China agita mercado, em dia de feriado nos EUA
Setembro começa com um feriado nos EUA, mas nova rodada de tarifas na guerra comercial e dados de atividade na China agitam o dia de negócios

O feriado nos Estados Unidos (Labor Day) nesta segunda-feira drena a liquidez no mercado financeiro logo na chegada do novo mês. Mas nem por isso setembro começa em ritmo lento, já que entraram em vigor ontem nova tarifas dos Estados Unidos contra US$ 110 bilhões em produtos chineses, seguida da respectiva retaliação de Pequim. Isso somado aos dados de atividade na China em agosto tende a agitar os negócios hoje.
Na leitura oficial, o índice dos gerentes de compras (PMI) da indústria chinesa seguiu em território de contração pelo quarto mês seguido, caindo a 49,5 em agosto, de 49,7 em julho e ante previsão de recuo menor, a 49,6. Já o índice PMI calculado pelo Caixin mostrou recuperação para o maior nível em cinco meses, a 50,4 no mês passado, de 49,9.
Enquanto o índice oficial, que abrange mais de 3 mil fábricas, mostrou demanda fraca, o Caixin, que também monitora as manufaturas menores, apontou melhoria da produção. Já no setor de serviços, o PMI oficial subiu a 53,8 em agosto, de 53,7 em julho. Em reação, apenas a Bolsa de Xangai registrou ganhos hoje (+1,3%).
As demais praças na Ásia foram afetadas pela cobrança de tarifas adicionais em produtos chineses e norte-americanos, que começou ontem (leia mais abaixo). Hong Kong (-0,4%) também foi impactada por uma nova onda de protestos violentos, que bloqueou o acesso ao aeroporto da ilha e danificou estações de trem e de ônibus.
No Ocidente, a ausência do pregão em Wall Street deixa as bolsas europeias à deriva, tentando se apoiar na ligeira alta em Nova York ao final da semana passada. Os mercados acionário e de bônus norte-americanos permanecerão fechados, o que reduz o volume de negócios pelo mundo e eleva o tom de cautela entre os investidores. O dólar, por sua vez, ganha força, enquanto o petróleo cai e o minério de ferro dispara.
Guerra comercial avança
Os números mistos sobre a atividade mostram o quanto a guerra comercial tem afetado a economia chinesa, mas não necessariamente significam que Pequim irá fechar um acordo com Washington a qualquer preço. Aliás, não é apenas a China que vem sofrendo com a disputa tarifária. Desta vez, empresas e consumidores norte-americanos podem ficar mais vulneráveis à rodada de tarifas.
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Afinal, o imposto de 15% fixado pelos EUA atinge bens de consumo que variam de calçados e roupas, além de afetar também produtos de tecnologia, como o Apple Watch. Outros US$ 160 bilhões de produto chineses terão aumento de mesma magnitude em 15 de dezembro, atingindo, aí, outras mercadorias eletrônicas, como laptops e celulares. Já a retaliação chinesa afeta produtores de soja e de carnes suína, bovina e de frango - por ora.
Mas enquanto grupos empresariais clamam por uma trégua na guerra comercial, o presidente dos EUA, Donald Trump, segue disposto em levar a disputa adiante, sob o argumento de que a China - e não o EUA - estão “pagando” pelas tarifas. Segundo ele, as negociações cara a cara entre os dois países programadas para este mês seguem em andamento, mas ainda não há detalhes sobre quando o encontro acontecerá.
De qualquer forma, Trump mantém a linha dura e diz que não se pode permitir mais que a China continue “enganando” os EUA. Pequim, por sua vez, critica as táticas de pressão vindas da Casa Branca, dando sinais de que o governo chinês está se preparando para um confronto prolongado. Afinal, Trump quer manter as tarifas em vigor até ter certeza de que a China está cumprindo qualquer acordo - e não é isso o que a China quer.
Para saber mais, leia em A Bula da Semana.
Bolsonaro fora de combate
No Brasil, a semana que pode ser decisiva para a reforma da Previdência na CCJ do Senado, que deve ser votada na quarta-feira, começa com um revés em Brasília. O presidente Jair Bolsonaro passará por uma nova cirurgia no abdome, a quarta desde a facada sofrida por ele durante a campanha eleitoral de 2018.
O procedimento será realizado no domingo (dia 8) e deve deixar Bolsonaro afastado das atividades por aproximadamente 10 dias. A necessidade da cirurgia foi constatada após uma consulta de rotina, ocorrida ontem, no aeroporto de Congonhas, quando se verificou a necessidade de corrigir uma “hérnia incisional” no local das últimas intervenções.
Com isso, o noticiário político tende a perder força, já que, se aprovada na CCJ do Senado, a proposta de novas regras para aposentadoria só deve ser incluída na pauta de votação no plenário da Casa na última semana de setembro. Se aprovada, o segundo turno é esperado para até 10 de outubro.
É bom lembrar que o progresso da reforma da Previdência no Congresso foi um gatilho positivo aos ativos locais e um bom amortecedor do impacto da piora das condições externas. Agora, diante da ausência de novos gatilhos positivos, o Brasil fica à deriva do cenário global, ainda mais no caso de um agravamento da tensão comercial.
A percepção é de que o crescimento econômico ainda fraco, em meio a um cenário externo hostil, reduz as oportunidades no mercado doméstico, principalmente na Bolsa brasileira. Ainda mais diante das discussões sobre como um dólar valorizado, que há duas semanas é cotado acima de R$ 4,00, pode atrapalhar o ciclo de cortes nos juros básicos.
Aliás, o relatório de mercado Focus, do Banco Central (8h30), pode trazer revisões nas estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB), para as taxas de câmbio e Selic, após os eventos ocorridos na semana passada. Trata-se do grande destaque da agenda do dia, que traz também o desempenho da balança comercial em agosto (15h).
Também merece atenção a decisão do governo Macri de impor controle de capital para interromper a evasão de divisas da Argentina, com o país à beira de um calote. O governo decretou restrições à compra de dólares, limitando a US$ 10 mil ao mês por pessoa, e obrigou exportadores a liquidarem operações em cinco dias, repatriando recursos externos.
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