🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Mercados

Rogério Xavier vê um tsunami vindo em direção ao Brasil

Segundo gestor da SPX, cenário externo está mudando e desempenho positivo para ativos brasileiros está condicionado à agenda de reformas do novo governo

Eduardo Campos
Eduardo Campos
6 de novembro de 2018
13:54 - atualizado às 14:11
Imagem: Shutterstock

"Estamos diante de um tsunami vindo em nossa direção. A água já recuou. Agora nós temos de sair correndo, mas muito rápido, para ir para o ponto mais alto da montanha e tentar rezar para que essa água toda não nos pegue."

Esse é um bom resumo da palestra do fundador da SPX Capital, Rogério Xavier, durante Fórum de Gestores organizado pelo Itaú.

O tsunami vem do mercado externo, onde a mudança na política monetária dos países desenvolvidos, notadamente nos EUA, vai promover uma realocação global de ativos, e os emergentes, Brasil incluso, serão afetados.

“Para emergentes e Brasil, quanto melhor a gente for, menos a gente vai sofrer. Não vamos nos beneficiar de cenário externo adverso, mas se a gente fizer o dever de casa, como Coreia do Sul e Colômbia, sofreremos menos. Mas que vamos sofrer não há dúvida”, disse.

Segundo Xavier, uma alta na taxa de juros do Federal Reserve (Fed), banco central americano, para algo próximo a 4% não é um risco, mas sim o cenário base. Isso será uma resposta ao superaquecimento da economia, que vai se traduzir em mais inflação à frente. Junto disso há uma redução do balanço de ativos do Fed, que aumenta a necessidade de financiamento dos EUA, que já roda déficits fiscais elevados em função da política expansionista de Donald Trump.

“Não consigo ver nenhum vetor, mas nenhum vetor que não vá pressionar a inflação à frente. Então, estamos com todas as condições para vermos níveis inflacionários bastante elevados”, disse.

Leia Também

Esse aumento de juro e da necessidade de financiamento dos déficits vai deslocar recursos de emergentes para desenvolvidos. O quadro é de reversão dos fluxos vistos desde a crise de 2008 e isso vai se aprofundar em 2019.

Para o especialista, mesmo com uma desaceleração, os EUA vão continuar puxando o resto do mundo, pois não há sinal de recessão por lá. Entre os emergentes, a desaceleração é puxada pela China, onde Xavier enxerga o risco de uma recessão, conforme as medidas oficiais de estímulo ao crédito e ao investimento deixam de funcionar.

Uma provocação à plateia

Logo no começo de sua exposição, Xavier fez uma provocação, falando que mesmo em economias onde as eleições foram favoráveis, a taxa de câmbio converge para a cesta de moedas emergentes. Por isso, a recomendação dele é para “não se animarem muito com essa expectativa positiva que se criou nos mercados com relação à agenda liberal do novo governo”.

Xavier apresentou um quadro com cinco países onde as eleições foram bem vistas pelo mercado em um primeiro momento. Argentina, México, África do Sul, Turquia e Índia. Em todos os casos foi vista uma apreciação da moeda, mas uma invariável convergência posterior à media da cesta de moedas.

“O que quero dizer é o seguinte.  O brasil não é uma ilha, assim como os outros não são. A gente não consegue se descolar porque no final, quando fazemos uma alocação do real contra o dólar, tem esse componente importante que é o próprio dólar. Então, não depende só de nós. Depende de nós e dos EUA e não adianta ficara olhando só que a gente faz para o bem e para o mal”, explicou.

A grande interrogação local

Sobre o mercado local, Xavier disse estar “relativamente otimista” com a agenda que está sendo proposta pelo novo governo, mas tem grande dúvida sobre sua implementação e execução.

A agenda de cunho liberal agrada muito e caso se consiga avançar nas ideias, o país pode passar por um processo de transformação. Isso deixaria a “corrida para cima da montanha” mais rápida, tirando um lastro gigantesco das nossas costas.

“É uma agenda transformadora, se aprovar metade dela já será grande a transformação”, disse.

Para Xavier, as ideias de Jair Bolsonaro e sua equipe liderada por Paulo Guedes, considerado um belíssimo economista, são boas, mas não temos a profundidade necessária sobre as propostas. Como exemplo, ele citou a falta de clareza com relação ao desenho de uma reforma da Previdência.

No lado político, o gestor avalia que a composição do Congresso continua favorável à aprovação de medidas. Ele apresentou um trabalho feito pela SPX para captar a postura dos parlamentares e chegou a 180 deputados favoráveis às reformas, 155 contrários e 178 neutros ou que ainda não se declararam. Para aprovar mudanças constitucionais será necessário abocanhar 70% desse grupo neutro. “O que não acho impossível.”

A dúvida é sobre como será a negociação com o Congresso. Bem ou mal tinha uma negociação que funcionava, até por compra de deputado (algo que depois deixou de funcionar), mas agora não se sabe como será essa nova maneira de fazer política, sem o “toma lá, dá cá” dos últimos anos.

“O ambiente é favorável, mas não sei a execução dessas medidas”, disse.

O que é fato, é o senso de urgência na aprovação das reformas, notadamente a da Previdência, que caso não seja feita, coloca o país no caminho da insolvência. É necessário correr com as reformas, pois “o cenário externo está vindo de maneira intensa”.

O curto e o médio prazos

Ainda sobre o mercado local, Xavier enxerga a situação de curto prazo mais favorável, pois a economia está crescendo após a tragédia de 2015 e 2016 que nos relegou “PIBs de guerra”. Além disso, há espaço para a economia crescer sem gerar pressão nos preços, não há problemas nas contas externas e a inflação segue orbitando as metas.

No lado fiscal, Xavier acredita que a aprovação do projeto de cessão onerosa da Petrobras pode resultar em um superávit primário (receitas menos despesas do governo sem considerar gastos com juros) em 2019. Também se prevê um aumento de receitas do governo e recursos provenientes de privatizações e devolução dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). São medidas que não pedem quórum qualificado do Congresso, assim como revisão da desoneração da folha de pagamentos e de outros benefícios.

O desafio é o médio prazo, é lidar com um déficit primário estrutural “caótico” de cerca de 2% do PIB. Pelas contas de Xavier, apenas para estabilizar a trajetória explosiva da dívida bruta com relação ao PIB é preciso transformar esse déficit em superávit de 2% do PIB.

Agora, se o objetivo é estabilizar e depois colocar a dívida bruta, que ronda os 80% do PIB, em trajetória de queda, o esforço fiscal necessário é da ordem de 6 pontos do PIB, ou seja, sair de um déficit de 2% para um superávit de 4%.

O componente mais importante dessa discussão é justamente a reforma da Previdência.

“É muito importante que a reforma seja enfrentada logo no começo do governo. Não temos tempo”, disse.

O receio de Xavier é que caso o déficit de 2019 vire superávit em função da cessão onerosa, a classe política se acomode, perdendo a noção de urgência com relação ao tema.

Onde investir dentro desse quadro?

A SPX mantém, faz um bom tempo, apenas uma pequena alocação dos seus R$ 38,5 bilhões sob gestão em ativos brasileiros. Xavier falou do processo de internacionalização da gestora e da busca por oportunidades globais, mas que nem sempre estão acessíveis aos investidores pessoas físicas. Exemplo é o posicionamento para esse movimento de alta de juros pelo Fed e por outros países, como o visto no leste europeu.

Por aqui, melhora de preço em juros longos e bolsa apenas se Bolsonaro aprovar uma reforma da Previdência e conceder autonomia formal ao Banco Central.

“Mas tudo dependendo de o Congresso entregar. Dentro desses contexto, bolsa é um ativo interessante, por conta desse cenário de agenda positiva.”

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell

4 de abril de 2025 - 8:16

Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem

SEXTOU COM O RUY

Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa

4 de abril de 2025 - 6:03

O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso

MODO DEFESA

Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos

3 de abril de 2025 - 19:14

A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco

UM DIA PARA ESQUECER

Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump

3 de abril de 2025 - 19:01

Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro

NO OLHO DO FURACÃO

Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora

3 de abril de 2025 - 15:05

Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados

DÓLAR HOJE

Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte

3 de abril de 2025 - 13:13

A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação

ENTREGAS DE AVIÕES

Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump 

3 de abril de 2025 - 12:31

A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%

3 de abril de 2025 - 10:50

O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais

3 de abril de 2025 - 8:14

Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA

DERRETENDO

Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara

2 de abril de 2025 - 20:10

Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?

2 de abril de 2025 - 20:00

As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?

PERDEU, DÓLAR

Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência 

2 de abril de 2025 - 13:35

Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade

NOVA CHAPA

Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho

2 de abril de 2025 - 11:21

Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa

2 de abril de 2025 - 8:13

Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

QUEM ENTRA E QUEM SAI

Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3

1 de abril de 2025 - 14:47

A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares

ACORDO ELETRIZANTE

Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos

1 de abril de 2025 - 14:35

Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%

TOUROS E URSOS #217

Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos

1 de abril de 2025 - 14:05

No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira

conteúdo EQI

Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário

1 de abril de 2025 - 12:00

O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como

MUDANÇAS NO CONSELHO

Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3

1 de abril de 2025 - 11:49

Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar