🔴 ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES DE GRAÇA – ACESSE AQUI

Olivia Bulla

Olivia Bulla

Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).

A Bula da Semana

A Bula da Semana: Guerra Comercial Domina Agosto

Mês começou com sobretaxa dos EUA em US$ 300 bilhões de produtos chineses e termina com retaliação de Pequim enfurecendo Trump

Olivia Bulla
Olivia Bulla
26 de agosto de 2019
5:25
Trump assume preferência por tarifas cada vez mais altas e China não parece disposta em terminar a guerra

Agosto vai chegando ao fim praticamente do mesmo jeito que começou, com a guerra comercial dominando a cena e trazendo muita incerteza ao mercado financeiro. Quando no primeiro dia do mês o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova rodada de tarifas contra US$ 300 bilhões em produtos chineses, era esperado que houvesse uma retaliação por parte da China.

Mas não se imaginava que Pequim iria elevar a disputa no dia em que a atenção estava voltada para a cidade de Jackson Hole, nas montanhas do Wyoming, onde o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, discursaria. A mensagem vaga de “Jay” e a decisão do governo chinês enfureceram Trump, abalando os mercados globais na sexta-feira.

E a última semana do mês começa com os mercados financeiros globais ainda sob impacto dos acontecimentos ao final da semana passada, sem saber o que esperar para a disputa entre as duas maiores economias do mundo. Enquanto Trump assume a preferência por tarifas cada vez mais altas, a China não parece disposta em terminar a guerra tão cedo. Então, é melhor se acostumar com uma escalada do confronto - e com as consequências que tal embate representam para a economia dos EUA e para o crescimento global.

O próprio Powell afirmou que a incerteza comercial “parece estar” desempenhando um papel na desaceleração da economia mundial e no enfraquecimento da manufatura norte-americana bem como dos gastos com capital nos EUA. Mas os danos causados pela disputa prejudicam não só os EUA, irradiando para outros países ao redor do mundo.

Nesta semana, então, merecem atenção o desempenho da economia (PIB) do Brasil e dos EUA no trimestre passado, ambos na quinta-feira, que podem lançar luz sobre uma temida recessão, diante de um cenário de PIB mundial menor que se desenha. Dados de inflação e consumo nos EUA e sobre o desemprego no Brasil, na sexa-feira, também são destaque.

Recessão à vista?

A divulgação dos números do PIB brasileiro é o grande destaque da agenda econômica doméstica e devem reforçar a percepção de que a retomada da atividade ficou para 2020. Ainda assim, após cair 0,2% nos três primeiros meses deste ano, a economia brasileira deve evitar entrar em uma recessão técnica, crescendo 0,2% no segundo trimestre.

Leia Também

Apesar de todos os setores econômicos estarem sofrendo de uma crise de confiança, esperando algum gatilho para retomar os investimentos e o consumo, a base de comparação fraca deve garantir um resultado positivo entre abril e junho de 2019, em ambos os confrontos.

Com isso, os números positivos devem ser olhados com cautela. Os fracos resultados dos atividade econômica e o nível elevado do desemprego ao longo do primeiro semestre não empolgam. Nem a aprovação de uma reforma da Previdência robusta no Congresso pode ter forças para acelerar o ritmo de crescimento do país na segunda metade do ano.

Nesse contexto de retomada gradual da atividade e do consumo internos e de acirramento da disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, há poucas razões para acreditar que os bancos centrais tenham poder para combater a próxima crise - por mais que estejam dispostos em reduzir os juros para sustentar o crescimento econômico.

O inimigo é outro

O que mais chamou a atenção do mercado financeiro foi a mudança na retórica de Trump, com o chefe da Casa Branca querendo interferir até onde as empresas privadas fabricam seus produtos. Embora não esteja claro qual autoridade legal Trump tem para forçar as empresas como agir, a declaração acionou o sinal de alerta entre os investidores.

Afinal, quanto os EUA podem perder sem a China e seu potencial mercado consumidor de 1,4 bilhão de pessoas? As empresas norte-americanas conseguiriam encontrar um mercado “alternativo à China” com o mesmo potencial do país asiático? E o que aconteceria com a China? As dificuldades de curto prazo penalizariam a força motriz do crescimento chinês a longo prazo?

Em outra declaração fora do comum, Trump questionou quem era o “maior inimigo dos EUA”: “‘Jay’ Powell, ou o presidente [chinês,] Xi [Jinping]?”. Sabe-se que há muito tempo Trump vem pressionando o Federal Reserve para cortar agressivamente a taxa de juros norte-americana.

Mas durante o simpósio nas montanhas do Wyoming (EUA), Powell fez um discurso em que não prometeu nenhuma flexibilização monetária, nem se comprometeu com novos cortes - nem em setembro. O presidente do Fed apenas disse que está “observando atentamente os desdobramentos” na economia e na guerra comercial que irá “agir conforme apropriado”.

Aos poucos, então, os investidores vão se dando conta de que o problema é a forma como Trump está lidando com seus dois maiores inimigos, provocando o pânico nos ativos globais para conseguir o que quer. Trata-se de uma estratégia que o republicano gosta de cultivar, tocando as relações com as instituições e outros países como faz com suas empresas.

Só que essa abordagem do presidente pode representar um risco à reeleição dele no ano que vem. Carros, aviões, soja e petróleo estão entre os milhares de produtos dos EUA que tiveram tarifa elevada para 10%. Tais produtos são produzidos em grande parte nos estados do Meio-Oeste, que garantiram a vitória de Trump em 2016.

Iowa, por exemplo, é o maior produtor de soja, enquanto Michigan e Ohio concentram a produção de veículo. Trump levou esses três estados na última eleição, e não deve ter sido à toa que a China mirou nessa região, avaliando os impactos da medida enquanto aposta na vitória de um democrata na eleição presidencial dos EUA, em novembro de 2020.

Afinal, para Pequim, é muito ruim ter de lidar com um presidente cuja relação política se baseia em um humor flutuante [e autoritário], que tem efeito não apenas no comércio. Aos poucos, essa variação de temperamento pode incomodar também os cidadãos e as empresas, adiando decisões de consumo e de investimentos, causando grandes danos não apenas à economia chinesa e do restante do mundo, mas também à economia dos EUA.

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:

Segunda-feira: A semana começa com o relatório de mercado Focus (8h30) e traz também o índice de confiança da indústria em agosto (8h). No exterior, destaque para o feriado bancário no Reino Unido, enquanto nos EUA, a semana começa com os números sobre a encomenda de bens duráveis em julho. Na China, sai o lucro da indústria em julho.

Terça-feira: Dados domésticos sobre os custos e a confiança na construção civil enchem a agenda local, sem destaques. Já no exterior, merece atenção a leitura revisada do PIB da Alemanha no segundo trimestre, quando caiu 0,1% em relação ao período anterior. Nos EUA, serão conhecidos dados do setor imobiliário norte-americano e sobre a confiança do consumidor.

Quarta-feira: A FGV traz mais uma sondagem, desta vez, sobre a confiança do setor de serviços. No front político, é esperada a leitura do parecer da reforma da Previdência na CCJ do Senado.

Quinta-feira: Dados do PIB do Brasil e dos EUA no segundo trimestre deste ano são o grande destaque do dia, que traz ainda o índice de preços ao produtor brasileiro (IPP) em julho e o IGP-M de agosto. Também serão conhecidos os estoques no atacado norte-americano e as vendas pendentes de imóveis.

Sexta-feira: A semana chega ao fim com os números sobre o mercado de trabalho no Brasil (Pnad) atualizados até julho e dados sobre a inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro em agosto. Nos EUA, saem os dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo no mês passado, juntamente com o índice de preços PCE, além do sentimento do consumidor norte-americano em agosto. No fim do dia, saem dados de atividade na China.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
PERDEU, DÓLAR

Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência 

2 de abril de 2025 - 13:35

Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa

2 de abril de 2025 - 8:13

Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA

O DIA DA LIBERTAÇÃO

O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China

2 de abril de 2025 - 6:01

A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

AÇÕES EM QUEDA FORTE

Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano

1 de abril de 2025 - 17:29

No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa

ACORDO ELETRIZANTE

Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos

1 de abril de 2025 - 14:35

Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%

conteúdo EQI

Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário

1 de abril de 2025 - 12:00

O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como

MUDANÇAS NO CONSELHO

Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3

1 de abril de 2025 - 11:49

Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

APÓS O ROMBO

Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária

1 de abril de 2025 - 9:51

Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump

1 de abril de 2025 - 8:13

Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump

EXILE ON WALL STREET

Tony Volpon: Buy the dip

31 de março de 2025 - 20:00

Já que o pessimismo virou o consenso, vou aqui argumentar por que de fato uma recessão é ainda improvável (com uma importante qualificação final)

BALANÇO DO MÊS

Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio

31 de março de 2025 - 19:08

Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam

BULL & BRISKET MARKET

Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado

31 de março de 2025 - 18:50

Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq

DESTAQUES DA BOLSA

Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações

31 de março de 2025 - 16:35

O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024

NO BANCO DOS RESERVAS

Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan

31 de março de 2025 - 14:49

O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra

EM BUSCA DE PROTEÇÃO

Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março 

31 de março de 2025 - 11:37

A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%

GOVERNANÇA

Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3

31 de março de 2025 - 9:34

A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump

31 de março de 2025 - 8:18

O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”

ANOTE NO CALENDÁRIO

Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços

31 de março de 2025 - 7:03

Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores

BALANÇO DOS BALANÇOS

O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital

28 de março de 2025 - 16:02

O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar