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Olivia Bulla

Olivia Bulla

Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).

A Bula do Mercado

Tempo fecha no mercado

Ausência de novos desdobramento da guerra comercial deixa exterior sem rumo, enquanto BC brasileiro atua firme para conter escalada do dólar

Olivia Bulla
Olivia Bulla
28 de agosto de 2019
5:31 - atualizado às 6:15
Confiança no mercado segue fragilizada, sinalizando que volatilidade veio para ficar

A volatilidade no mercado financeiro tende a permanecer relativamente alta, com os investidores com a sensação de que se formou uma tempestade perfeita. A guerra comercial entre Estados Unidos e China seria apenas mais um fator desse fenômeno, que conta ainda com ruídos políticos no Brasil e risco de recessão global.

Por isso, o exterior amanhece sem um rumo definido para o dia, com os investidores cientes de que momentos de calmaria no noticiário foram rapidamente preenchidos por abruptas reviravoltas, deixando os negócios num vaivém de gangorra. A recorrente mudança de tom do presidente norte-americano, Donald Trump, tem sido um dos principais motivos.

Mas a China também está preparada para o pior na guerra comercial e ficou surpresa com a informação dada por Trump, na segunda-feira, de que teria telefonado para Washington para reiniciar as negociações. A notícia fez Pequim colocar a credibilidade de Trump em xeque e ninguém sabe qual rumo a questão comercial vai tomar.

Com isso, uma nuvem carregada de dúvida em relação ao comércio paira no ar e pesa nos mercados. As bolsas da Ásia encerraram a sessão com poucas variações e sem uma direção definida, ao passo que as principais praças europeias amanheceram no vermelho. Em Nova York, o sinal positivo tenta prevalecer timidamente.

Já o petróleo avança, em meio a relatos de queda nos estoques norte-americanos da commodity, enquanto o dólar mede forças em relação às moedas rivais. O euro está estável, assim como o iene, enquanto a libra esterlina cai, diante das dificuldades do Reino Unido em retomar as negociações com a União Europeia (UE) sobre o Brexit.

Mas é a disputa tarifária entre as duas maiores economias do mundo que deve continuar ditando o ritmo dos mercados internacionais, sendo que a ausência de novos desdobramentos deixam os negócios sem rumo. Os investidores ainda estão tentando ter uma ideia do cenário, à medida que se aproxima o prazo para novas tarifas contra produtos chineses e norte-americanos no fim desta semana.

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Enquanto, se espera uma retomada das negociações comerciais é preciso estar preparado para um novo estresse, já que a chance de um acordo segue remota. E essa perspectiva vem afetando o desempenho da economia global, com a “louca” curva de rendimento invertida sinalizando que a recessão bate à porta dos EUA, diante da retórica protecionista de Trump.

Talvez seja preciso mais do que a estratégia “morde-assopra” para mudar essa situação, com a China também falando em concessões de Washington e não apenas concordando com demandas unilaterais e tarifas mais altas. Além disso, os investidores têm de lidar com os ataques de Trump ao Federal Reserve, obscurecendo o cenário de juros nos EUA.

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Ou seja, nada novo e muito receio no front externo, o que mantém a confiança nos mercados fragilizada, sinalizando que a volatilidade veio para ficar. Esse sentimento eleva a percepção de risco entre os investidores, que penalizam, principalmente, os ativos emergentes.

E o Brasil tem sido alvo fácil, com o cenário de juros baixos - e inflação e atividade fracas - sendo um convite para a saída do capital externo do país. A escalada do dólar para perto da máxima histórica, em termos de fechamento, colada à faixa de R$ 4,20, durante a sessão de ontem fez o Banco Central ousar ainda mais.

Pela primeira vez desde 2009, a autoridade monetária realizou uma oferta de dólares das reservas internacionais, vendendo US$ 1 bilhão no mercado à vista. O leilão genuíno, sem uma operação conjugada no mercado futuro, acendeu o sinal de alerta, com os investidores receosos de que o nível elevado do câmbio possa colocar em risco novos cortes na Selic.

Tanto que rapidamente a curva local de juros futuros recompôs boa parte dos prêmios, sendo que o vencimento de longo prazo mais líquido, de 2025, voltou a projetar taxa acima de 7%. Aos olhos do mercado, por mais que o cenário local exija novas quedas nos juros básicos, o BC parece incomodado com o nível do dólar, o que pode adiar, interromper ou encurtar o ciclo de corte. Talvez, então, cabe mais um ajuste de 0,50 ponto - e só.

Afinal, o ambiente para os países emergentes agora é diferente. Diante disso, o Banco Central já anunciou nova intervenção no mercado de câmbio hoje, realizando leilões nas quatro frentes: à vista, swap reverso, swap tradicional e de linha. Tudo isso para evitar uma disparada do dólar, às vésperas da formação da taxa Ptax do mês.

Mais um dia de agenda fraca

A quarta-feira segue com poucos destaques na agenda econômica. Lá fora, serão conhecidos apenas os estoques semanais de petróleo bruto e derivados nos EUA (11h30). Por aqui, o ponto alto do calendário fica com as publicações do Banco Central sobre as operações de crédito em julho (10h30) e a entrada e saída de dólares do país (14h30).

Logo cedo, sai o índice de confiança no setor de serviços em agosto (8h). No front político, merece atenção a leitura do relatório da reforma da Previdência na CCJ do Senado, a partir das 11 horas. Ontem, o relator Tasso Jereissati sugeriu uma PEC “paralela” para incluir estados e municípios na proposta, além de outras alterações.

O objetivo dessa proposta paralela é agilizar a implementação das novas regras para aposentadoria, evitando que o texto retorne à Câmara. Com as mudanças previstas, haveria uma economia fiscal adicional de R$ 505 bilhões em dez anos, elevando o impacto total no período para R$ 1,350 trilhão.

A previsão é de que o texto seja votado, em segundo turno no plenário do Senado, em outubro, até o dia 10, deixando a conclusão final da reforma da Previdência apenas para o início do último trimestre deste ano.

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