🔴 ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES DE GRAÇA – ACESSE AQUI

Olivia Bulla

Olivia Bulla

Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).

A Bula da Semana

A Bula da Semana: O “B” e o “C” dos Brics

Presidente chinês, Xi Jinping, desembarca em Brasília para cúpula dos Brics, e Brasil deve aproveitar oportunidade de interação com a segunda maior economia do mundo

Olivia Bulla
Olivia Bulla
11 de novembro de 2019
5:26

A semana encurtada por um feriado nacional na sexta-feira será marcada pela visita do presidente chinês, Xi Jinping, para encontro de cúpula dos países que formam os Brics. O fato de o Brasil ser o “B” do acrônimo criado pelo economista Jim O’Neil, do Goldman Sachs, no início dos anos 2000, dá ao país a oportunidade de uma interação mais intensa com a segunda maior economia do mundo - o “C” e a última letra da sigla, originalmente.

E o presidente Jair Bolsonaro deveria tirar proveito disso. A visita oficial dele à China, em outubro, alcançou um resultado positivo, com o chefe de Estado brasileiro se esquivando do posicionamento ideológico demonstrado durante a campanha e visando estreitar os laços comerciais, principalmente agrícola. À época, faltou na pauta a definição de um bom acordo bilateral Brasil-China, permitindo que haja investimentos produtivos chineses no país.

Agora, a 11ª Cúpula dos Brics, que acontece em Brasília nos dias 13 e 14 de novembro, será a nova chance para o governo brasileiro estimular o ingresso do capital chinês e abrir novas oportunidades de comércio entre ambos, agregando valor aos produtos Made in Brazil - inclusive agrícolas. Também poderiam surgir mais joint ventures sino-brasileiras, resultando em sinergias na área de tecnologia, principalmente.

As oportunidades são imensas, considerando-se os objetivos de médio e longo prazos da China, de dominar a indústria 4.0 até 2025 e superar a armadilha da renda média, elevando os ganhos por habitante (per capita) até 2049, quando o país comemora os 100 anos da Revolução Comunista. Aliás, a principal mensagem deixada pelos chineses, na ocasião dos 70 anos da República Popular, é que, sem estratégia, não se vai a lugar nenhum.

Por isso, um progresso nas negociações entre Brasil e China vai depender muito dos princípios a serem adotados pelo lado brasileiro. “Se o Brasil tiver claro quais são suas prioridades, reconhecidas em um planejamento pragmático, as oportunidades poderão multiplicar-se infinitamente”, afirma o professor visitante na Universidade de Relações Internacionais da China (CFAU), em Pequim, Marcus Vinícius de Freitas.

Ainda mais diante do projeto autoritário e moralista da equipe econômica de Paulo Guedes para modernizar o Estado. A ver se, desta vez, o encontro entre Xi e Bolsonaro será mais proveitoso, com menos turismo e maior intensidade na agenda, para não condenar o país a um crescimento econômico nos moldes de um “voo da galinha”, sem evoluir rumo à solidez fiscal e ao fim da pobreza, deixando a economia presa entre a alta e a baixa renda.

Leia Também

Aliás, dados de atividade no Brasil e no exterior são o destaque da agenda econômica nesta semana. Por aqui, saem números do setor de serviços e das vendas no varejo, enquanto Estados Unidos e China informam também o desempenho da indústria em outubro. Além disso, saem dados preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano na zona do euro e no Brasil.

Lula livre

Ainda no front político, o mercado doméstico viu como algo negativo a decisão da Suprema Corte de retomar o entendimento na Constituição, de que um réu só pode cumprir pena depois de esgotados todos os recursos, derrubando a condenação em segunda instância. Menos de 24 horas após a decisão do STF, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi solto e já discursou por duas vezes, em meio à comoção de militantes.

A soltura do principal líder da esquerda brasileira deve renovar a estratégia da oposição, mudando a postura do PT e exacerbando o clima político no país, que pode voltar a ficar polarizado - e se radicalizar. E essa nova conjuntura política pode prejudicar o governo Bolsonaro, atrapalhando o andamento da agenda de reformas no Congresso.

Além de ter de enfrentar uma oposição mais organizada, em um momento de fragilidade política dentro do próprio partido, o PSL, o presidente Jair Bolsonaro deve despender mais energia para mobilizar apoiadores. Com isso, pode se perder o foco para a aprovação do conjunto de medidas de ajuste fiscal elaborado pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes.

Além disso, os parlamentares podem reavaliar a postura pró-reformas, ao farejar no ar uma mudança dos rumos da política nacional, em um momento de turbulência social em vários países da América Latina, por questões político-econômicas. As eleições municipais do ano que vem serão um bom termômetro disso, lançando luz para 2022.

No âmbito do mercado financeiro, a leitura é de que o “Lula livre” emitiu um péssimo sinal, principalmente aos investidores estrangeiros, criando a sensação de insegurança jurídica e institucional, o que tende a afugentar o ingresso de capital externo no país, que já está escasso. Isso tende a elevar a percepção de risco no Brasil, mantendo o dólar pressionado para além de R$ 4,10 e recompondo prêmios nos juros futuros.

Já a Bolsa brasileira pode ter fôlego encurtado para esticar o rali, que vinha pegando carona no otimismo externo. Na última sexta-feira, o Ibovespa caiu quase 2%, apagando os ganhos acumulados na semana, ao passo que o dólar fechou acima de R$ 4,15, após encerrar a semana anterior abaixo de R$ 4,00 pela primeira vez desde agosto. A valorização da moeda norte-americana içou os contratos DIs intermediários e longos.

Negócio da China

Lá fora, o mercado financeiro aguarda novidades sobre o progresso nas negociações comerciais, após a postura firme de Pequim nas tratativas sobre o acordo de primeira fase com os Estados Unidos. Ao defender a remoção das tarifas existentes, a China mostra que, apesar de o presidente norte-americano, Donald Trump, jogar duro, é ela quem está ditando as regras. E essa posição faz jus à velha máxima que diz que “chinês é bom de negócio”.

A atitude do lado chinês é clara: os dois lados devem remover, simultaneamente e proporcionalmente, as tarifas adicionais em vigor para alcançar a fase 1 de negociação, quiçá ainda neste mês. Para a China, essa postura é uma maneira realista de reduzir a guerra comercial, esfriando a tensão entre os dois países e a preocupação com o crescimento econômico global no horizonte à frente.

Resta saber se essa atitude irá encontrar anuência do lado americano. Por ora, o mercado financeiro está incomodado com silêncio ensurdecedor de Trump sobre o assunto, que enfrenta “feroz oposição” dentro da Casa Branca. Ao que tudo indica, porém, Trump terá de ceder se quiser mesmo assinar algum acordo parcial. E esse entendimento dá o tom das próximas fases de negociação, quando entram na pauta áreas dominadas pelos EUA.

Por isso, “certamente haverá mais incidentes durante o percurso”, avalia o professor da CFAU, citado acima. “A China atualmente apresenta uma superioridade produtiva industrial e também se encontra em um processo de ascensão como potência global, o que a forçará a buscar prevalecer em vários setores - inclusive o tecnológico”, observa Marcus Vinícius de Freitas.

Para ele, o confronto na tecnologia, inicialmente no 5G, é o prenúncio de uma China que tem logrado retirar dos EUA a primazia na questão da inovação. “As novas tecnologias oferecem à China a possibilidade de alcançar as metas de 2025 e 2049. E o governo chinês sabe que é importante manter resultados econômicos positivos no sentido de assegurar a legitimidade necessária para governança e manutenção no poder”, conclui.

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:

Segunda-feira: A semana começa com as tradicionais publicações do dia no Brasil, a saber, a Pesquisa Focus (8h25) e os dados semanais da balança comercial (15h). Também será conhecida a primeira prévia deste mês do IGP-M (8h). No exterior, o feriado nos EUA pelo Dia dos Veteranos esvazia a agenda econômica norte-americana do dia e enxuga a liquidez em Wall Street, que abre normalmente hoje.

Terça-feira: O desempenho do setor de serviços no último mês do trimestre passado é o destaque da agenda do dia.

Quarta-feira: O IBGE divulga, no mesmo dia, o resultado das vendas no varejo em setembro e uma nova estimativa para a safra agrícola neste ano, bem como as primeiras projeções para a colheita em 2020. Nos EUA, destaque para o índice de preços ao consumidor (CPI) em outubro e para o testemunho do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no Congresso, sobre as perspectivas econômicas. No eixo Europa-Ásia, saem o desempenho da indústria na zona do euro e na China, além das vendas no varejo chinês.

Quinta-feira: A agenda doméstica encerra a semana trazendo o primeiro IGP do mês, o IGP-10. Espera-se também a divulgação do índice de atividade econômica do Banco Central, o IBC-Br, em setembro, tido como uma prévia do PIB no trimestre passado. Já no exterior, Powell volta a discursar no Congresso norte-americano, desta vez, na Câmara, enquanto a zona do euro informa os dados preliminares do PIB no trimestre passado.

Sexta-feira: O feriado nacional pela Proclamação da República encurta a semana, mantendo os mercados domésticos fechados até domingo. Lá fora, os mercados funcionam normalmente, sendo que a agenda econômica nos EUA traz dados de outubro sobre as vendas no varejo e a produção industrial.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa

2 de abril de 2025 - 8:13

Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA

O DIA DA LIBERTAÇÃO

O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China

2 de abril de 2025 - 6:01

A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

AÇÕES EM QUEDA FORTE

Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano

1 de abril de 2025 - 17:29

No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa

ACORDO ELETRIZANTE

Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos

1 de abril de 2025 - 14:35

Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%

conteúdo EQI

Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário

1 de abril de 2025 - 12:00

O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como

MUDANÇAS NO CONSELHO

Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3

1 de abril de 2025 - 11:49

Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

APÓS O ROMBO

Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária

1 de abril de 2025 - 9:51

Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump

1 de abril de 2025 - 8:13

Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump

EXILE ON WALL STREET

Tony Volpon: Buy the dip

31 de março de 2025 - 20:00

Já que o pessimismo virou o consenso, vou aqui argumentar por que de fato uma recessão é ainda improvável (com uma importante qualificação final)

BALANÇO DO MÊS

Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio

31 de março de 2025 - 19:08

Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam

BULL & BRISKET MARKET

Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado

31 de março de 2025 - 18:50

Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq

DESTAQUES DA BOLSA

Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações

31 de março de 2025 - 16:35

O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024

NO BANCO DOS RESERVAS

Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan

31 de março de 2025 - 14:49

O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra

EM BUSCA DE PROTEÇÃO

Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março 

31 de março de 2025 - 11:37

A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%

GOVERNANÇA

Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3

31 de março de 2025 - 9:34

A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump

31 de março de 2025 - 8:18

O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”

ANOTE NO CALENDÁRIO

Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços

31 de março de 2025 - 7:03

Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores

BALANÇO DOS BALANÇOS

O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital

28 de março de 2025 - 16:02

O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online

MERCADOS HOJE

Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump

28 de março de 2025 - 14:15

Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar