Foi dada a largada
Entrega da proposta do governo para a reforma da Previdência marca o ponto de partida para as negociações no Congresso

Em um movimento clássico, o mercado financeiro realizou no fato ontem - quando o texto da reforma da Previdência foi, enfim, conhecido - depois de ter subido - e muito - no boato. Os investidores ajustaram os preços dos ativos locais enquanto digeriam a proposta, ao mesmo tempo em que calibram as as expectativas em relação à aprovação no Congresso.
Agora, o foco dos negócios se volta para a articulação política do governo para buscar os votos necessários. E o mercado doméstico vai oscilar ao sabor do noticiário vindo de Brasília, uma vez que será preciso um trabalho árduo do Palácio do Planalto para formatar melhor sua base de apoio, após os ruídos políticos neste início de semana.
O conteúdo abrangente da proposta de reforma elaborado pela equipe econômica impressiona, o que eleva a expectativa do mercado financeiro pela aprovação do texto logo. O problema é que a discussão da matéria entre deputados e senadores podem levar mais tempo, abrindo espaço para a diluição de alguns pontos ao longo dessa negociação.
Mas há “gordura para queimar”, sem prejudicar, em muito, a versão final. Uma vez que a reforma surpreendeu pela abrangência - ao incluir uma idade mínima para a aposentadoria, uma redução na “generosidade” da assistência social e a inclusão de regimes especiais, dando fim à pensão por tempo de contribuição, há muitas margens de manobra no texto.
De um modo geral, então, a proposta de reforma é bem ambiciosa e visa uma poupança robusta para os cofres do governo em um prazo de dez anos, em torno de R$ 1 trilhão. Na melhor das hipóteses, se cerca de 60% do texto revelado ontem for mantido, a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) deve atingir ao redor de 110% até 2030.
Agora é que são elas
No entanto, a proposta do governo apenas marca o ponto de partida para as negociações de uma nova Previdência no Congresso. Ainda não se sabe como os parlamentares irão receber o tema, mas sabe-se que a maior renovação da Câmara e do Senado desde a redemocratização deu ênfase mais a políticas sociais do que econômica.
Leia Também
E isso tende a ser um grande obstáculo ao Palácio do Planalto. O presidente terá de saber lidar com sua ampla base de apoio, uma vez que Bolsonaro está apostando “todas as fichas em um único lance”. E o Legislativo sabe que a proposta da Previdência é mais que uma reforma. É o próprio governo que está em jogo.
Ainda assim, a expectativa é de que a reforma da Previdência irá passar no Congresso. A proposta do governo tem chances de ser aprovada, mas vai depender da capacidade de articulação do Executivo com os parlamentares. O trâmite ainda é inicial e é preciso estar atento à estratégia do Palácio do Planalto para aglutinar votos.
Mão dupla
Já no exterior, os mercados estão atentos às negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Representantes do alto escalão dos dois países reúnem-se hoje, em Washington, em um encontro-chave às vésperas do prazo final para o fim da trégua tarifária, no início do mês que vem.
Enquanto as lideranças dos dois países afirmam que “progressos” têm sido feito, declarações dos dois lados deixam dúvidas quanto a um acordo final abrangente, endereçando questões estruturais. Para Pequim, os EUA estão em campanha para isolar empresas chinesas de tecnologia, como a Huawei.
De fato, o governo Trump está tentando convencer os aliados europeus a banir a gigante de tecnologia chinesa da suas redes de informação 5G, citando riscos de segurança nacional. Na semana passada, o secretário de Estado, Mike Pompeo, alertou sobre as conseqüências para os países que não seguirem a linha de Washington sobre o assunto.
Até agora, não há sinais de que os EUA estejam dispostos a recuar dessa posição linha-dura, o que pode desgastar ainda mais a relação com a Europa, que já está em embate com a Casa Branca por causa da taxação de veículos. Do lado chinês, o governo avalia que um acordo comercial sino-americano não pode colocar todo o ônus em Pequim.
Ou seja, a linguagem dura de Trump, para ser considerada justa, também precisa estar vinculada às práticas norte-americanas de comércio, de modo a também atender às queixas chinesas. Tem-se, então, um desafio de ser criar uma posição igual entre as duas maiores economias do mundo sobre temas ligados ao desenvolvimento econômico à frente.
Há esperança
Ainda assim, os mercados internacionais amanheceram animados nesta quinta-feira, em meio a relatos de que EUA e China começam a esboçar um acordo para acabar com a guerra comercial. Fontes próximas ao assunto afirmam que o acordo elaborado alcança seis áreas principais, relacionadas à transferência de tecnologia e crime cibernético, propriedade intelectual, serviços, moeda, agricultura e barreiras não-tarifárias.
Aos olhos dos investidores, trata-se do progresso mais significativo feito até agora entre os dois países, após meses de negociações. Porém, as principais bolsas asiáticas encerraram a sessão sem muito ímpeto, com Xangai registrando leves perdas (-0,3%), enquanto Hong Kong subiu 0,3% e Tóquio ficou levemente no positivo (+0,15%). Já em Nova York, os índices futuros estão no azul, sinalizando um dia de ganhos e embalando o pregão europeu.
Ainda assim, não está claro como será o mecanismo de fiscalização na questão tecnológica, mas se houver violação entre as partes, provavelmente as sobretaxas em produtos voltam a ser impostas. Além disso, nenhum avanço é esperado durante as negociações desta semana em Washington sobre as principais questões estruturais, mas há um esforço em andamento para estender o prazo da trégua tarifária, em 1 de março.
Amanhã, o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, principal negociador do lado da China, deve se encontrar com o presidente Trump. De volta aos mercados, o dólar mede forças em relação às moedas rivais, perdendo terreno para o yuan chinês e as divisas europeias, mas avançando em relação ao iene e algumas emergentes, como o dólar australiano. Já o petróleo é negociado em alta, diante da queda dos estoques nos EUA.
O apetite por ativos de risco também é impulsionado pela mensagem do Federal Reserve, que tranquilizou os investidores ao divulgar a ata da reunião de janeiro, dizendo, como esperado, que será “paciente” quanto a aumentos na taxa de juros norte-americana, em meio à incerteza econômica. Hoje, é a vez da ata da reunião de política monetária de janeiro do Banco Central Europeu (BCE), às 9h30.
Agenda ganha força
O calendário econômico, enfim, ganha força nesta quinta-feira. O destaque no Brasil fica com a prévia de fevereiro da inflação oficial ao consumidor brasileiro. A previsão é de que o IPCA-15 praticamente repita as leituras apuradas no mês anterior, com alta de 0,3% em relação ao janeiro e uma taxa acumulada de 3,8% em 12 meses. Os números efetivos serão conhecidos às 9h.
Já no exterior, destaque para os indicadores preliminares sobre a atividade nos setores industrial e de serviços nos Estados Unidos neste mês, pela manhã. A agenda norte-americana traz também dados semanais de auxílio-desemprego (10h30), indicadores antecedentes e do setor imobiliário em janeiro (12h), além dos estoques semanais de petróleo bruto e derivados (13h). Na Europa, também serão conhecidos dados de atividade.
O combo do mal: dólar dispara mais de 3% com guerra comercial e juros nos EUA no radar
Investidores correm para ativos considerados mais seguros e recaculam as apostas de corte de juros nos EUA neste ano
Mark Zuckerberg e Elon Musk no vermelho: Os bilionários que mais perdem com as novas tarifas de Trump
Só no último pregão, os 10 homens mais ricos do mundo perderam, juntos, em torno de US$ 74,1 bilhões em patrimônio, de acordo com a Bloomberg
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%