Mercado se ajusta aos BCs
Fed sinaliza pausa no ciclo de cortes e Copom indica mais uma queda na Selic em dezembro

Enquanto o Federal Reserve (Fed) sinalizou que não deve mexer nos juros norte-americanos tão cedo, o Comitê de Política Monetária (Copom) foi bem claro ao indicar que haverá mais um corte de 0,50 ponto na Selic em dezembro, após reduzir a taxa para 5% ontem. Depois, porém, o Banco Central brasileiro também pode encerrar o ciclo.
E o mercado financeiro faz os ajustes necessários a esses prognósticos neste último pregão do mês. Lá fora, os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em alta e o dólar, em queda. O mercado não gostou da sinalização feita por Jerome Powell, presidente do Fed, em seu discurso de ontem. Apesar de ele ter anunciado mais um corte na taxa de juros, Powell indicou que fará uma parada técnica na política de cortes. Ele disse que agora é necessária uma “mudança material” para justificar outro corte na taxa de juros norte-americana.
Segundo ele, o Fed irá adotar a postura de “esperar para ver” como a economia dos Estados Unidos reage à terceira redução seguida no custo do empréstimo no país. Ainda assim, muitos esperam uma retomada do ciclo de cortes em 2020, diante da expectativa de desaceleração da atividade no ano que vem, o que mantém o apetite por risco elevado.
Já o BC do Japão (BoJ) disse hoje, ao final da reunião de política monetária, que vai manter a taxa de juros baixa (ou ainda menor), mas sem dar nenhuma pista. Aliás, a sessão na Ásia foi mista - o que contamina a abertura do pregão europeu - com Tóquio e Hong Kong subindo, enquanto Xangai caiu, reagindo à queda da atividade manufatureira na China para o menor nível em oito meses.
Entre atividade e BCs
O índice oficial dos gerentes de compras (PMI) da indústria chinesa caiu a 49,3 em outubro, de 49,8 em setembro, seguindo abaixo do território que indica expansão da atividade pelo sexto mês seguido. A previsão era de estabilidade no dado. Já o PMI chinês sobre o setor de serviços caiu ao menor nível desde fevereiro de 2016, a 52,8, de 53,7, no período.
Os números elevaram a preocupação quanto à perda de tração da segunda maior economia do mundo, ao passo que as esperanças de um acordo comercial sofreram novo revés. O cancelamento da cúpula de países da Ásia-Pacífico, que aconteceria no Chile no mês que vem, deixou dúvidas quanto à assinatura de um acordo de primeira fase entre EUA e China.
Leia Também
E mesmo que um acordo comercial fosse alcançado, impedindo a adoção de novas tarifas, isso provavelmente não ajudaria a economia chinesa. É necessário um esforço adicional de Pequim para estimular a atividade, que vem sofrendo pressão descendente. A flexibilização monetária por outros bancos centrais pode levar o BC chinês (PBoC) a agir.
No Brasil, a principal mensagem deixada pelo Copom ontem é de que o “cenário benigno” da inflação deve permitir um “ajuste adicional, de igual magnitude” na Selic na última reunião deste ano, em dezembro, quando, então, o ciclo de cortes deve chegar ao fim, tendo em vista a recuperação mais intensa da economia doméstica.
Essa sinalização surpreendeu aqueles que achavam que o juro básico brasileiro poderia cair ainda mais no início do ano que vem, indo a 4% ou menos. Com isso, cabe um ajuste hoje no mercado doméstico, principalmente na curva de juros futuros, respingando o movimento no comportamento do dólar e da Bolsa brasileira. Ontem, a moeda norte-americana voltou a fechar abaixo de R$ 4,00, enquanto o Ibovespa cravou novo recorde histórico.
Agenda segue cheia
A agenda econômica desta quinta-feira segue carregada no Brasil e no exterior. Por aqui, destaque para os dados sobre o mercado de trabalho no país, atualizados até setembro.
Apesar da previsão de queda na taxa de desocupação para 11,6%, o total de pessoas em busca de emprego deve seguir levemente abaixo de 13 milhões, ao passo que a informalidade tende a continuar em níveis históricos, somando mais de 35 milhões de pessoas que ou trabalham sem carteira assinada ou por conta própria.
Os números efetivos serão divulgados às 9h pelo IBGE. Depois, às 10h30, o Banco Central publica a nota de política fiscal, com os dados consolidados do setor público em setembro. Na safra de balanços, merecem atenção os resultados trimestrais do banco Bradesco e da companhia área Gol, antes da abertura do pregão local.
Já no exterior, o calendário norte-americano traz os dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo em setembro, às 9h30, juntamente com o índice de preços PCE. No mesmo horário, saem os pedidos semanais de seguro-desemprego feitos nos EUA.
Logo cedo, na zona do euro, saem as leituras preliminares do índice de preços ao consumidor (CPI) em outubro e do Produto Interno Bruto (PIB) na região no terceiro trimestre deste ano. Também será conhecida a taxa de desemprego na zona do euro em setembro.
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Boletim Focus mantém projeção de Selic a 15% no fim de 2025 e EQI aponta caminho para buscar lucros de até 18% ao ano; entenda
Com a Selic projetada para 15% ao ano, investidores atentos enxergam oportunidade de buscar até 18% de rentabilidade líquida e isenta de Imposto de Renda
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital
O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado
Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária