,50 ponto porcentual, para 12,00% ao ano. Outros dois defenderam a manutenção dos juros, como esperava o mercado financeiro. Eles foram voto vencido. Para se justificar na época, o Copom decidiu publicar um comunicado mais extenso que o de costume.
Ao cortar a Selic para 12,00% ao ano em agosto de 2011, o Copom - formado pelo presidente da autarquia e por seis diretores - surpreendeu o mercado financeiro. De 72 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast na época, todas esperavam estabilidade dos juros. Nenhuma projetava corte.
Na manhã desta quinta-feira, o Ministério Público Federal em São Paulo e Polícia Federal deflagraram a operação Estrela Cadente, que investiga supostos vazamentos das decisões do Copom que teriam favorecido um fundo de investimento administrado pelo BTG Pactual nos anos de 2010, 2011 e 2012.
Uma das decisões que estão no foco é justamente a de agosto de 2011. Como informou o Blog do Fausto Macedo, o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antonio Palocci, afirmou em delação premiada que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega teria participado de uma reunião com o presidente do BC à época, Alexandre Tombini, e a ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, Tombini teria informado a posição do BC em reduzir, pela primeira vez em dois anos, a Selic. Mantega então teria repassado a informação privilegiada ao banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, comunicando sobre a futura posição do BC em baixar a Selic. O empresário, por sua vez, teria realizado, segundo a delação de Palocci, "diversas operações no mercado financeiro, obtendo lucros muito acima da média dos outros operadores financeiros".
Dentro do Copom, a decisão de agosto de 2011 de cortar a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 12,00% ao ano, foi tomada por cinco dos sete dirigentes do BC. Dois dirigentes voltaram pela manutenção, mas não é possível saber quem foram eles. Na época, o colegiado não publicava o voto de cada um dos dirigentes, mas apenas se a decisão havia sido unânime ou dividida, informando o placar. Apenas posteriormente o BC passou a abrir o voto dos participantes.
Em agosto de 2011, além de Tombini, faziam parte do Copom os diretores Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton, Luiz Awazu e Sidnei Corrêa Marques. Nenhum deles faz mais parte do colegiado.
Leia Também
Para justificar a decisão inesperada na época, o Copom publicou um comunicado mais longo que o de costume. Até então, os comunicados do Copom tinham apenas uma frase, indicando a decisão sobre juros e passando informações telegráficas sobre o que havia sido levado em conta. O comunicado de julho de 2011, por exemplo, teve um parágrafo e 28 palavras.
Em agosto de 2011, porém, o comunicado do Copom trouxe quatro parágrafos e 308 palavras. Em sua justificativa, o colegiado citou uma "deterioração substancial" no cenário internacional como motivo para baixar os juros no Brasil. Na época, fonte ouvida pelo Broadcast afirmou que o colegiado havia apostado que o agravamento da crise internacional afetaria o País.
O Banco Central foi procurado nesta quinta para comentar a investigação do MPF-SP e da Polícia Federal. Por meio de nota, o BC limitou-se a dizer que "não foi comunicado sobre o conteúdo da Operação Estrela Cadente, que corre sob segredo de Justiça".
Já o BTG Pactual afirmou que o fundo Bintang FIM, alvo da operação Estrela Cadente, possuía um único cotista, pessoa física e profissional do mercado financeiro que também era o gestor credenciado junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com o BTG Pactual, tal cotista "nunca foi funcionário do BTG Pactual ou teve qualquer vínculo profissional com o Banco ou qualquer de seus sócios".
"O Banco BTG Pactual exerceu apenas o papel de administrador do referido fundo, não tendo qualquer poder de gestão ou participação no mesmo", disse a instituição financeira.
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Agenda econômica: Ata do Copom, IPCA-15 e PIB nos EUA e Reino Unido dividem espaço com reta final da temporada de balanços no Brasil
Semana pós-Super Quarta mantém investidores em alerta com indicadores-chave, como a Reunião do CMN, o Relatório Trimestral de Inflação do BC e o IGP-M de março
Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?
Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção
Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom
Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais
Renda fixa mais rentável: com Selic a 14,25%, veja quanto rendem R$ 100 mil na poupança, em Tesouro Selic, CDB e LCI
Conforme já sinalizado, Copom aumentou a taxa básica em mais 1,00 ponto percentual nesta quarta (19), elevando ainda mais o retorno das aplicações pós-fixadas
Copom não surpreende, eleva a Selic para 14,25% e sinaliza mais um aumento em maio
Decisão foi unânime e elevou os juros para o maior patamar em nove anos. Em comunicado duro, o comitê não sinalizou a trajetória da taxa para os próximos meses
De volta à Terra: Ibovespa tenta manter boa sequência na Super Quarta dos bancos centrais
Em momentos diferentes, Copom e Fed decidem hoje os rumos das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos
A decisão é o que menos importa: o que está em jogo na Super Quarta com as reuniões do Copom e do Fed sobre os juros
O Banco Central brasileiro contratou para hoje um novo aumento de 1 ponto para a Selic, o que colocará a taxa em 14,25% ao ano. Nos EUA, o caminho é da manutenção na faixa entre 4,25% e 4,50% — são os sinais que virão com essas decisões que indicarão o futuro da política monetária tanto aqui como lá
Até onde vai a alta da Selic — e como investir nesse cenário? Analista vê juros de até 15,5% e faz recomendações de investimentos
No episódio da semana do Touros e Ursos, Lais Costa, da Empiricus Research, fala sobre o que esperar da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, após a Super Quarta
Super Quarta no radar: saiba o que esperar das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e como investir
Na quarta-feira (19), os bancos centrais do Brasil e dos EUA devem anunciar suas decisões de juros; veja o que fazer com seus investimentos, segundo especialistas do mercado
Não é um pássaro (nem um avião): Ibovespa tenta manter bom momento enquanto investidores se preparam para a Super Quarta
Investidores tentam antecipar os próximos passos dos bancos centrais enquanto Lula assina projeto sobre isenção de imposto de renda
Mais uma Super Quarta vem aí: dois Bancos Centrais com níveis de juros, caminhos e problemas diferentes pela frente
Desaceleração da atividade econômica já leva o mercado a tentar antecipar quando os juros começarão a cair no Brasil, mas essa não é necessariamente uma boa notícia
Alívio para Galípolo: Focus traz queda na expectativa de inflação na semana da decisão do Copom, mas não vai evitar nova alta da Selic
Estimativa para a inflação de 2025 no boletim Focus cai pela primeira vez em quase meio ano às vésperas de mais uma reunião do Copom
O rugido do leão: Ibovespa se prepara para Super Semana dos bancos centrais e mais balanços
Além das decisões de juros, os investidores seguem repercutindo as medidas de estímulo ao consumo na China
Agenda econômica: Super Quarta vem acompanhada por decisões de juros no Reino Unido, China e Japão e a temporada de balanços segue em pleno vapor
Além dos balanços e indicadores que já movimentam a agenda dos investidores, uma série de decisões de política monetária de bancos centrais ao redor do mundo promete agitar ainda mais o mercado
O lado bom do IPCA ruim: inflação acelera em fevereiro, mas reforça visão de que Galípolo e Campos Neto acertaram com a Selic
IPCA acelera de +0,16% em janeiro para +1,31% em fevereiro e inflação oficial atinge o nível mais alto para o mês em 22 anos
O último pibão de Lula? Economia brasileira cresce 3,4% em 2024, mas alta dos juros já cobra seu preço
Depois de surpreender para cima nos primeiros trimestres de 2024, PIB cresce menos que o esperado na reta final do ano
Nem Galípolo escapou: Ação do Magazine Luiza (MGLU3) salta na B3 em meio a críticas de Luiza Trajano aos juros altos
A empresária pediu ao presidente do Banco Central que não antecipe novas altas na Selic, que hoje encontra-se no patamar de 13,25% ao ano
‘O barco vai balançar’: Galípolo prevê mercado mais agitado com fim do guidance do BC e indica inflação fora da meta
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, participou do primeiro evento desde a posse no cargo e comentou sobre a rota dos juros no Brasil