Fundos captam R$ 65 bilhões no semestre e entraram no radar do BC
Juro baixo e atividade fraca mudam alocação de recursos na economia: sai o CDB e entram os fundos de investimento

A queda da Selic e a atividade fraca estão promovendo uma mudança na alocação de recursos na economia. Os fundos de investimento estão tomando o lugar dos tradicionais CDBs dos bancos, quando se trata de captação de recursos. E a continuidade desse movimento tem “possíveis implicações para a estabilidade financeira”.
Quem está chamando atenção para o fato e os riscos associados é o Banco Central (BC), no Relatório de Estabilidade Financeira (REF). E quase nunca um tema é escolhido por acaso para constar dos estudos e documentos da autoridade monetária.
É desse tipo de observação do BC e demais reguladores que parte a elaboração de novas regras que influenciam a vida do investidor. Desse alerta em particular podemos pensar que num futuro nem tão distante podemos ter novos prazos mínimos para resgate de fundos, dependendo dos ativos em que eles aplicam ou de determinadas situações de mercado. Juro baixo e maior complexidade dos instrumentos financeiros vão minando a estimada liquidez diária, tão cara ao investidor brasileiro.
Vamos aos dados
Segundo o BC, famílias e empresas têm investido em cotas de fundos e preterido instrumentos de captação bancária, especialmente desde 2016. Avaliando os fluxos, o BC destaca que enquanto os fundos captaram R$ 65 bilhões na primeira metade de 2018, a captação bancária foi negativa em R$ 10 bilhões.
Do ponto de vista do investidor, diz o BC, aplicações em fundos se tornaram mais atrativas do que em bancos. E, de fato, os maiores bancos vêm reduzindo a remuneração das novas captações, demonstrando pouco apetite por mais recursos.
Leia Também
A taxa média para CDB, LCI, LCA e compromissadas caiu de uma média de 96% do CDI em junho de 2016, para 90% em junho de 2018.
Do lado do sistema bancário, o aumento da base de captações também ficou menos interessante. Segundo o BC, a dinâmica da carteira de crédito, decorrente do cenário adverso atravessado pela economia, demandou menor volume de depósitos bancários.
Enquanto o estoque de recursos nos fundos praticamente dobrou desde 2014, para R$ 2,460 trilhões. O estoque de captações subiu de R$ 2,3 trilhões para cerca de R$ 2,5 trilhões no mesmo período.
Além disso, ficou menos atrativo captar recursos e não os direcionar à concessão de crédito.
“Com efeito, o ciclo de redução da taxa Selic, iniciado no último trimestre de 2016, reduziu a remuneração da atividade de intermediação de títulos”, diz o BC.
Ilustrando essa observação, o BC mostra que a margem de juros com títulos e valores mobiliários caiu de cerca de 2,5% no começo de 2017 para 1,3% em junho de 2018, se aproximando muito da taxa de administração de fundos, de 1% em média.
“Isso incentivou os conglomerados bancários a direcionarem parte da poupança de famílias e empresas para os fundos de investimento, que proporcionam renda aos conglomerados com menores custos de intermediação.”
Implicações no lado real da economia
Para o BC, nesse contexto de Selic baixa, o crescimento da indústria de fundos pode impulsionar o mercado de capitais, fornecendo a grandes empresas funding mais barato que o crédito bancário tradicional.
E esse movimento já vem sendo observado, diz o BC, pois a carteira de títulos do setor privado não financeiro na indústria de fundos cresceu 26,5% entre dezembro de 2016 e junho de 2018, acima do aumento de 20% do patrimônio líquido da indústria no período.
Mas mesmo com essa elevação recente, os títulos privados continuam representando parcela reduzida da carteira dos fundos. Eles respondem por apenas 7%, contra 73% de títulos públicos federais e operações compromissadas lastreadas nesses papéis.
O alerta do BC
O aumento da indústria de fundos traz algumas preocupações em relação à estabilidade financeira, que também são monitoradas pela autoridade monetária.
O BC nota que do ponto de vista do investidor que substitui investimento em títulos bancários por cotas de fundo, há uma alteração no perfil de riscos. E apesar da possibilidade de maior diversificação de investimentos, as cotas de fundo, ao contrário dos depósitos bancários, não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e são marcadas a mercado diariamente.
“A reação dos investidores à maior volatilidade no resultado dos investimentos pode trazer consequências aos mercados e a outros intermediários financeiros. Desvalorizações de cotas de fundos seguidas por pedidos de resgates vultosos gerariam pressão adicional de venda de ativos em um mercado que poderia estar sob estresse, o que poderia retroalimentar o processo e impor perdas a outros ativos e agentes econômicos, incluindo bancos, seguradoras e fundos de pensão.”
É nesse sentido que o BC monitora continuamente não só o mercado mas também as interconexões entre os agentes do sistema financeiro “de forma a acompanhar os potenciais riscos resultantes das ligações diretas e indiretas entre esses agentes”.
Mas há uma ponderação: Atualmente o risco de contágio direto é baixo, a despeito da densa rede de conexões diretas entre o sistema bancário e os fundos de investimento, e entre esses, e as seguradoras e os fundos de pensão.
O que se nota é que o período de Selic baixa já deixa reflexos na indústria financeira e traz "problemas de primeiro mundo" ao BC, como o risco proveniente de operações de crédito privado feitas via mercado de capitais. E possíveis movimentos de manada em período de estresse afetando os fundos e outros entes do mercado.
Banco Master: Compra é ‘operação resgate’? CDBs serão honrados? BC vai barrar? CEO do BRB responde principais dúvidas do mercado
O CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, nega pressão política pela compra do Master e endereça principais dúvidas do mercado
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
Nubank (ROXO34): Safra aponta alta da inadimplência no roxinho neste ano; entenda o que pode estar por trás disso
Uma possível explicação, segundo o Safra, é uma nova regra do Banco Central que entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano.
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Selic em 14,25% ao ano é ‘fichinha’? EQI vê juros em até 15,25% e oportunidade de lucro de até 18% ao ano; entenda
Enquanto a Selic pode chegar até 15,25% ao ano segundo analistas, investidores atentos já estão aproveitando oportunidades de ganhos de até 18% ao ano
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom
Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros
Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte
Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Agenda econômica: Ata do Copom, IPCA-15 e PIB nos EUA e Reino Unido dividem espaço com reta final da temporada de balanços no Brasil
Semana pós-Super Quarta mantém investidores em alerta com indicadores-chave, como a Reunião do CMN, o Relatório Trimestral de Inflação do BC e o IGP-M de março
Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?
Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção
Deixou no chinelo: Selic está perto de 15%, mas essa carteira já rendeu mais em três meses
Isso não quer dizer que você deveria vender todos os seus títulos de renda fixa para comprar bolsa neste momento, não se trata de tudo ou nada — é até saudável que você tenha as duas classes na carteira
Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom
Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais
Copom não surpreende, eleva a Selic para 14,25% e sinaliza mais um aumento em maio
Decisão foi unânime e elevou os juros para o maior patamar em nove anos. Em comunicado duro, o comitê não sinalizou a trajetória da taxa para os próximos meses
De volta à Terra: Ibovespa tenta manter boa sequência na Super Quarta dos bancos centrais
Em momentos diferentes, Copom e Fed decidem hoje os rumos das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos
Até onde vai a alta da Selic — e como investir nesse cenário? Analista vê juros de até 15,5% e faz recomendações de investimentos
No episódio da semana do Touros e Ursos, Lais Costa, da Empiricus Research, fala sobre o que esperar da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, após a Super Quarta
Super Quarta no radar: saiba o que esperar das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e como investir
Na quarta-feira (19), os bancos centrais do Brasil e dos EUA devem anunciar suas decisões de juros; veja o que fazer com seus investimentos, segundo especialistas do mercado